Por que comemoramos o 20 de setembro?
Ainda esses dias, durante uma entrevista em que defendi que devemos comemorar o 20 de setembro, fui contestado pelo jornalista — de forma respeitosa — que entendia não devermos celebrar uma “guerra perdida”. Talvez ele esperasse uma resposta incisiva da minha parte, mas faz tempo que escolhi ter paz em vez de ter razão. Não brigo para impor minhas crenças.
O que me chama a atenção é como, enquanto sociedade, repetimos frases de efeito — feitas por não se sabe quem — apenas para contestar o status quo. Depois do evento, perguntei ao jornalista se ele já havia lido os termos da paz do Ponche Verde. Respondeu que não. Ou seja, sua opinião não vinha de fatos, mas de ecos de opiniões alheias.
A verdade é que os termos da paz foram muito vantajosos para homens que se insurgiram contra um Império durante dez anos. Recuperaram honrarias, indenizações, vantagens; derrubaram impostos sobre seus produtos e taxaram o charque dos vizinhos. Por isso é óbvio que devemos comemorar o 20 de setembro. Não comemoramos uma derrota. Comemoramos resistência e identidade.
E é justamente por isso que a Semana Farroupilha deve ser vivida com intensidade. Mais do que desfiles e cavalgadas, ela é um espaço de memória, de transmissão de valores e de afirmação cultural. É o momento em que escolas, entidades e famílias inteiras se reúnem em torno da chama crioula para lembrar que a história não se apaga e que a tradição segue viva.
Celebrar o 20 de setembro é celebrar a coragem de quem ousou enfrentar o Império e a persistência de um povo que, geração após geração, mantém acesa a chama da sua identidade.

