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Os muitos jeitos de ser bajeense

Em 18/07/2026 às 08:00h

por Redação JM

Os muitos jeitos de ser bajeense | Minuano Conecta | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Arquivo JM

Há cidades que podem ser explicadas por seus monumentos. Outras, por grandes acontecimentos históricos. Bagé também tem ambos. Mas há algo que escapa aos livros, aos documentos oficiais e às datas comemorativas. Há uma cidade que existe nos hábitos, nas palavras, nos sabores, nos caminhos cotidianos e nas memórias compartilhadas por quem vive aqui. É dessa Bagé que trata esta edição especial do Conecta, produzida para celebrar os 215 anos da Rainha da Fronteira.

Não se trata de um retrato definitivo da identidade bajeense. Seria impossível. A identidade de uma cidade é sempre plural, dinâmica e, sobretudo, incompleta. Nenhum conjunto de reportagens conseguiria abarcar todas as experiências, todos os bairros, todas as tradições, todos os personagens e todas as formas de viver Bagé. Este é, assumidamente, um trabalho lacunar. Reúne fragmentos, pequenas peças de um mosaico muito maior, composto diariamente por milhares de pessoas.

Ao longo destas páginas, o leitor encontrará histórias que, à primeira vista, podem parecer banais. Mas são justamente elas que ajudam a compreender aquilo que torna Bagé singular. A discussão sobre a grafia de "bajeense", por exemplo, supera a semântica, revelando como a própria história da cidade permanece viva nas palavras que escolhemos usar e mostra que identidade se constrói pela preservação da memória.

O pancho, presença quase obrigatória na rotina local, deixa de ser apenas um lanche para assumir o papel de patrimônio afetivo. Ele ajuda a explicar como sabores também podem representar pertencimento.

Os curiosos postes instalados no centro dos cruzamentos contam outra parte dessa história. Estranhos para quem chega pela primeira vez, naturais para quem nasceu aqui, eles revelam como uma solução urbana atravessou gerações até transformar-se em marca da paisagem e da cultura bajeense.

Também revisitamos as praças da cidade. Muitos conhecem perfeitamente a Praça da Estação, a Praça do Coreto ou a Praça Esporte, mas poucos lembram seus nomes oficiais. Essa diferença demonstra que a memória coletiva nem sempre acompanha as placas, escolhendo seus próprios caminhos para nomear os lugares.

O futebol aparece como outro desses espaços de construção da identidade. O clássico Ba-Gua ultrapassa o resultado de uma partida para revelar vínculos familiares, tradições herdadas e afetos compartilhados entre gerações. Em Bagé, torcer também é uma forma de pertencer.

Por fim, perguntamos aos próprios moradores que presente dariam à cidade em seus 215 anos. As respostas revelam carinho, esperança, críticas e desejos por uma Bagé que preserve sua história sem deixar de olhar para o futuro. Falam de água, segurança, oportunidades, cuidado e pertencimento. Mostram que celebrar uma cidade também significa reconhecer seus desafios.

Talvez seja justamente essa a principal conclusão desta edição: a identidade bajeense não está concentrada em um único símbolo. Ela vive nas pequenas escolhas, nos costumes cotidianos, na maneira de falar, de circular pela cidade, de ocupar seus espaços públicos, de torcer, de comer, de recordar e até de imaginar o amanhã.

Este caderno não pretende oferecer respostas definitivas sobre o que é ser bajeense. Pelo contrário. Espera ampliar a conversa. Porque uma cidade com 215 anos continua sendo escrita todos os dias por seus moradores.

Que esta edição seja, portanto, um convite para olhar Bagé com mais atenção. Não apenas para aquilo que salta aos olhos, mas também para os detalhes que, muitas vezes, passam despercebidos justamente por fazerem parte da nossa rotina. É nesses fragmentos que uma cidade revela quem ela é; e é neles que seguimos encontrando razões para celebrar sua história.

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