Segurança
PF em Bagé adere à mobilização nacional por criação de fundo de combate ao crime organizado
por Rochele Barbosa
A Delegacia da Polícia Federal em Bagé aderiu à mobilização nacional promovida pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). O movimento ocorre em defesa do encaminhamento ao Congresso Nacional do projeto que cria o Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas.
De acordo com a comunicação da instituição, a mobilização não se trata de greve, mas de um movimento nacional que prevê a suspensão de algumas atividades administrativas e operacionais da Polícia Federal. Entre as medidas adotadas está a suspensão de novos agendamentos para emissão de passaportes, além da interrupção de processos relacionados à autorização para aquisição de armas de fogo e registros de caçadores, atiradores e colecionadores (CACs).
Também foram suspensas determinadas atividades investigativas, como despachos em sistemas internos e a deflagração de novas operações policiais. Segundo a entidade, as investigações ficam interrompidas temporariamente, com exceção de casos considerados urgentes, como prisões em flagrante, situações de risco iminente à vida, proteção de menores e idosos e combate ao tráfico de pessoas.
A mobilização ocorre diante da ausência de envio ao Congresso Nacional do projeto de criação do FUNCOC, apesar de compromisso anteriormente assumido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. O fundo é defendido pela categoria como uma forma de garantir financiamento permanente para ações de enfrentamento ao crime organizado.
Além dessa questão, a ADPF também aponta problemas estruturais na Polícia Federal, como dificuldades de retenção de profissionais, crise de atratividade das carreiras e falta de fontes diretas de financiamento para sustentar as atuais e novas atribuições da instituição.
As medidas de mobilização foram aprovadas durante Assembleia Geral Extraordinária realizada em 23 de fevereiro de 2026, que permanece em caráter permanente enquanto durar o movimento. Segundo a entidade, os serviços essenciais seguem mantidos para garantir o atendimento de situações urgentes e a continuidade das ações prioritárias de segurança pública.
{AD-READ-3}Diego Gallo, diretor da Associação Nacional dos Delegados da PF no RS, destaca que foi definida a suspensão das atividades por 82 horas, com atendimento restrito a flagrantes e situações de violência ou grave ameaça. A data de início será definida em nova AGE nessa terça-feira, 24, conforme o andamento das negociações sobre o FUNCOC. "Hoje foi aprovada, em assembleia com mais de 1000 delegados da PF votantes, o endurecimento da paralisação, com fechamento total das atividades por 82 horas", explica.

