Cidade
Giana Guterres integra mesa do projeto “Mulher que Escreve” em Porto Alegre
por Márlon Castro Posqui
A escritora bajeense Giana Guterres é uma das convidadas da terceira mesa do projeto Mulher que Escreve, que ocorre no dia 24 de abril. Com o tema “Corpo, poesia e insubmissão”, o encontro propõe refletir sobre a escrita poética como espaço de resistência, expressão e autonomia.
A iniciativa é promovida pelo Instituto E se Fosse Você?, que identificou a necessidade de ampliar espaços para escritoras. Segundo a organização. “Há muita produção literária, mas poucos espaços contínuos de encontro, visibilidade e circulação.” O objetivo é fortalecer a presença feminina na literatura por meio da construção de redes. “O principal objetivo é criar um espaço de circulação, escuta e fortalecimento de escritoras”, destacam os organizadores.
A participação foi definida por curadoria após chamada pública, que recebeu mais de 60 inscrições. A curadoria é feita pela escritora Lu Aranha. O Instituto explica a escolha: “a produção poética de Giana Guterres dialoga com sensibilidade, infância e outras linguagens artísticas, o que a insere de forma muito orgânica na mesa sobre corpo, poesia e insubmissão.”
Giana Guterres é escritora, poeta e produtora cultural, mestre em Comunicação. É autora de Eu, Passarinho; Como eu sobrevivi quando você trouxe o inverno para dentro de mim; O amor é uma paisagem na linha do horizonte; e Poeminhas: poesias para pessoas de todos os tamanhos.
Na mesa, a autora propõe uma reflexão sobre o corpo como parte do processo criativo. “Na escrita, a gente tende a pensar uma coisa estática sentada, mas o corpo inteiro escreve e essa consciência traz bastante autonomia para o processo criativo”, afirma.
Em sua produção recente, a nossa região aparece como elemento central. “Neste momento, tenho trabalhado de forma mais intensa com o bioma pampa, além de me inspirar, vejo uma urgência em cuidarmos da nossa terra com mais carinho, com mais atenção e a poesia pode evidenciar e nos fazer olhar com mais calma o ambiente em que vivemos.”, destaca, ao apontar a literatura como ferramenta de sensibilização sobre o ambiente.
Além disso, segundo Giana, a poesia também atua como forma de resistência: “a poesia nos faz olhar para dentro e isso sempre vai ser resistência em uma sociedade que nos incentiva a ser padronizados.” Sobre o processo de escrita, Giana reforça a ideia de movimento e construção contínua: “Não tenho uma rotina de escrita definida. Gosto de pensar a escrita como um processo em movimento.” Ainda assim, ressalta o cuidado com a finalização dos textos, que passam por revisões até atingir o resultado desejado.
A mesa também conta com as autoras Telma Scherer, Maria Alice Bragança e Débora Porto, com mediação de Ana dos Santos.

