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Coluna Gol de Placa com Telmo Carvalho

Em 06/03/2026 às 13:53h, por Telmo Carvalho

Na Rainha da Fronteira, o tempo pode até passar, mas certas coisas seguem imutáveis. Há mais de um século, a rivalidade entre a dupla Ba-Gua atravessa gerações como herança de família. Passa de pai para filho, de avô para neto, sempre carregada de provocações, implicâncias e uma saudável torcida contra o vizinho. Não importa o campeonato ou a divisão. Seja no Gauchão da Série A, da B ou em um improvável torneio de bolinha de gude, o sentimento é simples e absoluto: ganhar do rival — ou, no mínimo, vê-lo perder. Na semana em que o Guarany recebeu o Grêmio, esse clima voltou à tona com força total. A rivalidade extrapolou as quatro linhas e tomou conta das conversas de esquina, das redes sociais e das arquibancadas. Antes mesmo de a bola rolar, um apagão no sistema elétrico do Estrela D’Alva virou motivo de riso e chacota para os torcedores do clube da Pedra Moura. Faltou luz, sobrou provocação. Mas no futebol — especialmente no do interior — resposta não se deixa esfriar. Veio rápida e afiada. Os alvirrubros lembraram, com orgulho, que apenas um clube do interior pode se dar ao luxo de ostentar dois títulos gaúchos. O resto, diziam, é despeito de quem acompanha a elite de longe. E assim segue o futebol, esse território onde sentimentos se misturam sem pedir licença. Amor, paixão e fanatismo caminham lado a lado com a rivalidade. Às vezes falta luz no estádio, mas nunca falta energia na arquibancada.

A derrota do Guarany para o Grêmio, no Estrela D’Alva, foi dura no placar, mas não pode ser analisada apenas pelo resultado final. Em jogos assim, contra clubes da capital e com elencos incomparáveis em investimento, o futebol do interior costuma ser julgado com uma régua injusta. O Guarany competiu enquanto teve forças. Marcou, brigou por cada bola e tentou encurtar os espaços como mandam os manuais da sobrevivência no futebol estadual. Não faltou entrega, tampouco vontade. O que faltou, como tantas vezes acontece, foi elenco para sustentar a intensidade durante os 90 minutos. O Grêmio, por sua vez, fez o que se espera de quem tem mais recursos e opções no banco. Soube esperar, rodar a bola e explorar o desgaste natural do adversário. Quando o jogo pediu paciência, teve. Quando pediu aceleração, também teve. Mérito de quem sabe jogar esse tipo de partida. Ainda assim, o Guarany sai de campo devendo pouco no aspecto anímico. Perdeu para um gigante, mas não se apequenou. E isso, no futebol do interior, conta muito. O Estrela D’Alva empurrou, cantou e mostrou que, mesmo diante da derrota, a arquibancada segue sendo um patrimônio tão valioso quanto qualquer título. O desafio agora é transformar esse tipo de jogo em aprendizado. A competição não será vencida contra o Grêmio, mas pode ser perdida em partidas onde o Guarany precisa, mais do que nunca, fazer valer sua identidade. A derrota dói, mas também aponta caminhos. Cabe ao clube saber escutá-la.

Duelo de pressão no Estrela D’Alva: quem reage primeiro no Gauchão?

O confronto entre Guarany Futebol Clube e Inter de Santa Maria, neste sábado (24), às 20h, no Estrela D’Alva, vai além de mais um jogo da 5ª rodada do Campeonato Gaúcho. Trata-se de um duelo direto entre duas equipes pressionadas, que ainda não venceram na competição e já começam a sentir o peso da parte de baixo da tabela. Com apenas dois pontos conquistados em quatro partidas, Guarany e Inter-SM entram em campo sabendo que o empate pouco resolve. A matemática do campeonato começa a apertar, e a margem de erro diminui rodada após rodada. Quem tropeçar novamente corre sério risco de se afundar precocemente na luta contra o rebaixamento. Do lado do Guarany, o fator casa surge como obrigação, não como vantagem. Jogar no Estrela D’Alva, diante do seu torcedor, aumenta a cobrança por uma postura mais agressiva e por respostas imediatas. Até aqui, o time mostrou competitividade em alguns momentos, mas faltou regularidade e, principalmente, capacidade de decidir os jogos. A pressão psicológica existe — e pode ser aliada ou inimiga, dependendo da forma como o time encarar o duelo. O Inter de Santa Maria vive um contexto diferente, mas não menos delicado. De volta à elite após anos afastado, o clube ainda busca se adaptar ao nível de exigência do Gauchão. A equipe até tenta propor jogo, mas tem encontrado dificuldades para sustentar intensidade e transformar volume em resultado. Fora de casa, a tendência é de um time mais cauteloso, apostando em transições rápidas e nos erros do adversário. Taticamente, o jogo promete equilíbrio. Ambos os treinadores sabem que a derrota pode custar caro e, por isso, devem buscar o ataque com responsabilidade. O desafio será encontrar o ponto de equilíbrio entre necessidade de vencer e medo de perder — fator que costuma travar partidas desse tipo. Em um campeonato curto e cada vez mais definido, este confronto ganha contornos de decisão antecipada. Não garante classificação a ninguém, mas pode mudar o rumo emocional de quem sair vencedor. Para Guarany e Inter-SM, vencer deixou de ser desejo: virou urgência.

O Gre-Nal 449, deste domingo (25), é menos sobre promessa e mais sobre diagnóstico. Em início de temporada, o clássico mede o quanto Grêmio e Internacional conseguem sustentar suas ideias sob pressão máxima. O Grêmio tende a buscar controle pela posse e pela organização, apostando na circulação de bola para ditar ritmo. O Inter prefere intensidade, pressão e transições rápidas, tentando encurtar decisões do rival. Quando o jogo acelera, o Inter se sente mais confortável; quando o ritmo cai, o Grêmio costuma ganhar terreno. O meio-campo é o ponto de inflexão. Quem vencer os duelos ali controla o jogo — seja para manter a bola, seja para atacar o espaço. Em clássico, detalhes decidem: uma falta evitável, uma bola parada, um erro de concentração. Seja na Arena do Grêmio ou no Beira-Rio, o ambiente exige clareza mental. O Gre-Nal 449 não entrega certezas absolutas, mas indica caminhos. E, em janeiro, isso vale tanto quanto o resultado.

 

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Fraterno abraço e votos de abençoado final de semana ∴

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