Saúde
Neuropsicóloga de Bagé participa de formação internacional sobre intervenção precoce no autismo
por Viviane Becker
De 28 de fevereiro a 1º de março, a neuropsicóloga bajeense Márcia Lorena Rodrigues de Quadros participou de uma formação internacional sobre Motivação para Aprendizagem no ESDM, na cidade de Belo Horizonte (MG). O curso, ministrado por Gisela Regli, treinadora internacional do Modelo Denver de Intervenção Precoce (ESDM), destacou a importância da motivação no processo de aprendizagem de crianças com autismo.
A abordagem, reconhecida mundialmente para intervenção em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), é a base do trabalho de Gisela, profissional que veio do Canadá para realizar uma temporada de capacitações no Brasil. O curso faz parte de uma série de treinamentos que acontecerão em cinco capitais brasileiras, reunindo profissionais que atuam com intervenção precoce no autismo.
A bajeense Márcia Lorena, sempre em busca de conhecimento, vem aprimorando o trabalho que realiza com crianças com TEA. Em entrevista ao Jornal Minuano, ela explicou que o principal foco desta formação em Belo Horizonte foi compreender e aprofundar o papel da motivação como elemento central no processo de aprendizagem das crianças com autismo.
“O grande princípio trabalhado durante o curso é que a criança aprende melhor quando está motivada. Ou seja, quando aprende porque quer aprender, e não apenas porque precisa aprender. Pessoas motivadas aprendem de forma mais rápida, eficiente e duradoura”, explica.
Motivação como base do aprendizado
Márcia salienta que o Modelo Denver de Intervenção Precoce (ESDM) utiliza estratégias baseadas em evidências científicas para promover o desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas e cognitivas em crianças com autismo, especialmente na primeira infância.
Durante a formação, os profissionais tiveram a oportunidade de revisar e treinar estratégias práticas do modelo, com ênfase no respeito às necessidades individuais de cada criança. “Um dos pontos centrais da formação foi reforçar que o respeito ao paciente deve estar no centro da intervenção. Isso significa respeitar suas necessidades, suas individualidades e reconhecer que a criança possui escolhas e preferências”, destaca a neuropsicóloga.
Criança como protagonista da terapia
Outro aspecto importante discutido durante o curso foi a necessidade de enxergar a criança com autismo como um sujeito ativo no processo terapêutico. De acordo com a especialista, crianças com autismo precisam ser vistas como pessoas que possuem o direito de participar ativamente das decisões dentro da própria terapia. “Precisamos treinar nosso olhar como terapeutas. É fundamental desenvolver uma escuta ativa para compreender qual é o foco de atenção do nosso paciente, o que desperta interesse e o que o faz feliz. Quando conseguimos acessar essa motivação, aumentamos muito as oportunidades de aprendizagem”, afirma.
Aprendizagem construída na relação
A formação também reforçou a importância da relação entre terapeuta e criança como base para o desenvolvimento. No ESDM, o aprendizado acontece dentro de interações significativas e prazerosas, nas quais a motivação e o vínculo tornam-se ferramentas fundamentais para o desenvolvimento das habilidades. “Essa é uma via de mão dupla. Enquanto ensinamos, também aprendemos na relação que construímos com a criança”, conclui Márcia Lorena.
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Legenda:
Gisela Regli, treinadora internacional do ESDM, e a neuropsicóloga bajeense Márcia Lorena Rodrigues em MG.

