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Bruna Robaina Pina Dias

  • Advogada, Bióloga e Especialista em Direito Médico e Saúde

Violência obstétrica: sinais de alerta para você saber se foi vítima

A jornada da maternidade, que deveria ser um momento de acolhimento e respeito, infelizmente, pode ser marcada por experiências traumáticas

Em 17/07/2026 às 16:18h, por Bruna Robaina Pina Dias

A jornada da maternidade, que deveria ser um momento de acolhimento e respeito, infelizmente pode ser marcada por experiências traumáticas. A violência obstétrica, tema cada vez mais discutido, ainda é pouco compreendida por muitas mulheres que, sem saber, a vivenciam. Mas como identificar se você foi vítima?

O ponto de partida é a sensação de que seus direitos, sua dignidade ou sua autonomia foram desrespeitados durante a gravidez, o parto ou o pós-parto imediato.

Não se trata apenas de agressão física, mas de um conjunto de atos e omissões que desumanizam a mulher. Um dos primeiros pontos para reflexão é se o seu consentimento foi respeitado. Você foi informada sobre os procedimentos propostos? Teve a oportunidade de dizer "sim" ou "não" de forma livre e consciente? A negação de informações claras e o desrespeito à sua vontade são importantes indicadores de violência obstétrica.

Outro questionamento importante é sobre a forma como você foi tratada. Houve gritos, humilhações, piadas ou comentários sarcásticos? Você se sentiu desvalorizada, infantilizada ou tratada com indiferença pela equipe de saúde? A falta de empatia e o tratamento desrespeitoso também configuram formas de violência.

E no seu parto, você exerceu o direito de ter um acompanhante? A Lei do Acompanhante garante sua presença durante todo o processo. Esse direito foi respeitado ou a presença do acompanhante foi dificultada ou até mesmo impedida?

Além disso, existem práticas específicas que podem caracterizar violência obstétrica. Entre elas estão as intervenções realizadas sem consentimento, como a episiotomia — corte realizado no períneo — ou a Manobra de Kristeller, que consiste na pressão sobre o abdômen para "expulsar" o bebê. Quando esses procedimentos são realizados sem o consentimento expresso da gestante e sem necessidade clínica evidente, podem ser considerados intervenções abusivas.

Outra forma de violência obstétrica é a negação de alívio da dor. Ignorar as queixas da paciente ou negar métodos disponíveis e solicitados para o controle da dor também constitui uma violação de seus direitos.

A falta de informação é outro aspecto relevante. Não receber explicações claras sobre o que está acontecendo, sobre as opções de tratamento ou sobre os riscos e benefícios de cada procedimento impede que a mulher participe das decisões sobre o próprio corpo e viola o direito ao consentimento informado.

Você sabia que a separação injustificada entre mãe e bebê logo após o nascimento, sem uma justificativa médica clara e urgente, também pode caracterizar violência obstétrica?

Se, ao recordar sua experiência, você sente que foi desrespeitada, humilhada, traumatizada ou que decisões importantes sobre seu corpo foram tomadas sem sua permissão, esse é um forte indício de que você pode ter sido vítima de violência obstétrica.

Nesses casos, é fundamental não guardar essa experiência apenas para si. Converse com pessoas de confiança, procure apoio de profissionais de saúde que atuem com a humanização do parto e, se sentir necessidade, busque orientação jurídica.

Conhecer e reconhecer os sinais da violência obstétrica é o primeiro passo para buscar reparação, fortalecer seus direitos e contribuir para que nenhuma outra mulher passe pela mesma situação.

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