Grêmio: entre o passado glorioso e o presente vergonhoso
A eliminação para o Bolívar, na Arena, não representou apenas o adeus à Copa Sul-Americana. Confirmou que o Grêmio vive uma crise técnica, tática e, principalmente, de identidade. Um clube acostumado a disputar títulos transformou uma competição plenamente ao seu alcance em mais um capítulo de uma temporada marcada por frustrações.
Os maus resultados deixaram de ser acidentes de percurso. Viraram rotina. O técnico português, apresentado como símbolo de modernidade e renovação, entregou, até agora, muito discurso e pouco futebol. O time segue desorganizado, frágil na defesa, inofensivo no ataque e sem capacidade de reação. Falta intensidade, personalidade e o espírito competitivo que sempre distinguiu o Grêmio.
A resposta da torcida foi contundente. Ao apito final, a Arena não ecoou o nome do treinador, mas o de Renato Portaluppi. Mais do que uma homenagem ao maior ídolo da história recente do clube, foi um recado claro da arquibancada: a saudade de um passado vencedor cresce na mesma proporção em que diminui a confiança no projeto atual.
Eliminado da Sul-Americana, resta ao Grêmio a Copa do Brasil, última oportunidade de salvar a temporada e buscar uma vaga direta na Libertadores de 2027. Não há mais espaço para desculpas.
A sequência é decisiva. No domingo, 2 de agosto, às 18h, o Tricolor enfrenta o Mirassol, no Maião, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Na quarta-feira, 5 de agosto, às 19h30, recebe o Mirassol, na Arena, pela partida de volta. Depois, no sábado, 8 de agosto, às 16h, encara o São Paulo, também na Arena, pelo Campeonato Brasileiro.
Serão três jogos capazes de definir o rumo da temporada e, talvez, do próprio comando técnico. Se o Grêmio continuar colecionando atuações burocráticas e resultados decepcionantes, a discussão deixará de ser sobre títulos ou classificação. Passará a ser sobre até quando a direção conseguirá sustentar um trabalho que, até aqui, não convenceu a torcida, não encontrou um time e está muito aquém da história e da grandeza do clube.
Inter: um gigante refém da própria mediocridade
O Internacional inicia agosto vivendo uma realidade incompatível com sua história. A campanha no Campeonato Brasileiro é decepcionante, a pontuação é de equipe que flerta com a zona de rebaixamento e o futebol apresentado está muito abaixo da expectativa criada para a temporada.
Os números confirmam a crise. Derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro, no Beira-Rio, novo revés diante do Athletico-PR e empate com o Flamengo. Em três partidas, apenas um ponto conquistado. O Inter deixou de mirar a parte de cima da tabela para conviver com um adversário indigesto: o fantasma do rebaixamento.
A Copa do Brasil virou o refúgio de um time pressionado. Neste domingo, 2 de agosto, às 19h30, o Colorado recebe o Corinthians, no Beira-Rio, pelo jogo de ida das oitavas de final. Mais do que buscar uma vaga, o Inter tenta resgatar a própria credibilidade. Uma vitória ameniza a pressão; um tropeço fará a temperatura subir ainda mais.
Na quinta-feira, 6 de agosto, às 20h, o desafio se repete na Neo Química Arena, em São Paulo, pelo jogo de volta. Será mais uma prova de personalidade para uma equipe que, até agora, tem acumulado discursos otimistas e pouco futebol.
Depois, o foco retorna ao Brasileirão. No domingo, 9 de agosto, às 16h, o adversário será o Palmeiras, no Nubank Parque (Allianz Parque). Contra um dos favoritos ao título, o Inter terá a chance de provar que ainda pode reagir ou confirmar que sua verdadeira disputa, hoje, está longe da parte de cima da tabela.
Os próximos três jogos podem definir o rumo da temporada. Mas a hora de prometer já passou. O torcedor quer futebol, resultados e atitude. A camisa do Internacional exige protagonismo, não conformismo. A tabela não respeita tradição nem investimento: ela apenas devolve aquilo que cada equipe produz em campo. E, até aqui, o Colorado produziu muito menos do que sua torcida tem o direito de exigir.
Fraterno abraço e votos de abençoado final de semana ∴

