Conversa de sábado
Há cerca de trinta anos, quando aos domingos ainda se reunia a turma do mate, anotei as placas comemorativas que enfeitavam a Praça da Matriz. Eram as seguintes: “ Primeira Semana Farroupilha em Bagé, de 14 a 20 de setembro de 1968. Comissão Executiva: Favorino O. Vaz. Terêncio Sarmento, Roberto Ribeiro, CTGs Negrinho do Pastoreio e Cruzeiro do Sul. ” “Praça Carlos Telles. Restaurada em outubro de 1984. Administração Carlos Sá Azambuja. Secretário da SMAU Ary Moreira Pinto. ” “General Carlos Maria da Silva Telles. Herói do Cerco de Bagé. 04.18. 84. “. “ À Invicta Cidade de Bagé. Oferta do Estado Maior do Exército. 31/X/1950. “ Bagé ao Doutor Pena. 1825-1901”
Hoje apenas se mantém impoluto ali o Dr. Pena, desafiando aos passantes que descubram o título de seus livros. Muitos bustos, hermas e honrarias, como as homenagens às figuras destacadas do Século XX, se perderam nos escaninhos do desapreço.
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Contou-me um amigo que, há anos, determinado turfista conseguiu importar da Inglaterra um cavalo, castanho, chamado Felicitation especialmente para cobrir a égua brasileira Bonny Moon, também de extrema beleza física. Após atravessar mares e plagas, os equinos finalmente foram postos em namoro. Nem é preciso dizer que o cobridor, ao vê-la, endoidou de alegria, relinchava e pulava, disparando pelos aramados. Até que os domadores, cumpridos os atos preliminares, permitiram que o macho se achegasse à fêmea prometida. Assim foi. Todavia ao erguer-se e penetrá-la, oh fados, o lorde inglês é fulminado por um surpreendente ataque. E cai morto no pasto verde.
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Há mais de cem anos, o Correio do Povo registrava que “ a realização do 11º certame da Associação Rural de Bagé deu à cidade um aspecto festivo. Grande número de forasteiros, na sua maioria industriais e criadores, assim como muitas famílias, aqui chegaram de todos os pontos do Estado, estando os hotéis repletos. O movimento de automóveis e carros é fora do comum. E, apesar do tempo frio, a concorrência de visitantes ao local da exposição foi numerosa (C.P. 14.10.1924). Também noticiava que “Em reunião do Conselho Municipal, ontem realizada, o conselheiro Serafim Gomes (...) propôs a elevação do imposto sobre os cabarets de doze para 36 contos. Propôs também o mesmo conselheiro que os cafés, confeitarias e sociedades particulares que exploram o jogo sejam taxadas com o imposto de doze contos e não de seis como no orçamento vigente”.
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A Revista Paulista de Indústria, de dezembro de 1955 publicou uma biografia de Emílio Guylain (1864-1923), dizendo que nascera em Gerona, Espanha, a 9 de maio de 1864, onde diplomou-se como bacharel em ciências físicas e matemáticas. Envolvido na tentativa republicana do estadista espanhol José Luiz Zorilla, teve de homiziar-se no Brasil em 1882. No país começou a vida como caixeiro de armazém na cidade de Bagé. Com seu tino comercial, progrediu transformando-se em comerciante, fazendeiro, industrial e banqueiro. Em 1893, fundou o primeiro banco de Bagé; em 1899, a Empresa de Luz Elétrica e, a seguir, a rede telefônica da cidade. Participou da criação da primeira charqueada bajeense; financiou o plantio de trigo e instalou o primeiro moinho elétrico para sua industrialização. Em 1912 fundou a empresa de força, luz e carris urbanos de Pelotas e, em 1916, o primeiro frigorífico daquela cidade, com capitais genuinamente nacionais. Naturalizou-se brasileiro e ingressou na política, como republicano. Desde 1907, até seu falecimento em 1º de maio de 1923 na cidade de Paris, foi deputado estadual pelo partido republicano.
Não há dúvidas, Guylain foi o “Mauá” bajeense.
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Um dos momentos mais emocionantes que tive foi a visita à pequena casa, em Granada, onde vivera Federico Garcia Lorca. Ator, diretor, pianista, guitarrista, ensaísta, pintor, dramaturgo poeta e homossexual, Lorca morreu fuzilado aos 38 anos pelas forças antirrepublicanas da Espanha, um mês após o início da Guerra Civil no país. Seus restos não foram encontrados até hoje.
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Há vinte anos o Presidente Lula esteve em Bagé para a criação da quinta universidade federal do Estado, a Universidade Federal do Pampa, para abranger dez municípios (Bagé, Jaguarão, São Gabriel, Santana do Livramento, Uruguaiana, São Borja, Alegrete, Itaqui, Dom Pedrito e Caçapava do Sul). Era prefeito, na época, o Dr. Luiz Fernando Mainardi.

