Cidade
Livro resgata legado de Áttila Taborda e a história da Vila Vicentina
por Melissa Louçan
A trajetória do médico Áttila Taborda e a construção de uma das maiores obras assistenciais de Bagé ganham registro em livro com o lançamento de Áttila e a Vila Vicentina, do pesquisador Cláudio de Leão Lemieszek. A obra será apresentada na próxima quarta-feira, 15, às 17h, na Capela São Vicente de Paulo, na Vila Vicentina, integrando a programação da Semana do Aniversário de Bagé. Os exemplares serão vendidos por R$ 50, com toda a renda revertida para a instituição.
O livro nasceu de um convite feito pelo presidente da Associação São Vicente de Paulo, mantenedora da Vila Vicentina, Carlos Alberto Fico, a partir do desejo dos voluntários de registrar a história da instituição e homenagear seu principal idealizador: "Tivemos a satisfação de o Cláudio aceitar o convite. O doutor Áttila era um homem muito à frente do seu tempo e esperamos que os bajeenses reconheçam esse trabalho", destaca.
A partir da proposta, Lemieszek mergulhou em pesquisas no Museu Dom Diogo de Souza, no Arquivo Público Municipal e no acervo documental da própria entidade para reconstruir parte da história da instituição. Embora a narrativa tenha início com o lançamento da pedra fundamental da Vila Vicentina, em 1948, a origem do projeto é bem anterior. Conforme a pesquisa de Lemieszek, a ideia surgiu em 1925, durante uma reunião da Sociedade São Vicente de Paulo. A partir dali, Áttila passou mais de duas décadas mobilizando lideranças, buscando apoio político, arrecadando recursos e conquistando doações de terrenos até que, 23 anos depois, o empreendimento começasse a sair do papel. "O doutor Áttila começou a obra e terminou a obra. A vida dele se confunde com a existência da Vila Vicentina", resume o pesquisador.
Durante a pesquisa, Lemieszek encontrou registros que mostram a dimensão alcançada pelo projeto. À época, a Vila Vicentina foi considerada uma referência nacional em assistência social, recebendo visitas de autoridades, pesquisadores e representantes de outras instituições interessados em conhecer o modelo implantado em Bagé. Reportagens publicadas em jornais do Estado e do país chegaram a classificá-la como um "oásis da assistência social".
O livro também mostra que a instituição foi concebida para ser muito mais do que um lar para idosos. Desde o lançamento da pedra fundamental, Taborda idealizava um complexo voltado ao acolhimento da população mais vulnerável, com ambulatório, laboratório, albergue noturno, escola de artes, lavanderia, refeitório e horta, além da assistência espiritual. "Ele era um visionário. Quando assentou a pedra fundamental, em 1948, já dizia que ali haveria ambulatório, laboratório, albergue, escola de artes, refeitório e lavanderia. Antes mesmo de iniciar a construção, já tinha toda a obra desenhada", destaca Lemieszek.
Ao revisitar a trajetória da Vila Vicentina, o pesquisador também evidencia o papel da instituição como berço de importantes iniciativas da cidade. Foi em suas dependências que ocorreram as primeiras discussões para a construção do Santuário de Nossa Senhora Conquistadora e onde o Museu Dom Diogo de Souza deu seus primeiros passos. Para Lemieszek, compreender esse legado foi também compreender a dimensão humana de seu idealizador. Inspirado em uma citação de Dostoiévski, ele resume essa dedicação em uma pergunta que também dá o tom da obra: "Que músculos tinha a alma de um homem para fazer tudo isso?"
Para Lemieszek, preservar essa memória é também uma forma de incentivar a comunidade a manter viva a obra iniciada por Áttila Taborda: "Bagé sempre foi uma cidade generosa. Acho que precisamos voltar o olhar para a Vila Vicentina por tudo o que ela representou e continua representando", observa.

