Cidade
Bagé não terá alistamento militar feminino
Intenção de ampliação para o interior do Rio Grande do Sul é mínima
por Márlon Castro Posqui
As jovens de Bagé não poderão mais realizar o alistamento militar feminino voluntário para prestar serviço em unidades instaladas no município. A informação foi confirmada pelo Chefe da Subseção de Serviço Militar Inicial, tenente-coronel Forquim. Ele esclarece que a ampliação do programa para o interior do Rio Grande do Sul não deve ocorrer neste momento.
Inicialmente, havia expectativa de que Bagé integrasse o projeto de incorporação de mulheres ao Exército Brasileiro. A previsão era de que o alistamento ocorresse em 2026, com a incorporação das primeiras militares em 2027. No entanto, conforme o oficial, o Serviço Militar Inicial Feminino foi planejado apenas para os municípios de Porto Alegre, Santa Maria e Canoas.
Ainda segundo Forquim, cogitou-se a possibilidade de estender o programa para outras guarnições, como Bagé, Alegrete e Santiago, caso houvesse interesse das jovens em se alistar voluntariamente. Entretanto, ele ressalta que nunca foi publicado qualquer documento oficial prevendo essa ampliação. “O Serviço Militar Inicial Feminino foi planejado, inicialmente, para os municípios de Porto Alegre, Santa Maria e Canoas e, caso houvesse interesse das jovens em se alistarem voluntariamente, poderia se estender para outras guarnições como Bagé, Alegrete, Santiago, entre outras. Contudo, nunca foi emitido qualquer documento informando sobre essa possibilidade”, explica.
Ainda de acordo com o tenente-coronel, a baixa procura pelo serviço militar feminino também influenciou na decisão. Conforme dados do Exército, o número de alistamento feminino neste ano é cerca de 40% inferior ao registrado no ano passado. Segundo Forquim o baixo salário "certamente" é um dos motivos pela baixa adesão.
Além da demanda reduzida, o militar destacou que uma eventual expansão exigiria investimentos em infraestrutura, como adequações em alojamentos e instalações para receber o efetivo feminino, o que depende de planejamento e disponibilidade orçamentária. “Diante da pouca procura, a perspectiva de ampliação do Serviço Militar Inicial Feminino para o interior do estado é mínima. Além disso, quando houver essa decisão, antes do alistamento serão necessários investimentos em infraestrutura, o que demanda planejamento e orçamento”, afirmou.
De acordo com Forquim, as jovens que queiram se alistar devem fazer o procedimento em Porto Alegre, Santa Maria ou Canoas. "Deverão se alistar pessoalmente nas juntas do serviço militar destas cidades apresentando comprovante de residência e logicamente morarem nestas cidades", explica.
Com isso, Bagé deixa de integrar, ao menos por enquanto, a implantação do serviço militar feminino voluntário. As jovens interessadas deverão acompanhar futuras definições do Exército Brasileiro sobre uma eventual ampliação do programa para outras regiões do Estado.
Planejamento previa 38 vagas em Bagé
Antes da definição de manter o programa restrito às três guarnições iniciais, Bagé chegou a se preparar para integrar o Serviço Militar Inicial Feminino. A previsão era de que 38 mulheres fossem incorporadas em 2027, sendo 30 vagas destinadas ao 3º Batalhão Logístico (3º B Log) e oito ao Hospital de Guarnição de Bagé (HGuBa).
Ainda neste ano, a Junta de Serviço Militar do município havia registrado 48 inscrições de jovens interessadas no alistamento voluntário, número considerado expressivo para o início do programa e que demonstrava o interesse das bageenses em ingressar nas fileiras do Exército.
Conforme o planejamento inicial, as candidatas passariam pelas mesmas etapas do processo seletivo aplicadas aos homens, incluindo o alistamento, a inspeção de saúde e a seleção complementar. As unidades militares também deveriam receber adaptações estruturais, como a implantação de alojamentos exclusivos para o segmento feminino e outras adequações necessárias para a incorporação das militares.

