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Obituário

Bagé se despede de Leci Lorena Rizzi, mestra que eternizou o violino

Em 13/01/2026 às 21:44h
Rochele Barbosa

por Rochele Barbosa

Bagé se despede de Leci Lorena Rizzi, mestra que eternizou o violino | Obituário | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Leci Rizzi integrou diversas orquestras de Bagé / Foto: Reprodução

Bagé se despede de uma de suas maiores referências na música e na educação. Faleceu a professora e musicista Leci Lorena Barbieri Rizzi, uma das mais importantes formadoras musicais da história do município, cuja trajetória deixou marcas profundas no Instituto Municipal de Belas Artes (IMBA) e na vida de gerações de alunos.

Nascida em Bagé, em 19 de março de 1944, data dedicada a São José, santo pelo qual nutria profunda devoção, Leci manteve, ao longo de toda a vida, um forte vínculo com a cidade e com a fé que a acompanhava em sua missão de ensinar e acolher.

Ainda na infância, iniciou seus estudos musicais no então Conservatório de Música de Bagé, hoje IMBA – Prof.ª Rita Jobim Vasconcelos. Em 1963, concluiu o curso de Teoria Musical e Solfejo e, a partir daí, passou a atuar como docente ao lado de seus próprios mestres, entre eles a pianista professora Gioconda Neves Rodrigues Figueiró. Mesmo após a formatura, seguiu aprofundando seus estudos, dedicando-se com rigor técnico ao violino, instrumento no qual concluiu formação em 1982. Também se formou em flauta doce, embora sua atuação profissional tenha se concentrado principalmente no ensino de Teoria Musical, Solfejo e violino.

Ao longo de décadas, Leci Rizzi integrou diversas orquestras de Bagé, entre as décadas de 1950 e 2000, exercendo, em várias ocasiões, a função de spalla. No IMBA, dedicou mais de 40 anos à docência, sendo, por um longo período, a única professora de violino da instituição. Seu trabalho garantiu a continuidade do ensino do instrumento na cidade e formou músicos que hoje atuam no Brasil e no exterior.

A dimensão humana de sua atuação foi destacada pelo reitor da Urcamp, professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança, que prestou uma homenagem emocionada durante a despedida da professora. “Eu fiz agora uma homenagem pra ela. Toquei violino na despedida dela. Toquei uma música que a mãe dela tocou quando era solteira. Depois, ela tocou na formatura dela. Eu toquei na minha formatura. E hoje eu toquei na despedida dela”, relatou.

Para o reitor, Leci era muito mais do que uma professora. “Professora Leci era sinônimo de afeto, de acolhimento, de carinho e, sobretudo, sinônimo de fé. Tanto fé em São José quanto fé nas pessoas. Ela acreditava nos seus alunos”, afirmou. Segundo ele, era comum que alunos desacreditados por outros docentes encontrassem nela incentivo e confiança. “Ela dizia: ‘Pois então tu vens para cá, tá o dia, tá o horário e eu vou te ensinar e tu vais aprender’.”

Guilherme destacou ainda a dedicação que ultrapassava o horário formal de trabalho. “Ela se dedicava horas além da sua carga horária no Instituto de Belas Artes para ensinar, especialmente aqueles que outros não confiavam. Nunca foi vaidosa, nunca quis exclusividade. Pelo contrário, dizia: ‘Voa, voa alto, vai longe’.” Sem ter filhos, tornou-se mãe de muitos. “Foi mãe da família, dos sobrinhos, dos alunos, de quem buscava uma palavra amiga. Ela transcendeu o que a gente podia entender de mundo. Era um anjo que Deus colocou na Terra para cuidar da gente”, completou.

Outro depoimento que traduz a importância de Leci para o IMBA e para a música local é do maestro, músico e professor do IMBA, Lucas Barres. “A professora Leci marcou profundamente a história do instituto. Contribuiu de forma generosa para a formação de inúmeros músicos, sempre com dedicação, paciência e carinho. Seu compromisso com o ensino e seu amor pela música deixaram um legado que permanece vivo em cada aluno”, afirmou.

Visivelmente emocionado, Lucas relembrou a convivência e a influência direta da professora em sua trajetória. “A gente sentiu muito essa perda, porque era uma professora muito querida. Muitos músicos que dão aula hoje no IMBA foram alunos dela. Eu, por exemplo, fui aluno dela. Durante esses 40 anos, ministrou aulas de teoria musical, violino, flauta doce. Quando comecei no IMBA, ela já era um dos ícones da instituição, junto com outros professores históricos. Foi uma perda muito sentida por todos nós.”

O diretor do Instituto Municipal de Belas Artes, Guilherme Monteiro, também destacou a relevância da professora e informou que a instituição estuda formas de homenageá-la. Segundo ele, o IMBA já publicou uma nota de pesar e avalia a possibilidade de uma homenagem musical e também física no espaço do instituto. “Ela era uma professora muito antiga, formou várias pessoas, foi mestra, inclusive, do nosso professor de violino. Foi uma perda grande para os musicistas da cidade”, afirmou. Monteiro explicou que, com a instituição em período de férias, as decisões serão alinhadas após o retorno das atividades, mas reforçou que “é muito possível que a gente faça alguma coisa” para eternizar a memória de Leci no IMBA.

O velório de Leci Lorena Barbieri Rizzi ocorreu na Capela Nossa Senhora das Graças, no cemitério local, e o sepultamento foi na manhã desta segunda-feira, dia 12, às 11h.

Leci Rizzi parte deixando um legado que ultrapassa partituras e salas de aula. Sua história permanece viva na música que ecoa em Bagé, nas mãos de cada violinista que formou e na memória afetiva de todos que encontraram nela não apenas uma professora, mas um exemplo de humanidade, fé e amor à arte.

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