A Hidráulica Municipal de Bagé
A Hidráulica Municipal de Bagé é uma das principais obras da história do município, sendo, por vários anos, a responsável pelo controle, abastecimento e utilização da água para toda a população.
Foi no início do século XX que o intendente José Otávio Gonçalves resolveu elaborar e efetuar o projeto, que se prolongaria por mais de 10 anos. A pedra fundamental foi lançada pelo governo municipal em 12 de março de 1902, com a assinatura de um contrato com o engenheiro Dario Pederneiras, que ficaria responsável pelos estudos e projetos com o objetivo de implantar em Bagé um sistema de abastecimento de água.
Na época, havia uma população de 12 mil pessoas, distribuídas em 1.607 habitações no perímetro urbano. A tramitação foi demorada, sendo publicada apenas em setembro de 1902.
Em 1903, o projeto recebeu aprovação da Diretoria de Obras Públicas e de Higiene do Governo do Estado. Após os estudos realizados, foi publicado, em 1º de setembro de 1904, o edital de concorrência, abrindo prazo de 30 dias para a apresentação de propostas para a construção e exploração do serviço de abastecimento de água potável. Nessa época, houve muita discordância e críticas a respeito do projeto, com questionamentos sobre seus aspectos técnicos, além de uma sistemática oposição política.
Por ato administrativo, em 10 de novembro de 1904, surgiu uma nova proposta para a construção da Hidráulica de Bagé, quando José Otávio nomeou uma comissão composta por Emílio Guilayn, Rodolfo Moglia e Luiz José Monteiro para emitir um parecer técnico sobre a nova proposta. Ao final do ano, a comissão entregou seu parecer a José Otávio, sugerindo que o projeto do engenheiro Dario Pederneiras deveria ser ampliado e melhorado.
Em 1905, o projeto foi paralisado. Os planos para a construção da Hidráulica só foram retomados em 1910, quando José Otávio novamente venceu as eleições para a Prefeitura de Bagé.
Em seu novo governo, a mobilização para a construção da Hidráulica foi geral e empolgante. Assim, foi contratado o engenheiro Adriano Saldanha para apresentar um novo projeto destinado a resolver o problema do abastecimento de água em Bagé.
Em seu estudo, o engenheiro permaneceu na cidade realizando experiências e apresentações, a fim de garantir os cuidados técnicos necessários à confecção do projeto. Quanto ao volume de água, eram utilizados 83 litros por segundo, ou 440 litros por dia, para o abastecimento de 16 mil habitantes. A água seria trazida para o município por gravidade, através de uma linha adutora com extensão de 9,5 km, e armazenada no reservatório da Hidráulica.
Além da proposta do engenheiro, surgiram outros projetos para a Hidráulica, e foi designada uma comissão para avaliação, formada por André Rebouças e Dario Lassance. Dessa maneira, o parecer sobre o projeto do engenheiro Saldanha foi aprovado.
A próxima etapa foi o início das obras de construção da Hidráulica, gerando benefícios diretos, como o desenvolvimento da cidade. O terreno para a construção foi doado por Narciso Suñe, dando origem, futuramente, a um novo bairro.
A Hidráulica Municipal de Bagé foi inaugurada em 26 de junho de 1913, concretizando o sonho projetado por José Otávio, que faleceria antes da inauguração. Próximo à Hidráulica, atualmente, existe a Estação de Tratamento de Água (ETA), pertencente ao DAEB – Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé, criado em 1969.
{AD-READ-3}A antiga Hidráulica abriga o Memorial da Água, inaugurado em 14 de dezembro de 2017, um espaço destinado a ações culturais e à valorização da educação ambiental. O Memorial da Água mantém viva a história e o legado da Hidráulica de Bagé, mostrando-se um imponente prédio que busca, a cada dia, cumprir a missão de preservar nossas raízes.
Referências:
LEMIESZEK, Cláudio Leão – Bagé – Relatos de sua História – Porto Alegre, Martins Livreiro, 1997.
DAEB – Site: www.daeb.com.br

