Saúde
Jornada de Psicanálise em Moçambique reúne Brasil e África com participação da Urcamp
por Viviane Becker
A coordenadora do Curso de Psicologia da Urcamp, psicóloga e psicanalista Sílvia Vargas Ollé, representou a instituição e o Instituto Plural, na 1ª Jornada Científica de Psicanálise, realizada em Maputo, capital de Moçambique. O evento reforçou o diálogo entre Brasil e África na promoção da saúde mental.
Realizada nos dias 12 e 13 de fevereiro de 2026, no Complexo Pedagógico da Universidade Eduardo Mondlane, a jornada teve como lema “Quem cuida da saúde mental, cuida da vida”. Além de debater a psicanálise como ferramenta de cuidado psíquico, o evento celebrou o terceiro aniversário da Comunidade Psicanalítica de Moçambique (COPSIMO).
Organizada em parceria entre a COPSIMO, no qual Silvia faz parte, e o Projeto Constituição do Campo Psicanalítico de Moçambique (PCCPM), a programação reuniu cerca de 300 participantes entre psicanalistas seniores, docentes, pesquisadores, estudantes e profissionais da saúde mental. O evento ocorreu em formato presencial e online. O público incluiu participantes das mesas de instituições brasileiras como USP, Unicamp, Universidade Federal do Sul da Bahia, Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo, Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro e o Centro Universitário Urcamp, além de representantes moçambicanos.
O evento contou com o apoio de voluntários, docentes e instituições do Brasil e da África, que colaboram historicamente para fortalecer a psicanálise no continente. “Este é um momento de democratização da psicanálise como ferramenta poderosa de saúde psíquica”, destacou Sílvia Vargas Ollé, enfatizando a importância de ampliar o acesso ao cuidado mental em contextos diversos.
A jornada colocou em diálogo diferentes tradições psicanalíticas, articulando clínica, cultura e história. Um dos destaques foi o debate sobre a questão “o inconsciente tem cor?”, que deslocou a escuta do universal abstrato para as marcas simbólicas e históricas na constituição do sujeito. A experiência moçambicana serviu como ilustração teórica, e como interlocutora ativa, capaz de questionar os próprios fundamentos da psicanálise.
A psicanalista Monica Fiorillo, de São Paulo, destacou o modo de transmissão do conhecimento no evento: “Se algo merece ser ressaltado, é esse laço que se constrói sem imposição. A presença de Sílvia Vargas lembrou que a formação analítica se reconhece menos pelo acúmulo de saber e mais pela forma como alguém autoriza outros a pensar, valorizando o afeto na posição do analista, tanto no cuidado clínico quanto no ensino.”
A participação voluntária da Coordenadora do curso de psicologia da Urcamp, reafirma o compromisso da instituição de ensino com a internacionalização acadêmica e o fortalecimento da psicanálise como instrumento de saúde e transformação social.
Legenda: Sílvia Vargas levou a URCAMP a Moçambique em evento pioneiro de psicanálise

