MENU

Identifique-se!

Se já é assinante informe seus dados de acesso abaixo para usufruir de seu plano de assinatura. Utilize o link "Lembrar Senha" caso tenha esquecido sua senha de acesso. Lembrar sua senha
Área do Assinante | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler

Ainda não assina o
Minuano On-line?

Diversos planos que se encaixam nas suas necessidades e possibilidades.
Clique abaixo, conheça nossos planos e aproveite as vantagens de ler o Minuano em qualquer lugar que você esteja, na cidade, no campo, na praia ou no exterior.
CONHEÇA OS PLANOS

Urcamp

Urcamp realiza 1ª Semana da Consciência Negra com debates sobre memória, resistência e educação antirracista

Em 19/11/2025 às 12:06h
Yuri Cougo Dias

por Yuri Cougo Dias

Urcamp realiza 1ª Semana da Consciência Negra com debates sobre memória, resistência e educação antirracista | Urcamp | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Palestrantes dialogaram sobre educação antirracista dentro e fora da universidade - Foto: Clarisse Ismério/Especial JM

A Urcamp abriu, na noite de segunda-feira, 17, a 1ª Semana da Consciência Negra, que segue até esta quarta-feira, 19, no Salão de Atos do Campus Central. Promovido pelos cursos de História e Pedagogia, com apoio do Grupo de Pesquisa e Extensão em Patrimônio Cultural, Identidade e Relações Étnico-Raciais e do Grupo de Trabalho em Ações Afirmativas, Defesa e Promoção dos Direitos Humanos e Igualdade Étnico-Racial, o evento tem como tema “Memórias, lutas e ressignificações”. A programação busca ampliar o debate sobre a história e resistência do povo negro, combater o racismo e fortalecer práticas de educação antirracista dentro e fora da universidade, em um momento em que o país discute desigualdades históricas e a urgência de políticas afirmativas.

A abertura foi conduzida pela coordenadora dos cursos de História e Pedagogia, professora doutora Clarisse Ismério, que destacou a trajetória da universidade no enfrentamento ao racismo e na produção de conhecimento sobre relações étnico-raciais. Ela lembrou que o evento retoma ações iniciadas em 2018, com o primeiro Fórum de Cultura Afro-Brasileira. “Esta Semana é um momento de maturidade de tudo que a gente vem desenvolvendo. E, a partir de agora, vai ficar no calendário da Urcamp, com a participação de todos os cursos”, afirmou.

A assessora da Pró-Reitoria de Inovação, Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão, professora doutora Rosete Gottinari Kohn, reforçou o compromisso social da instituição. Para ela, a Semana da Consciência Negra representa a prática concreta da missão comunitária. “Nós não podemos nos furtar das questões sociais pertinentes ao desenvolvimento de uma sociedade justa. Não é teoria: precisa estar presente na prática, no diálogo e na vivência dos nossos acadêmicos”, disse.

Educação, racismo estrutural e protagonismos no pós-abolição

O primeiro convidado foi o professor doutor Rafael Sais, que apresentou o tema “Racismo estrutural na educação: diferentes desafios nos dias atuais”. Formado em Administração pela Urcamp e doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Sais destacou a escola como espaço estratégico no enfrentamento ao racismo, embora ainda marcado por profundas desigualdades. Em sua fala, explicou o conceito de racismo estrutural com base em obras e interpretações consolidadas, abordando suas manifestações na linguagem, nas práticas cotidianas e nas estruturas escolares. Para o docente, compreender o tema é essencial para transformar realidades. “As pessoas precisam entender o que é racismo, como ele se manifesta e por que não vemos negros em espaços de decisão. Esta Semana da Consciência Negra nos convida a refletir sobre nosso papel enquanto sujeitos e futuros profissionais para construir uma sociedade diversa e mais igualitária”, afirmou.

Na sequência, o professor Tiago Rosa da Silva, mestre em História pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), apresentou a palestra “Pensando uma outra história de Bagé: protagonismos negros no pós-abolição”. Docente dos cursos de História, Pedagogia e Serviço Social da Urcamp e da Escola Carlos Kluwe, o pesquisador desenvolve estudos sobre associativismo negro, imprensa negra e clubes sociais no período posterior à abolição. Durante a exposição, Tiago explicou que Bagé contou, ao longo dos séculos XIX e XX, com uma população negra numericamente significativa, formada por trabalhadores, lideranças comunitárias e integrantes de organizações coletivas que atuaram em diferentes frentes, da cultura à política local. Ele ressaltou que esses grupos construíram redes próprias de sociabilidade e participação pública, influenciando debates e movimentos sociais do período. Segundo o professor, a promoção de eventos voltados à reflexão sobre a história negra contribui para ampliar o acesso a informações e estimular a análise crítica sobre a formação social do município. “Eventos como esse abrem espaço para um debate democrático sobre esses temas, principalmente considerando que a cidade teve uma escravidão significativa e intensas lutas políticas travadas por homens e mulheres negras”, afirmou.

Vivências, resistência e trajetórias de superação

A segunda noite da Semana, realizada na terça-feira, 19, trouxe a palestra “Lutas, vivências e histórias ressignificadas”, com Idê Scoto — formada em Fisioterapia pela Urcamp, artesã e sócia do Ateliê Pretas Pretinhas. Em uma fala marcada pela dimensão pessoal e política, ela compartilhou sua trajetória como mulher negra, mãe e militante.

Idê relatou sua experiência após o nascimento do filho Eduardo, diagnosticado com artrogripose múltipla congênita, e a luta contínua por tratamento adequado, incluindo idas ao Hospital Sarah Kubitschek, fisioterapia, equoterapia e outros atendimentos especializados. Também abordou episódios de preconceito, as dificuldades enfrentadas no ambiente escolar e a importância do acolhimento recebido na Escola Silveira Martins, onde batalhou por acessibilidade e pela conclusão do ensino médio do filho.

A palestrante destacou ainda sua decisão de ingressar na faculdade aos 42 anos e sua atuação política, incluindo a candidatura a vereadora em 2020 e, posteriormente, a fundação do Coletivo de Mulheres Negras Dandara’s, hoje com 23 integrantes. “É preciso mostrar aos jovens que, diante de uma sociedade injusta, devemos conhecer nossos direitos e lutar para que sejam respeitados”, afirmou. Ela enfatizou os desafios de ocupar espaços de destaque enquanto mulher negra e a centralidade do combate ao racismo, machismo, homofobia e violência doméstica.

Religiosidade e legado afro no Rio Grande do Sul

A 1ª Semana da Consciência Negra da Urcamp encerra nesta quarta-feira, 19, às 19h, novamente no Salão de Atos, com a palestra da jornalista e fotógrafa Ana Paula Ribeiro, egressa da Urcamp. Com o tema “Religiões de Matriz Africana e a construção do legado afrorreligioso no RS”, ela apresentará reflexões sobre a importância histórica e cultural das tradições afro, além de exibir o documentário “ORI – A cabeça é meu guia”.

Com três noites de intensa programação, o evento consolida uma agenda permanente de reflexão, formação e compromisso da universidade com a luta antirracista e com a valorização da cultura e da memória do povo negro.

Galeria de Imagens
Leia também em Urcamp
PLANTÃO 24 HORAS

(53) 9167-1673

jornal@minuano.urcamp.edu.br
SETOR COMERCIAL

(53) 3242.7693

jornal@minuano.urcamp.edu.br
CENTRAL DO ASSINANTE

(53) 3241.6377

jornal@minuano.urcamp.edu.br