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Nazistas em Bagé

Em 19/06/2026 às 12:44h, por José Carlos Teixeira Giorgis

Importante revelação foi feita foi feita pelo jornalista americano Bob Reston, recentemente nas páginas do Philadelphia Post: o nazismo esteve em Bagé!

Trabalhando uma informação transpirada do processo de Nuremberg, Bob realizou pesquisa no “Records of the Germany Foreign Ministry Library” – arquivo do Ministério do Exterior do Reich – e notadamente na “Military” – arquivo da Abwhr – desvendando mistérios que permaneciam sobre o trabalho de agentes do Fuherer na terra de D. Diogo.

Em janeiro de 1935 a Abwhr – o departamento de defesa e informação nazista – o célebre Almirante Wilhelm Canaris, homem baixo e enigmático, sedizente amante de Mata Hari, que passara grande parte de vida na América do Sul e Espanha, falando fluentemente seis línguas, inclusive o português, nacionalista ardente e anticomunista combativo (apud Stanley Hilton, in Suástica sobre o Brasil).

Canaris estava preocupado em estabelecer uma conexão sulamericana para controle dos negócios ingleses e americanos, suprimentos, navios circulantes, etc. Pretendia, fundamentalmente, ter uma visão logística da produção do charque bageense que estava sendo exportado em quantidades apreciáveis para a Europa, tanto que nacos desse precioso alimento haviam sido detectados em bolsas sigilosas portadas pelos soldados ingleses e russos, envolvidos em plásticos com inscrições Sispal/ou/Santa Tereza/Bagé, Brazil.

Desconfiado de que a proteína salgada estava desequilibrando o corpo a corpo para os Aliados, Canaris resolveu enviar agente de sua confiança para nossa cidade e obter dados mais objetivos sobre o milagroso produto fronteiriço.

Foi escolhido o capitão Karl Franz Hendrik ex-oficial de Inteligência de Goering, na época assessor do presidente do Reichsbank, de Frankfurt.

Depois de alguns meses de treinamento em radiotelegrafia, códigos e aplicação do sistema da tinta secreta em correspondência normal e um curso intensivo de português, onde despontavam regras de gramática (acentuação, tônica, mesóclise, crase, declinação de verbos, aplicação correta de “se” e “porque”) e frequentes ditados da Crestomatia (Karl já sabia de cor a última corrida de touros em Salvaterra, o herói obscuro e declamava, sem sotaque, tive um cão chamava-se veludo, foi o mais feio cão que vi no mundo, etc.), o espião transferiu-se a Lausanne, Paris, Buenos Aires e pelo Uruguai até Melo – onde apreciou muito as media-luna da Cofiteria Washington – trocou seus marcos e adentrou o território brasileiro pela Mina, onde até conversou sobre problemas da pecuária com parentes do Juca Abero.

Em Bagé, Carlos Henrique Hendrick (entenderam a troca?) começou como artesão em cerâmica, aproveitando o barro de Hulha Negra – onde comprara agradável sítio – abriu uma conta no Banco Pelotense e associou-se ao Clube Ítalo Brasileiro, passando a integrar-se na comunidade bageense, pois, como sempre atingem aqui as melhores posições (gentilezas locais). Prova disso é que, alguns anos depois, Carlos era visto nas rodas na Confeitaria Cruz, ou nos campos do Polo e já nas décadas de quarenta, frequentava uma república de tenentes na Barão do Amazonas, sendo um dos fundadores do famoso e histórico Recanto da Inocência.

No último Carnaval que aqui passou, após o corso aberto pelo João Turco vinha à frente do Vassourão, carregando o dito, prova máxima de sua incorporação aos costumes citados.

Colecionador das estampas do sabonete Eucalol e de carteiras de cigarro, Carlos Henrique vangloriava-se de ter uma Phriné oval, troféu realmente invejável na época e a figurinha Albotino que valia, no álbum de balas, pelo menos dez Adãozinho e cinco Preguinho! Como se vê, era coisa nossa.

Pois  Carlos Henrique não esqueceu sua missão – apesar dessas amenidades – e estabeleceu uma efetiva rede de informantes nas nossas charqueadas, começando a espalhar a notícia de que os europeus estavam preferindo a carne congelada, o terneiro precoce, o baby beef e outras mentiras que acabaram por deteriorar àquelas altas empresas autóctones, levando-as à exaustão e desaparecimento lento e gradual, dando no que deu.

E agora a revelação que todos aguardavam: realmente, no interior da chaminé da Usina, Carlos Henrique conseguiu instalar um possante AEG-TELEFUNKEN que transmitia mensagens cifradas, junto com músicas do Pedro Raimundo, que fazia passar por dedicatórias, na base “do fulano deseja a sua noiva com as iniciais tal e tal” ou “ moreno que usa roupa de tussor e sapato trecê dedica a sua admiradora que está de soquete branco e tem uma mancha no braço a música saudade de matão” e no meio disso, trocando as letras, as preciosas informações sobre o charque embarcado, o sal comprado, o fantasma da Panela do Candal, etc.

Proclamada a vitória dos Aliados, um dos últimos atos públicos a que teria comparecido Carlos Henrique foi o comício do Coreto, em que foi visto enrolado na bandeira do Brasil, dando vivas ao fim da guerra.

Depois, nada mais se soube do gentil e elegante industrial suíço, que era chamado, carinhosamente, de Cacá pelas moçoilas casadouras de então.

Essas considerações sobre o nazismo em Bagé, vem bem a propósito quando começam a aparecer as cruzes gamadas em paredes da cidade (conta-se que apareceram suásticas no campo do Bagé e nos alicerces do futuro Hospital dos tuberculosos, na Vila do Torrão).

 

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