Fogo Cruzado
Frente Parlamentar da Mineração debate avanço na produção de fertilizantes
por Redação JM
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul sediou, nesta quarta-feira, 8, uma reunião estratégica da Frente Parlamentar da Mineração, presidida pelo deputado Paparico Bacchi. O encontro reuniu autoridades nacionais, especialistas e representantes do setor com o objetivo de alinhar caminhos para o fortalecimento da mineração e o aproveitamento do potencial mineral gaúcho.
Realizada em caráter reservado, a reunião contou com a presença do diretor-geral da Agência Nacional de Mineração, Mauro Henrique Sousa, além do assessor institucional Tiago dos Santos Souza e dos gerentes regionais José Eduardo da Costa Duarte, José Augusto Simões Neto e Carlos Alberto Dieter.
Também participaram especialistas da Lavras do Sul Mineração (LDSM), como Paulo Serpa e Nilson Dornelles, o diretor de Mineração da SEMA, Otávio Pedeli, e o assessor parlamentar Juliano Lazzare.
O Rio Grande do Sul ocupa atualmente a nona posição no ranking nacional de produção mineral, com a exploração de 22 substâncias em 1.255 minas. No entanto, o potencial do Estado é significativamente superior, impulsionado pela presença de minerais estratégicos como ouro, cobre, titânio, manganês, fosfato, ferro e terras raras, insumos fundamentais para cadeias produtivas e para a transição energética.
Com faturamento de R$ 2,82 bilhões em 2024, o setor vive um momento de oportunidade, mas ainda enfrenta entraves estruturais. Entre os principais desafios está a morosidade nos processos de licenciamento e autorização, que impacta diretamente a implantação de novos empreendimentos. Atualmente, estão em tramitação 95 requerimentos de pesquisa e 51 de lavra desses minerais.
Durante a reunião, foram apresentados avanços concretos, como a planta de ouro em Lavras do Sul, e debatida a produção de ureia a partir do carvão mineral, iniciativa estratégica para reduzir a dependência externa de fertilizantes. A discussão teve como referência a experiência de Figueira, no Paraná, onde já há estrutura para início da produção ainda neste ano, com apoio da Agência Nacional de Mineração.
O tema ganha relevância especial na região carbonífera de Minas do Leão, onde a Mina do Leão II apresenta características técnicas favoráveis para esse tipo de aproveitamento, abrindo novas perspectivas para a economia regional.
Bacchi destacou a necessidade de transformar potencial em resultado concreto, com foco na autonomia produtiva e na competitividade do setor. “É preciso enfrentar a burocracia e dar agilidade aos processos. O Brasil ainda importa mais de 80% dos insumos utilizados pelos nossos produtores. O Rio Grande do Sul tem condições de liderar esse movimento. Estamos diante de uma oportunidade real de iniciar a produção de fertilizantes no Estado, reduzindo custos, fortalecendo a cadeia produtiva e gerando desenvolvimento”, afirma.

