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Advogados

Em 03/03/2026 às 11:29h, por José Carlos Teixeira Giorgis

Merece louvor a seção local da OAB, ora sob a liderança do Dr. Mariano Niederaurer, filho e neto de advogados, e sua operosa equipe, em dar vida à Comenda Paulo Brossard de Souza Pinto. Justíssima homenagem a um bajeense ilustre, parlamentar, ministro, deputado, jurista, professor, pecuarista, orador, escritor, de rútila inteligência, acima de tudo, conterrâneo sempre vinculado aos seus compromissos com a terra natal e suas raízes familiares. E que lembrado no mês em que se festejaria o centenário de seu nascimento. Seguramente outros preitos ainda seguirão em veneração aos múltiplos predicados de um cidadão vertical e seu rastro de luz.

A origem das “Comendas”, di-lo a pesquisa, remontam a Godofredo de Bulhão (1099) e sua doação de bens móveis e imóveis aos hospitalários da Ordem de São João, chamados “monges negros”, que a tradição lusitana distribuiu como importante honraria; e se muda em laurel ou distinção a quem deu prestígio a uma causa ou profissão. Lembre-se, e o faz também a literatura de modo frequente, aos “comendadores” do Brasil Colonial, senhores respeitáveis que ocupavam posição de destaque nas cortes ou nos meios sociais, com seus fraques e carroças, seus cavanhaques e monóculos. Em tempos outros, profissionais da palavra e redatores de súmulas de valor jurídico, ou portadores de méritos sociais e habilidades médicas; ou simplesmente “boas e generosas pessoas” que vêm merecendo a consideração de governos e entidades com a outorga do galardão para materializar o reconhecimento público e a gratidão. A escolha dos homenageados foi cirúrgica. E justa. A lembrança de Cléa Anna Maria Carpi da Rocha descansa na pessoa de uma das mais proeminentes advogadas, presente – e atuante- em todos estes anos de exercício da advocacia. Enquanto advogado em Bagé e depois no início da década de noventa em Porto Alegre tive convivência com Cléa e seu marido Geraldo Octávio Brochado da Rocha. Este pertencente a uma tradicional família de juristas e políticos, aqui vinha para palestrar aos universitários e simpatizantes partidários. Embora sua tartamudez era, ao contrário, um grande orador, inspirado e vibrante. Depois, em Porto Alegre, estive com eles em círculos da OAB e trabalhistas, que tinham em Geraldo um líder e candidato. Clea, sua constante companheira, lá estava marcando depois a trajetória pessoal que é exemplar, após morte de Octávio.

Não sabia que meu irmão George havia tomado o compromisso de advogado de Renato da Costa Figueira. Gabrielense, Renato construiu uma bela carreira, notadamente como grande orador no júri. Seu estilo, além das circunstâncias inerentes deste mister, se enfeitava da frase poética. Quando já no tribunal, em sessão em que patrocinava um recurso burilou elogios para Eliseu Torres e para mim, ex-advogados então, trazendo apropriadas imagens dos pagos, um fronteiriço, outro de Cachoeira, lapidando o ambiente com seus gestos e o teor sonoro de seu verbo.

Guiomar Alcalde Brasil consolidou a vocação seguindo os conselhos de seu ancestral Carlos Brasil e de seu estimado pai Dr. Orlando Brasil. Tive a ventura, quando residente na Rua Bento Gonçalves, de vizinhar com àquela famosa banca e seus membros. A antiga casa, os escritórios ao meio e fundo onde transitavam os clientes de uma a outra sala ao encontro de seus patronos. Ainda lembro a franciscana sala do Dr. Orlando, sua informalidade, ambiente que não aparentava escritório, um cofre onde se aninhavam (possivelmente) testamentos a cumprir, inventários a partilhar, processos de interesse das famílias tradicionais; a fama duradoura, a confiança, às vezes ali estavam em visita Brossard e Luis Bender, as conversas sobre as atividades do partido libertador, as lides rurais. Neste cenário de respeitabilidade, mas também de informalísmo, plasmou-se a formação jurídica da jovem Guiomar uma linha de tempo que a abarcou quando solitária e firme assumiu o legado de seus familiares. Sua homenagem, representa, pois, um penhor às primeiras mulheres na advocacia, um estilo peculiar na relação com seus representados, a lembrança de um tempo onde se fortaleciam o respeito mútuo e a cordialidade profissionais.

Já George, Francisco do Couto e Jorge Fara representam outra etapa, lideranças de outros tempos. Não tenho constrangimento em louvar meu irmão como advogado. Não foi outra coisa desde que recebeu o diploma. Cursou a universidade com realce. Excelentes notas, seguiu o caminho que começou no ciclo ginasial: sempre o primeiro, algumas vezes repartido o laurel com outro colega. Estagiou, como acadêmico, em conhecido escritório de advocacia de Porto Alegre, fazendo as pesquisas de jurisprudências, modesto ao preencher as fichas e consultando vetustos alfarrábios. Não titubeou quando se bacharelou, logo vindo para Bagé, frequentando o foro, apenas aceitando convite para participar de entidades e associações que não comprometessem sua ética. Para que não o censurassem que não transitara o pelo direito criminal fez um único júri toda a existência Requisitado para clubes de serviços e associações variadas ali colaborou até que entendesse haver cumprido o dever. Como presidente da seção da OAB em boa dezena de anos, viajava para outras cidades atrás de um juiz ou promotor que viesse preencher vaga. Visitava o tribunal sempre que a comarca necessitasse de algum complemento. Respeitoso e formal, até algum tempo, antes que moléstia limitasse suas caminhadas não deixava de visitar a sala da OAB, ou o cafezinho com os colegas. Quando, muitos anos depois, optei também pela advocacia, tive nele o incentivo. Nunca pensamos montar escritório comum, talvez porque nossos horóscopos não fossem combatíveis, mas não me faltou sua orientação desde a primeira petição. Foi meu defensor no momento político, quando expurgado do colégio. E sempre soube que se jactava de minha magistratura, sabido que ele, num passado e em outras condições, já fora sondado para a corte estadual. Esta sua maneira de agir entusiasmou a esposa e os filhos também para a carreira jurídica, de que muito se envaidece. Verifico que minhas frases podem parecer pretéritas ante as transgressões verbais. Mas servem para convalidar a simpatia de todos por quem muito contribuiu para afirmação do respeito à advocacia. Francisco Norival Fraga do Couto representa o modelo de uma época. Um dos mais prendados advogados, professor benquisto, estudioso diuturno da melhor doutrina e das decisões mais recentes, Chico teve uma gestão meritória da qual tive a ventura de participar. Momentos aqueles muito ainda ligados à universidade, a participação intensa em congressos e semanas de estudo, que teria continuidade com a gestão de Fernando Sérgio, onde os direitos do profissional foram sempre protegidos e inalienáveis. Já uma fase mais moderna, de grande interlocução com as diretorias regionais e convívio respeitoso com a direção estadual, uma gestão caracterizada por sua mobilidade e atenta às prerrogativas de cada membro, caracterizaram a atuação de Jorge Fara e seus companheiros, com desempenho tão eficiente que granjeou respeito nos andares superiores da administração, transformando Jorge, atualmente, num dos líderes estaduais, continuamente requestado para integrar os mais recentes coletivos.

Enfim, a cerimônia de outorga aos novos comendadores da advocacia marca o prestígio da classe em Bagé, e a reiteração de sua importância em nossa comunidade.

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