O rugido do leão e outras sonoridades
Em 21 de abril de 1956, nas dependências do Jóquei Clube, era fundado o Lions Clube de Bagé, ensejado por um fato eventual: a pane de um avião que fazia a rota Porto Alegre-Buenos Aires. Ali, um sócio da entidade sediada em Curitiba, chamado Fajardo, sugeriu a Cláudio Amaral, aqui residente, a criação de algo semelhante, o que foi concretizado, constituindo-se, então, o 2º Lions no Rio Grande do Sul e o 4º no Brasil. O Correio do Sul noticiava que “ sob os melhores auspícios, congregando figuras mais exponenciais dos diversos setores da atividade “, tais anseios não eram mero elogio de fundação, mas o presságio da trajetória brilhante de um Clube de Serviço, que se unia à comunidade, “com carinho, amor e presteza”, demonstrando o acerto da do augúrio. Foram proclamados, na cerimônia, como fundadores Abílio Garcia, Álvaro Garicocheia Matta, Carlos Ferlich, Cláudio Amaral, Clóvis Bevilácqua Sobrinho (parente, pois, do grande jurista), Darcy Luiz Quintana, Darcy Rodrigues Bello, Ernani Romero, Eurico Salis, José Ferreira Cardozo, Mário Douglas Cabral, Oswaldo da Costa Moraes, Paulo Barbosa, Sady M.T. de Lima e Terêncio José. de Lima Pereira, que constaram da Carta Constitutiva recebida em 29 de outubro, assinada por John L. Stickley, presidente Internacional e que faz parte dos anais do Lions Bagé Centro. A primeira diretoria foi formada por Clóvis Bevilácqua; Mário Douglas Cabral, 1º vice; 2º Vice Eurico Salis; 3º Vice Oswaldo da Costa Moraes; Secretário: Terêncio de Lima Pereira; Tesoureiro José Cardozo; Diretor Animador: Carlos Napoleão Ferlich; Vogais: Darcy Quintana, Abílio Garcia, Darcy Bello e Ernani Romero. Anos depois era criado o Lions Bagé Dom Diogo.
E presentemente há outros e diversos frutos, alinhados sempre com os propósitos iniciais. Com Miguel Goularte, Carlos Azambuja e o articulista apadrinhou-se o Lions de Lavras do Sul. Em 1981 o Lions Centro festejou os seus 25 anos do Leonismo em Bagé, quando era presidente o amigo Jorge Chagas, havendo-se publicado edição especial do “Leão do Candal”, a revista do clube. Nesta última época (!971) o Lions Centro era também padrinho do Leo Clube, organizado por Domingos Netto Gomes. Os jantares eram no Restaurante Arlindo. Naquela data festiva, a diretoria recebeu honrosa mensagem do presidente Internacional William Chandler, onde louvava as realizações do Lions, especialmente a campanha “Dê Esperança a Uma Vida”, tema escolhido para celebrar dito aniversário, afirmando que tal iniciativa retratava um dos objetivos da entidade, o de dar esperança aos necessitados do mundo inteiro; ajuda-los de maneira significativa, eliminado o sentimento de desespero. Até 1981, a publicação anota os presidentes de cada ano: Clóvis Bevilácqua Sobrinho (56-57), Oswaldo da Costa Moraes, Germano von Walwitz, José Wilson Barcellos, Walter Kresinger, Miguel Graco Goulart, Luiz H. Salles, Mário Aguiar de Moura, Vítor Edegar Pitzer, Carlos Dini, JCTG, Luiz Fermino Bender, Luiz Kalil, Miguel Kalil, Domingos Netto Gomes, Moyses Chaplin da Silva, José Pinto Dalé, Manoel Piragibe Teixeira, José Nunes Pereira, Oswaldo Borba Soares, Joaquim Barbosa, Fernando Sérgio Lobato Dias, Rudy Brendler, Adais Fagundes Teixeira e Jorge Chagas (!980-81)..
Finalmente, a revista referida contém substanciosos artigos de Jorge Chagas, Wilda Maria de León Chagas, Adair Fagundes Teixeira (vice-Governador Região C), Manoel Piragibe Teixeira, Francisco Norival Fraga do Couto (presidente de Divisão), Sandra Nicoletti Kalil e Joaquim Francisco Barbosa. A grande obra, ali, era a construção da Escola Padre Germano. E também a realização do Primeiro Festival do Imigrante, no Ginásio Presidente Médici (1974). No próximo ano o Lions Bagé Centro completa 70 anos de presença e ação benfazeja para a comunidade bajeense.
A realização da Copa do Mundo, além do fracasso brasileiro, trouxe algumas novidades linguísticas. Assim, o mais conhecido criminoso chamado Marcola registra atleta de sobrenome com sonoridade parecida: Barcolá; e o sobrenome do festejado locutor Saliba, como o dos demais membros desta família tradicional e amiga, é pronunciado como Salibá. Ambos os atletas pertencem à seleção francesa.
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“Luiz nunca tinha entrado numa xarqueada. Sabia apenas que era um lugar onde os passageiros dos trens baixavam apressadamente as janelas por causa do fétido insuportável. Parecia que havia no ar, dissolvidas em amoníaco todas as catingas que existem, tão penetrantes e nauseabundas emanações exalavam”. Pedro Wayne, “Xarqueada”, Livraria Guanabara, Rio, 1937.Assim inicia o livro seminal e tem uma dedicatória. “Para a inteligência amiga de Bernardino Giorgis. Com a gratidão e admiração do Pedro Wayne”. O original junta um cartão: “O autor pede para lhe ser envida qualquer referência feita a esse livro pela imprensa. Endereço: Pedro R. Wayne, Bagé, Rio Grande do Sul.”. O autor, de próprio punho, em algumas páginas faz algumas correções e acréscimos.

