Saúde
Nutrição individualizada auxilia gestantes de alto risco no controle de doenças durante a gravidez
por Rochele Barbosa
O acompanhamento nutricional é uma das ferramentas fundamentais no cuidado das pacientes atendidas pelo Ambulatório de Gravidez de Alto Risco (AGAR). Integrado a uma equipe multidisciplinar, o serviço busca controlar doenças que podem comprometer a saúde da mãe e do bebê, com orientações personalizadas e adaptadas à realidade de cada gestante.
Segundo a nutricionista Andressa Mendonça, a maioria das pacientes chega ao consultório por encaminhamento médico, principalmente em razão do diagnóstico de diabetes gestacional. A condição representa a principal demanda do serviço, embora também sejam atendidas mulheres com hipertensão arterial, alterações da tireoide, sobrepeso e outros fatores que podem tornar a gestação mais delicada.
“O maior percentual de encaminhamentos é por diabetes gestacional. Muitas vezes o sobrepeso já vem associado ao diabetes, e a alimentação passa a ser uma ferramenta importante para controlar essas condições”, explica.
Ao iniciar o acompanhamento, a profissional realiza uma avaliação detalhada para compreender não apenas o estado de saúde da paciente, mas também aspectos sociais e econômicos que influenciam diretamente na alimentação. Escolaridade, rotina de trabalho, hábitos alimentares e condições financeiras são levados em consideração na elaboração do plano alimentar.
“O atendimento é totalmente individualizado. Eu preciso entender quem é essa paciente, o que ela consegue comprar, qual a rotina dela e o que ela consegue colocar em prática. Não adianta prescrever algo que não faz parte da realidade dela”, destaca.
A partir dessa avaliação, são fornecidas orientações sobre alimentação saudável, controle da glicemia, consumo de fibras, redução de açúcares e outros cuidados necessários para cada caso. Em conjunto com a gestante, é elaborado um plano alimentar adaptado à sua rotina diária.
A nutricionista ressalta que um dos principais desafios é desconstruir a ideia de que uma alimentação adequada durante a gestação exige gastos elevados. Por isso, as recomendações priorizam alimentos acessíveis e substituições possíveis dentro do orçamento familiar.
“Nunca estipulo algo que seja muito caro. Se a paciente não consegue comprar um iogurte específico, buscamos alternativas como o leite. Se ela tem apenas algumas verduras produzidas em casa, trabalhamos com aquilo que ela possui. O importante é construir uma alimentação saudável dentro da realidade de cada uma”, afirma.
O acompanhamento também varia conforme a necessidade da paciente. Gestantes que apresentam maior dificuldade em seguir as orientações ou que recebem o diagnóstico mais próximo do final da gravidez podem retornar em intervalos de 15 dias. Já aquelas que demonstram boa compreensão e evolução costumam ser reavaliadas mensalmente.
Além da alimentação, o trabalho aborda fatores que influenciam diretamente o controle do diabetes gestacional, como qualidade do sono, hidratação e hábitos de vida. Andressa destaca que nem sempre a alimentação, por si só, consegue controlar a doença, já que as alterações hormonais da gravidez podem exigir o uso de medicamentos.
“Às vezes a paciente faz tudo corretamente e mesmo assim precisa de medicação. Isso não significa que ela falhou. Existem alterações hormonais próprias da gestação que dificultam o controle da glicose. Nesses casos, a alimentação continua sendo fundamental, mas o tratamento precisa ser complementado”, explica.
A nutricionista também reforça que os benefícios dos cuidados alimentares se estendem ao bebê, contribuindo para um desenvolvimento mais saudável e favorecendo inclusive o período de amamentação após o nascimento.
O ambulatório atende gestantes de diversos municípios da região, como Dom Pedrito e Candiota, entre outros. Para evitar deslocamentos desnecessários, a equipe procura organizar os atendimentos da nutrição no mesmo dia das consultas médicas sempre que possível.
O serviço faz parte de uma rede multidisciplinar que reúne médicos, psicóloga, assistente social e outros profissionais. A integração entre as áreas permite identificar necessidades específicas e encaminhar as pacientes para acompanhamento complementar quando necessário.
“A prioridade é a saúde da gestante e do bebê. Por isso trabalhamos em conjunto, trocando informações e construindo um atendimento completo pelo SUS”, conclui Andressa.
De acordo com a nutricionista, a adesão das pacientes ao acompanhamento é considerada positiva, com poucos casos de abandono do tratamento. O resultado, segundo ela, é fruto da construção de vínculos e da adaptação das orientações à realidade de cada família, tornando o cuidado mais próximo e eficaz durante toda a gestação.

