Soleira da porta (Continuação)
Domingo, saudoso dos tempos em que saboreava o mate na Praça da Matriz, acomodei-me na soleira da casa para testemunhar a passagem dos carros e, vez que outra, tagarelar com algum bondoso passante. É verdade que a maioria das vezes o olhar estava debruçado no belo conjunto arquitetônico em que se transformara a reforma de imóvel pertencente ao vizinho Luiz Fernando Ribeiro. Ali, então confronte à rua em que a turma da zona jogava futebol com bola de tênis, quebrando os vidros da dona Camica ou da loja que vendia máquinas de costura Pfaf, a rua ainda não era completamente calçada, os automóveis raros, tempos de carroções do Armazém Azambuja que distribuíam os pedidos pela clientela. A antiga casa, onde moraram as famílias de Zezé e Ney Costa e depois a de Tupy Paiva, tinha – tem? – um extenso pátio de quadra a quadra cheio de parreiras e de árvores onde dormitavam saborosos pêssegos, muito apropriados à sorrelfa pela gurizada como o signatário e Mário Paiva. Ribeiro sonhava com um edifício de vários andares, mas a legislação municipal e a proteção dos prédios tombados inibiram os desejos do proprietário. Hoje, com especial vantagem, tem-se ali espécie de um “pátio espanhol”, com duas modernas moradas, chamadas “Solar da Marcílio”. A desgastada frente da casa foi substituída por agradável frontão encimado por brasão com heráldica (ainda) desconhecia, pois seguramente a residência, no passado anterior às famílias Costa, Paiva e Ribeiro deve ter abrigado núcleo familiar vinculado às cortes lusitanas, pois aquele emblema lá está há muito tempo. Importa referir que a presença daqueles prédios estilosos tem sido causa de constante movimentação do trânsito, todos curiosos em conhecer a charmosa novidade imobiliária, cartão de visita, e aplauso, para a inspirada concepção dos arquitetos, engenheiros e operários bajeenses.
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Em época de futebol frequente e destaque das cores encarnado e branco, estou procurando decorar a escalação do único time do interior bicampeão estadual. A intenção não é fácil, pois a memória acaba misturando Guarany, Inter, Palmeiras e Vasco de priscas eras. Oberdan, Caieira e Turcão, Alfeu e Nena, Adãozinho, Leivas, Rubilar e Rui. Miguel, Saladuro, Augusto e Rafanelli, Túlio e Waldemar Fiúme, quem mandou torcer para tanto campeão, Saulzinho, Abílio, Max, Ducos e Nascimento (Opps, estes últimos pertencem a outra lista). Ante a confusão de tantos artistas do pedibólio, acabei ficando apenas com um time que me acompanha do jejum ao adormecer. Ei-la: Zyloric; Valsartana, Dexilant, Forxiga e Rosuvastatina; Domperidona, Apixabana e Bisoprolol; Alopurinol, Ferripolimaltose, Betaistina e Nitrofurantoina. E dois puffs pela manhã de Spiriva. Treinador: o sisudo M.Z. Bosco.
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