Segurança
Primeira mulher a comandar o 46° BPM, coronel Karla destaca avanços femininos na Brigada Militar
por Rochele Barbosa
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 8 de março, a trajetória da tenente-coronel Karla Incerti ganha destaque na segurança pública da região da Campanha. Ela é a primeira mulher a assumir o comando do 46º Batalhão de Polícia Militar, com sede em Bagé, uma conquista considerada simbólica e histórica dentro de uma instituição tradicionalmente marcada pela presença masculina.
Com 22 anos de serviços prestados à Brigada Militar do Rio Grande do Sul, a comandante ressalta que assumir uma unidade operacional é parte natural da carreira dos oficiais, resultado de anos de dedicação, trabalho e comprometimento. Para ela, o fato de ser a primeira mulher a ocupar o cargo representa mais do que um marco pessoal.
Segundo a coronel Karla, a presença feminina em postos de comando demonstra a evolução da instituição e abre novos caminhos para outras policiais. “Se puder deixar um legado positivo para a tropa e para a comunidade, já será motivo de grande satisfação. Para as mulheres da corporação, isso representa a abertura de novas portas e o reconhecimento de um trabalho que há muito tempo vem sendo desenvolvido com empenho por tantas policiais no Estado”, destaca.
Embora a Brigada Militar seja historicamente composta majoritariamente por homens, a comandante afirma que ao longo de sua carreira encontrou oportunidades importantes de qualificação e crescimento profissional. Entre elas, destaca a participação no curso de Gestor de Policiamento Comunitário realizado no Japão, em 2017, experiência que agregou conhecimento à sua atuação na segurança pública.
Atualmente, a presença feminina na corporação também vem crescendo. Hoje são mais de três mil policiais mulheres atuando em diferentes áreas da Brigada Militar, inclusive em funções operacionais. Para Karla Incerti, essa evolução representa uma conquista construída ao longo dos anos e que merece ser celebrada neste Dia Internacional da Mulher.
No comando do 46º BPM, um dos principais desafios está na gestão de recursos e na constante adaptação às mudanças na criminalidade. Conforme a comandante, o trabalho tem sido focado na qualificação das equipes, na captação de verbas e no uso de tecnologias e estratégias de inteligência para fortalecer o combate ao crime.
Os resultados, segundo ela, já são perceptíveis. Um levantamento nacional divulgado no ano passado apontou Bagé como o município mais seguro do Rio Grande do Sul e o quinto do país, resultado que reflete o esforço conjunto das forças de segurança e da comunidade.
Entre as ações desenvolvidas pelo batalhão estão operações de combate ao tráfico de drogas, enfrentamento à violência contra a mulher e ampliação das estratégias de policiamento planejado. Um dos projetos previstos para este ano é a criação da Sala Lilás, espaço voltado ao acolhimento de mulheres vítimas de violência, fortalecendo a rede de proteção na região.
De acordo com a comandante, Bagé e municípios atendidos pelo batalhão também têm apresentado números expressivos de prisões e apreensões de armas e drogas. Outro dado que chama atenção é o registro de zero casos de feminicídio ao longo de todo o ano de 2025, índice que se mantém até o momento.
Para Karla Incerti, estar à frente do 46º BPM tem sido uma experiência marcante na carreira. Ela atribui os resultados ao trabalho coletivo desenvolvido pelos policiais da região, que define como profissionais comprometidos com a missão de garantir segurança à população.
Ao falar diretamente às mulheres que sonham em ingressar na carreira militar, a comandante reconhece que a profissão exige dedicação e, muitas vezes, sacrifícios pessoais. No entanto, afirma que a recompensa é grande. “É uma profissão vocacionada, que nos permite defender valores em que acreditamos e ajudar as pessoas. Esse sentimento de dever cumprido é indescritível”, afirma.
Como meta para o futuro, Karla Incerti pretende continuar contribuindo para o fortalecimento da Brigada Militar e para a segurança da comunidade gaúcha. Ela afirma desejar deixar um legado de parceria, de atenção aos servidores e de melhorias nas condições de trabalho da tropa.
“Espero que os cidadãos de Bagé e região saibam que esta mulher, que passou pelo comando do batalhão, entregou o seu melhor para que a comunidade pudesse viver com mais tranquilidade e segurança”, conclui.

