Uma cidade que lê é uma cidade que caminha
Há cidades que crescem. Outras, evoluem.
A diferença entre uma e outra, muitas vezes, é feita pela cultura.
Uma cidade que lê, que canta, que debate, que se emociona diante de uma mesa literária… é uma cidade que se move. Que não se contenta com o mesmo. Que cria pensamento, identidade e memória. Que se reconhece e, ao mesmo tempo, se transforma.
Bagé tem esse potencial há muito tempo. Mas potencial não é destino — precisa ser cultivado, protegido, alimentado. E esse é um compromisso que assumo há anos: não apenas escrever, mas movimentar a cena literária e cultural da nossa terra.
Na semana passada, junto do querido Tiago Cesarino, colocamos no palco o 15º Canto Sem Fronteira. A poesia musicada tomou conta da cidade. Noite após noite, versos que nascem no pampa encontraram melodia, público, aplausos e, acima de tudo, pertencimento.
Ali estava Bagé na sua melhor forma: de alma aberta, ouvindo suas próprias vozes.
E agora, no próximo sábado, abrimos outra porta importante: o FestFronteira Literária, evento que organizo desde 2017 e que nasceu exatamente para isso — trazer literatura de qualidade para perto das pessoas, mostrar que grandes debates não pertencem apenas às capitais e que o pampa também produz, pensa e respira literatura de alto nível.
Há quem ainda trate a cultura como supérfluo. Como luxo. Como algo para “quando sobrar tempo”.
Mas o que sobra de uma cidade sem cultura?
O que resta quando tiramos a música, o livro, o teatro, a conversa?
O que sobra é o silêncio. A estagnação. A repetição.
Eventos como o FestFronteira existem para romper essa barreira.
Para lembrar que pensar é um ato coletivo.
Que ler é dialogar com o mundo.
Que ouvir autores, discutir ideias e abrir espaço para novas narrativas é tão importante quanto qualquer obra de infraestrutura — porque obras levantam paredes, mas a cultura levanta gente.
Este ano, o FestFronteira chega ainda mais forte, mesmo em um momento em que a economia oscila e muitos setores sentem o impacto.
É exatamente nesses períodos que a cultura prova seu valor: porque ela nos une, nos forma e nos ajuda a atravessar as crises.
O evento, idealizado em 2017 e construído em parceria com o Museu do Som da Campanha, a Casa de Cultura Pedro Wayne e a Associação Amigos da Biblioteca, nunca perdeu seu propósito: aproximar leitores e escritores em conversas sinceras, informais, afetivas.
Juntar gente em torno da literatura — esse é o milagre simples e profundo que ele provoca todos os anos.
Este sábado teremos mesas literárias, debates potentes, feira do livro bageense, sessão coletiva de autógrafos, confraternização dos grupos de leitura e a música do Tiago Cesarino puxando o clima de celebração.
Mas para que um evento cultural exista, é preciso mais do que vontade.
É preciso comunidade.
A comunidade pensante, leitora, crítica e apaixonada da cidade precisa estar junto.
Presente.
Participando.
Fazendo volume, fazendo barulho, fazendo história.
Porque uma cidade que lê não apenas caminha — ela avança.
Ela se reconhece.
Ela se sustenta.
Ela se reinventa.
E se Bagé quer continuar crescendo da forma certa, precisa continuar apostando no que nos faz humanos: a arte, a palavra, a música, o livro.
{AD-READ-3}Nos vemos no FestFronteira.
Para celebrar, juntos, o que Bagé tem de mais bonito: suas vozes.
Espero vocês no dia 06/12 (próximo sábado) a partir das 16h na Casa de Cultura Pedro Wayne.

