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O sábado amanheceu quieto e sisudo

Em 06/03/2026 às 13:53h, por José Carlos Teixeira Giorgis

O sábado amanheceu quieto e sisudo. A morte de Luis Fernando Veríssimo, embora sabida a gravidade de seu estado, deixou-nos sem a companhia de quem se pode definir como um dos maiores escritores brasileiros. Que problema teve em sua vida ao conviver com o pai, outro autor maiúsculo de nossa literatura. Mas soube ele, com talento e graça, com ironia e beleza dos escritos, com trajetória invulgar pelos inúmeros caminhos no âmbito das letras e do divertimento, lapidar produções notáveis, inclusive outras que não apenas artigos, mas romances, ilustrações, livros policiais e escritos em que luzia até uma discreta mordacidade.

Preciso acentuar que LFV fez tanto por Bagé quanto nossos melhores heróis, gestores, literatos ou políticos. Sua obra O Analista de Bagé, segundo consta, é a mais vendida em todas as Feiras do Livro até aqui. É também a primeira edição da hoje famosa L&PM Editores. Não há local do país onde, sabendo-nos bajeenses, o interlocutor não refira o “psiquiatra freudiano” que criou. Fez conhecer e divulgou Bagé como ninguém. O que muitos fizeram pela espada ou pela palavra, fez Veríssimo com sua bonomia e elegância.

Algumas vezes o encontrei em palestras literárias e, como sempre, o convívio não passou dos cumprimentos protocolares. Melhor quando foi a primeira vez em nossa cidade, durante o governo Vargas, em que passou momentos com os escritores e intelectuais locais. Na última vez que foi a Bagé, tive a honra de viajar com ele e sua simpática esposa, Lúcia. O encontro se deu na famosa casa de Érico e Mafalda, em Petrópolis. Conversando na sala de estar com outros que também iam a Bagé, tive o atrevimento de me deixar fotografar no sofá onde Érico lia e repousava. Na van de viagem, “puxei” conversa várias vezes, não apenas sobre literatura, mas também futebol (LFV era colorado e escreveu um livro sobre o Internacional) e jazz (LFV era saxofonista e pertencia a um conjunto onde também estava um magistrado colega). Embora o papo fosse cheio de laconismos, logo vinha em socorro Lúcia para completar as frases, mantendo-se, em maior parte, olhando e comentando as paisagens.

Sou seu leitor desde O Popular, de 1973, que guardo junto com outros dele aí em Bagé. De O Analista adquiri desde a edição inicial, depois as republicações, a versão em desenho e outras.

Conto sobre o patrão da Lindaura um fato que me aconteceu. Fora convidado para palestrar em um Congresso de Direito de Família, realizado no Auditório da Assembleia Legislativa. O tema recorrente era a existência de antigas e novas entidades familiares. Quando ia encerrar, cuidei do último espaço em moda: o poliamor, a vida em que se agregam vários parceiros, homens e mulheres, ou apenas de um sexo.

Achei que devia tentar um final mais espirituoso. E narrei: Pois, como sabem, sou bajeense e a cidade é lindeira a Aceguá. Aproveitando a folga, havendo agora free shoppings no lado uruguaio, aproveitei para buscar algum vinho. No trajeto, quase já no Uruguai, morava um amigo numa estância fronteiriça e entrei na propriedade. Qual a surpresa quando, no galpão, estava lá em visita também o Analista de Bagé! Depois de muito papo e mate, perguntou-me o Analista:

– Doutor, o que há de novo nesse seu interessante ramo de atividade?

Não me fiz de rogado e fiz um breve relato. E, para encerrar, falei sobre o poliamorismo, o convívio de homens e mulheres, ou só homens, ou só mulheres, em pares que têm vida comum e partilhada indistintamente. E, por óbvio, indaguei do visitante sua opinião (neste instante fiz um silêncio para o auditório). Pois o Analista deu uma chupada forte na bomba, passou a cuia e lascou:

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– Doutor, isso me parece uma grande suruba com grife...

Muitos risos e aplausos encerraram a fala. Não se assustem, não falei algo indevido, pois a mesma conclusão e termos li num acórdão do STJ.

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