Cidade
Santuário de Exu volta a ser alvo de furto e depredação
por Érica Alvarenga
O Santuário de Exu Tranca Rua das Almas e Todo Povo de Exu, localizado na rua Tupy Silveira nº 1740, foi alvo de furto e depredação na quinta-feira, 18. De acordo com o responsável pelo espaço, Pai Alessandro de Oxalá, proprietário da loja Luar Artigos religiosos, anexa ao santuário, os episódios são frequentes e refletem uma realidade marcada pela intolerância religiosa.
No momento do ocorrido, Pai Alessandro realizava gravações em uma praça próxima quando percebeu uma movimentação incomum no interior do santuário. Ao se aproximar, flagrou um homem forçando a porta de entrada com uma barra de ferro e depredando objetos que estavam no santuário. “Vi uma movimentação de cachorros dentro do santuário e pensei que alguém pudesse ter deixado alguma oferenda. Quando fui olhar, vi uma pessoa com uma barra de ferro na mão, empurrando e forçando a porta. Ele quebrou bebidas que estavam em volta e colocou outras em uma sacola”, relatou.
Diante da situação, o religioso acionou a polícia, mas optou por não abordar o suspeito. “Quem entra para depredar não está tranquilo. Prefiro sempre chamar as autoridades e pedir ajuda”, afirmou.
Conforme Alessandro, além das bebidas quebradas e furtadas, o dinheiro deixado pelos frequentadores como oferenda também foi levado. Um castiçal de prata utilizado para acender velas em homenagem a Exu desapareceu, e as flores dos canteiros foram destruídas.
Imagens das câmeras de monitoramento do local registraram parte da ação. Em um dos vídeos, é possível observar um homem utilizando um objeto para tentar retirar o dinheiro deixado pelos fiéis por baixo da porta do santuário.
Ataques são frequentes
Pai Alessandro afirma que o episódio não foi um caso isolado. Segundo ele, desde a inauguração do santuário, atos de vandalismo e manifestações de intolerância religiosa são recorrentes. “O santuário é alvo semanal, quase diário. Eu acredito que ele só não foi mais violado e depredado porque a gente fecha. Se ficasse aberto à noite e aos domingos, acredito que não existiria mais santuário”, declarou.
Ainda conforme o religioso, o espaço já foi alvo de incêndio criminoso, tentativas de destruição das imagens e invasões praticadas por pessoas portando barras de ferro. “Já colocaram fogo, já teve gente que quebrou imagem, já vieram com barra de ferro. A intolerância religiosa existe todos os dias”, lamentou.
O santuário permanece aberto somente durante o horário de funcionamento da Loja Luar, de segunda-feira a sábado, das 9h às 20h. Aos domingos, quando não há expediente, o espaço permanece fechado por não haver pessoas responsáveis pela vigilância do local.
Para o religioso, os episódios ultrapassam os danos materiais e representam ataques à liberdade de culto e ao direito à manifestação religiosa. “É inadmissível isso acontecer. Toda vez que acontece, a gente chama a polícia e pede que façam alguma coisa. O que a gente quer é poder exercer a nossa fé em paz”, concluiu.

