Sursum corda
Não comprovei se o local ainda existe. Mas há décadas, seguindo-se a Rua 18 de Maio em direção aos fundos da cidade, havia uma cancha de futebol para jogos de várzea, denominado “campo do Manuel Ferrador”. Pois tal personalidade, pouco conhecida para a maioria, surge com destaque nas Memórias do Visconde de Taunay.
Lembra ele que, durante a Guerra do Paraguai, Caxias gozava de imensa moral no exército e em todos os comandos que exercera. “Fora do serviço e nas relações com seus ajudantes de ordens e de campo, no seu círculo mais chegado, era Caxias meigo, condescendente e jovial”.
E Manuel Ferrador era “um dos mais arrebentados e engraçados gaúchos que frequentavam o nosso rancho, todo ele cheio de franquezas e ditos chistosos e picarescos”; ele revelava desembaraço quando falava com o Conde d’Eu, mas quando tinha de se entender com Caxias, "sentia dentro de mim umas tremuras que não me deixavam quase falar. Que diabo de velhão; metia-me cada medo!”. Esse Ferrador, narra Taunay, de volta do Rio ao teatro de guerra, onde estivera com a marquesa, apresentado por uma carta de recomendação do marido (Caxias), dando conta da visita, exclamou: “Sim, senhor, senhor marquês, gostei de ver sua muié. V. Excia está perfeitamente montado”. Perguntado pelo conde d’Eu se era casado e quantos filhos tinha, respondeu: “Tenho muié, mas ela é como a de V. Alteza, machorra. - Que é machorra, indagou o príncipe com curiosidade. “É égua que não pare, replicou o cavalariano. O conde d’Eu corou como uma miss inglesa que tivesse ouvido algum dito ultra chocante”.
Taunay busca ainda demolir as intrigas sobre Caxias em Itororó e possível rivalidade com Osório, “a quem buscava sempre cercear a parte de glórias a colher”, o que não era verdadeiro, porque o marquês tinha alma nobilíssima, “incapaz de semelhantes misérias. Sabia ser general e identificar-se com o exército que comandava. É seu maior elogio”, encerra o visconde.
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Aplausos e glória ao bajeense Emílio Kalil. Segundo referência unânime da imprensa, foi ele condecorado com a Medalha Gran Vermeil, “a mais alta honraria concedida pela cidade de Paris”. A distinção lhe foi entregue pela prefeita Anne Hidalgo, em reconhecimento à contribuição de Emílio para o fortalecimento das relações culturais entre Brasil e França. O galardão, segundo o colunista Guaracy de Andrade, é endereçada apenas às personalidades que se destacam por relevantes serviços à Cidade- Luz, e com projeção internacional. Emílio, há muitos anos, ocupa lugar de destaque no ambiente teatral e artístico, sendo considerado uma das mais respeitadas autoridades no assunto, mercê de seu renome e eficientes gestões na administração dos maiores teatros brasileiros.
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Em setembro de 1865 chegou a Bagé o Conselheiro Ângelo Muniz Silva Ferraz, ministro e secretário de Estado dos negócios da guerra, época em que, segundo Eurico Salis, Bagé estava transformada em praça de beligerância. Poucos dias após, vindo de Uruguaiana chegava a esta localidade o Imperador Pedro II, acompanhado de luzidia caravana, como os genros Conde d’Eu e Duque de Saxe, os ajudantes de campo Marquês de Caxias, Francisco José Calmon da Silva Cabral e Henrique de Beaurepaire Rohan. O Imperador aqui permaneceu cerca de quinze dias, mas fez diversas visitas aos estabelecimentos de maior importância, aos colégios, às guarnições militares, rumando depois para Jaguarão.
Dom Pedro II hospedou-se na residência de Carlos Silveira Martins e dona Maria Martins, pais de Gaspar da Silveira Martins, em prédio situado na então Rua 3 de Fevereiro, que mais tarde pertenceu à sucessão de Idalino Campos da Luz. Por estes tempos também retornou o General Osório, com a saúde fragilizada, tendo recebido mensagem de apreço da Câmara Municipal, presidida por Bernardino Bambá. Osório recuperaria a saúde, tendo sido criado para ele o 3º Corpo de Exército. Mais adiante, em 1º de setembro de 1861, sob a direção de Isidoro Paulo de Oliveira, aparece o primeiro jornal da cidade, o “Aurora de Bagé”.
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Miniconto.
{AD-READ-3}“Ciúme.
Quando virei ela estava com o dedo no gatilho”.

