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Bosquejo provisório sobre a poesia em Bagé

Em 06/03/2026 às 13:53h, por José Carlos Teixeira Giorgis

Há tempos, Duda Burns, em seu programa radiofônico, sugeriu uma entrevista no Dia da Poesia e sobre o mister, achando que o articulista fosse dedicado também à nobre arte de Drummond ou Pessoa. Ledo equívoco. No sedizente acervo poético dele sobraram apenas quadrinhas inexpressivas na vida universitária, não precisando dizer que eram trovas de gracejo e humor. Essa incapacidade em poetar, ao contrário, jamais impediu a leitura voraz, o apreço pela rima bem construída e a admiração por quem, em poucos quartetos ou frases contundentes, logra mexer com as fibras do amor e dor. O diálogo, no fim, foi positivo, com o compromisso de fazer algum inventário sobre a criação poética na cidade. É um intento de risco, mas também uma agenda breve, portanto incompleta, pedindo-se socorro aos eventuais leitores, para que ajudem a acrescer, indicar, contrariar, para que se dê protagonismo e abrigo aos que se dedicam a versificar, construindo-se um catálogo ou relação que fique como memória de tais operadores. Tomei como base o que conhecia dos tempos aqui vividos ou de alguns livros que guardo entre meus haveres. Examinando os rabiscos feitos, entendi em adotar um rol por escolas, grupos ou autores proeminentes.

Assim, numa primeira fase, estaria a publicação de “Relâmpagos”, de Serafim Santos Souza, ao tempo da Guerra contra o Paraguai. Deve ser o primeiro livro de poesias em Bagé, editado pela Editora Progresso local (1879). Bagé e Dom Pedrito reivindicam ser o local de nascimento do biomédico. Santos Souza, como ainda refere um importante pesquisador brasileiro, teria editado outra obra, mas em Assunção, no Paraguai.

Logo depois, em fase apartada, estão os poemas de Pedro Wayne, “Versos meninosos e a Lua”, 1931, “Dina” e “Tropel de Aflições”, em 1935 e 1947. A terceira fase, a meu juízo, engloba o que chamei em antigo texto de “Trindade Sagrada” da poesia local: Ernesto Wayne, Camilo Rocha e Clóvis Assumpção. Numa etapa seguinte, entre os diversos poetas, destaco a obra exemplar de Ilka Amaral. Todos, entre 1950 e 1970.

Depois destes anos, inicia-se um período de visível influência da universidade. A então FUnBa, em seu destacado curso de Letras e a concreta influência de Ernesto Wayne, pontuam autores, um estilo peculiar no versejar sobre o influxo de literatos estrangeiros, talvez o momento mais significativo, com repercussão comunitária intensa com as publicações de Cadernos do EcoSul e notadamente as reuniões do Ecoarte que envolvia, inclusive pessoas de outros cursos ou movimentos. Era um instante de fulguração e compromisso. Deste seleto grupo de acadêmicos e professores lembra-se de Elvira do Nascimento, Norma Vasconcellos, Rafaela Ribas, Zélia Porcellis, Leda Ollé, Davi Simões Pires, Edmundo Rodrigues. Vigorou entre 1970 a 1980. Daí em diante, observa-se uma construção em grupos especiais, seja pela obediência a determinada rota ou empatia técnica como os versos de Sara Ramirez Vicência, Sarita Vicêncio de Barros e Sônia Alcalde (fins de 1990, 2000 em diante). Muitos dos que tenho referido foram vencedores de diversos concursos nacionais e premiados pela publicação de seus trabalhos. Ainda em alguma parte desta etapa, época da rigidez do regime militar, desponta o que chamo de Nova Poesia Bajeense, que tivera ensanchas especialmente no início da década de 80. Eram os jovens universitários, que se reuniam no Bar Cervantes, que imprimiam suas poesias em algum mimeógrafo, de vivência quase “underground”, mas de grande brilho: José Luiz Bragança, o talentoso Enrique Morales e seu “Perseguidor da Vida”, editado em Melo, Fausto Brignol, Ramón Brito Wayne e Tom Wayne, Vitória Gamboa Wayne. Desta época (1964-1984), aparece o livro mimeografado “ Eus e outros nós” de Jefferson Carús Guedes e André Martins, ora em necessária reedição. Em 1988 ou data próxima, o grupo Cervantes criaria uma obra Invulgar: uma página em linóleo, onde eram digitadas entrevistas, piadas, artigos contra a repressão, desenhos, ilustrações, com substituição semanal e que eram distribuídas para ilustrar a mesa de bar. Quem detenha hoje algum exemplar desta publicação, possui seguramente um momento inusitado, criativo e de grande valor artístico.

Finalmente, os tempos recentes, a que se denomina Novíssima Poesia Bajeense, compõe-se de um núcleo central, articulado pela dedicada professora Márcia Duro Melo, que tem se destacado por um labor, verdadeiramente artesanal, de presidir e orientar inúmeros poetas, como ela própria, Gladis Deibler, Ayeza Ferreira, Lara Denise, Eliege Moreira, Kido Ferreira e outros tantos e inspirados poetas.

Não esqueço e por justiça, que além destes poetas mais centralizados na lírica, há um grupo dos poetas que se dedicam ao nativismo, onde se destacam Astrogildo Amaral, Altair Job de Borba, Eron Vaz Mattos, hoje um dos mais louvados, Guido Moraes. Eliezer Souza, Lisandro Amaral, Severino Moreira, Luis Godinho.

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Em situação de peculiar destaque não se olvide do inspirado e profícuo Luis Coronel, cujo talento poético navega, distribui-se e sobressai em numerosos setores da poesia e cujos versos detém sonoridade e sabor, capazes de se tornar verdadeiros hinos do gauchismo.

Retorno ao início deste “modesto exercício” literário, rogando vênia pelos equívocos, incompletudes e seguramente algumas omissões, pelo que peço desculpas. Conto com as devidas correções e auxílios para que possamos, algum dia, fazer a maior suma da poesia bajeense.

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