Esportes
Quase três anos depois, Ba-Gua 433 volta a escrever novo capítulo da rivalidade
por Yuri Cougo Dias
Quase três anos depois, Bagé voltará a parar para viver aquilo que faz parte da própria identidade da cidade. Nesta quarta-feira, 20, às 20h, o Estádio Estrela D’Alva receberá o clássico Ba-Gua 433, pela 2ª rodada da Copa FGF. Mais do que um jogo de futebol, o confronto entre Guarany e Bagé volta a mobilizar bairros, famílias, gerações e uma rivalidade que atravessa décadas na Rainha da Fronteira.
A espera, por si só, já ajuda a explicar a atmosfera que se criou em torno do clássico. O último encontro ocorreu em 4 de junho de 2023, justamente no Estrela D’Alva, no empate em 2 a 2. Desde então, foram quase três anos sem o vermelho e branco do Guarany e o amarelo e preto do Bagé dividirem o mesmo gramado em um Ba-Gua oficial.
O hiato aumentou a ansiedade dos torcedores e também renovou o significado do clássico. Para muitas crianças e jovens, este poderá ser o primeiro Ba-Gua vivido dentro do estádio. Para outros tantos moradores que passaram a residir em Bagé nos últimos anos, será o primeiro contato com uma das rivalidades mais tradicionais do Rio Grande do Sul.
E poucos clássicos carregam tanto equilíbrio histórico quanto o Ba-Gua. Em 432 partidas disputadas, o Guarany leva vantagem, mas em margem estreita. O retrospecto reforça justamente o tamanho da rivalidade: são gerações inteiras acostumadas a ver uma cidade literalmente dividida entre dois lados.
Nos últimos encontros, porém, o cenário recente favorece o Guarany. O alvirrubro acumula cinco clássicos de invencibilidade. A última vitória jalde-negra ocorreu na Copa FGF de 2017, quando o Bagé venceu por 2 a 0 no Estádio Pedra Moura.
Depois disso, os clubes passaram novamente por períodos sem se enfrentarem. Em 2021, pela Divisão de Acesso, houve empate em 1 a 1 no Pedra Moura e vitória do Guarany por 1 a 0 no Estrela D’Alva. Em 2022, pela Copa FGF, novo triunfo alvirrubro por 1 a 0. Já em 2023, vitória do Guarany no Pedra Moura e empate em 2 a 2 no Estrela D’Alva. Agora, após mais um intervalo, um novo capítulo será escrito. E ele não terminará nesta quarta-feira, 20. Um novo Ba-Gua já está previsto para o dia 10 de junho, pela 5ª rodada da Copa FGF, no Estádio Pedra Moura.
Mas clássico raramente se resume a retrospecto. O contexto atual dos clubes ajuda a alimentar ainda mais a expectativa. O Guarany chega respaldado por um momento institucional sólido. O clube vai para o quarto ano consecutivo na elite do futebol gaúcho e soma duas temporadas seguidas disputando Campeonato Brasileiro Série D e Copa do Brasil, tendo avançado de fase nas duas edições do torneio nacional. Em contraste, o Bagé segue há mais de 30 anos distante da primeira divisão estadual.
Por outro lado, o desempenho recente dentro de campo oferece ingredientes para um confronto mais equilibrado do que a diferença estrutural pode sugerir. O Bagé ainda tem uma amostra pequena na temporada. Fez apenas uma partida oficial em 2026, empatando em 1 a 1 com o Farroupilha, no Pedra Moura. Já o Guarany chega mais rodado, vivendo sua terceira competição no ano. Porém, o rendimento alvirrubro está abaixo da expectativa criada após os últimos anos. A equipe escapou do rebaixamento no Gauchão apenas no quadrangular e praticamente não possui chances de classificação na Série D. O principal ponto positivo da temporada foi a participação na Copa do Brasil.
Esse cenário acaba transferindo pressão para o lado alvirrubro. Jogando em casa e diante de seu torcedor, a vitória passa a ser tratada quase como obrigação e resposta à torcida. Do outro lado, o Bagé entra no clássico com menos cobrança e mais liberdade. Com elenco mais enxuto e menor pressão externa, o jalde-negro surge como franco-atirador — justamente o tipo de contexto que costuma aumentar a imprevisibilidade de um clássico.
Porque o Ba-Gua nunca foi apenas lógica, momento ou tabela. O clássico se alimenta de rivalidade, memória e pertencimento. E depois de quase três anos de espera, o capítulo 433 chega cercado por todos os elementos que transformaram o confronto em patrimônio esportivo e cultural de Bagé.
NÚMEROS DO CLÁSSICO BA-GUA
432 clássicos disputados
161 vitórias do Guarany
147 vitórias do Bagé
124 empates
519 gols marcados pelo Guarany
495 gols marcados pelo Bagé
FICHA TÉCNICA
GUARANY X BAGÉ
Copa FGF – 2ª rodada
20/05/2026 – 20h
Estádio Estrela D’Alva
GUARANY – Jonathan; Raphinha, Albert, João Teixeira e Vítor Oliveira; Emersonn Bastos, Paulinho, Tony Júnior, Silas e Adaílson; Adiel. Técnico: Alessandro Telles.
BAGÉ – Marcos; Lucas Solivan, Yuri Bigode, Diego Rocha, Yuri Bigode e Gustavo Nogy; Gabriel Chaves, Elias Ceará, Yohann, Gustavo Linhares e Nícolas Luft; Michel Henrique. Técnico: Rodrigo Bandeira.
ARBITRAGEM – Elias da Silva Elyseu, auxiliado por Fagner Bueno Cortes e Diego Luís Rosa da Rosa; 4º árbitro: Thiago Reyes Fernandes.

