Saúde
Alimentixos e Eletrolixos: livro lança debate sobre o uso excessivo de telas
por Viviane Becker
Na quinta-feira, dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro, acontece o lançamento do livro infantil “Alimentixos encontram eletrolixos para nova Assembleia”. A autora, professora Carla Jardim de Vargas e a médica pediatra Liziane Kalil Salim convidam para o evento que acontece às 18h30 na LEB. Na ocasião haverá uma mesa de debate sobre o uso de telas na infância, com a participação das próprias anfitriãs, da psicóloga Lenise Collares e da pediatra Denise Zandona. Os personagens do livro estarão presentes para contação de histórias e interação com as crianças, tornando o momento ainda mais especial.
Com distribuição gratuita, o livro é um projeto patrocinado pela Unimed, Unicred, IMMED e CTsul. A obra chega com o objetivo principal de abrir um diálogo honesto, dentro de casa sobre o tempo de tela, não apenas das crianças, mas também do exemplo que os adultos dão.
“Esta história foi feita para promover o diálogo em família. Queremos que as crianças lembrem os adultos do combinado, que o jingle ‘Saia também das telas’ vire um mantra dentro de casa”, destaca a professora.
A médica pediatra alerta para os impactos do uso excessivo de telas no desenvolvimento cerebral das crianças. “Vivemos em uma era em que as telinhas fazem parte do cotidiano desde muito cedo. O uso excessivo pode trazer consequências importantes para o desenvolvimento cerebral”, afirma.
Segundo Liziane, o fácil acesso à informação instantânea pode gerar o que ela chama de “amnésia digital”, com perda da capacidade de memória, concentração e aumento da frustração quando as respostas não vêm com rapidez. Vídeos curtos e o “rolar infinito” prejudicam ainda mais o desempenho neuropsicomotor, podendo causar cansaço físico, atraso na linguagem, dificuldades de interação social, instabilidade emocional, insônia, atrasos na aprendizagem e ganho de peso pela redução da atividade motora.
Segundo dados da Sociedade de Pediatria do RS, em 2025, 44% das crianças até 24 meses já usam telas, e de três a cinco anos chegam a 71%. A orientação é clara: zero telas até os dois anos de idade. “Cuidar da infância hoje é proteger o cérebro de amanhã”, resume Dra. Liziane.
Equilíbrio e presença real
As autoras enfatizam a necessidade de buscar equilíbrio no uso das tecnologias. “Precisamos estar presentes onde estamos. A tela não nos permite viver os momentos a pleno”, frisa Carla.
A professora observa que as telas têm ocupado espaços cada vez maiores na rotina das crianças, inclusive nas tarefas escolares. “Tenho dois filhos com diferença de idade e noto claramente: o mais velho era muito mais ativo na mesma fase. Hoje, tudo se resolve na tela”, compara.
Ela relata que, ao supervisionar estagiárias, normalistas em escolas, é comum ouvir crianças perguntando se falta muito para ir para casa, não para brincar, mas para terminar um jogo ou série.
Para contrabalançar esse cenário, o livro incentiva o resgate de hábitos saudáveis: músicas, leituras, contato com a natureza, convívio familiar, lazer e atividades lúdicas e artísticas. “Família e escola precisam caminhar juntas. Pais e professores também são exemplos no uso das telas”, reforça Carla.
Nova parceria
O livro “Alimentixos encontram eletrolixos para nova Assembleia” é o mais recente fruto da parceria entre Carla Vargas e Liziane Salim, que já atuaram juntas, em outubro de 2024, no lançamento do primeiro livro sobre alimentação saudável. A obra teve como base o projeto do teatro “Alimentando Saberes”, desenvolvido por Carla, que leva educação alimentar e saúde de forma lúdica para escolas.
LEGENDA: Liziane e Carla convidam para o lançamento dia 23, na LEB

