Panela do Candal
A Panela do Candal é uma depressão formada em uma curva do Arroio Bagé, nas imediações da Catedral da cidade.
O curso da água segue de leste para oeste, incidindo frontalmente sobre a elevação onde está situada a Praça Carlos Telles. Necessitando desviar-se para o sul, o arroio forma uma alça que dá a impressão de uma panela, com muitos redemoinhos. O local fica entre duas elevações, sendo o ponto mais importante do leito do Arroio Bagé.
A Panela do Candal leva esse nome porque, na antiga rua Fresca — hoje rua Almirante Gonçalves — morava o escrivão de órfãos José de Assis Candal, que exercia a função desde 1829. Posteriormente, prestou juramento como suplente de Juiz de Paz, em Piratini, no dia 20 de dezembro de 1837.
Sua residência era muito frequentada, pois ele promovia, periodicamente, almoços com “galinhadas”, aos quais compareciam inúmeros amigos. O escrivão morava no Cerro do Candal, na margem direita do Arroio Bagé.
Assim, a Panela do Candal é uma referência histórica da cidade de Bagé, além de um marco poético que se constitui em temática apaixonada de seus artistas.
Em abril de 1878, teve início a construção de uma ponte de madeira, com base de alvenaria, no antigo “Passo do Zuzarte”. O objetivo era ligar o Cerro do Candal à margem esquerda do Arroio Bagé. A ponte foi construída pelo Ministério da Guerra, sob responsabilidade do capitão Raymundo Ewerton Quadros, posteriormente marechal reformado e autor de diversas obras literárias.
Em abril de 1959, durante uma grande enchente, a ponte ficou submersa, isolando a zona leste. As águas invadiram o Moinho Bageense, danificaram também a ponte do Guilayn e cobriram as casas da rua Santos Souza.
A antiga ponte de madeira era chamada pelos moradores dos arredores de “Ponte do Barulho”. Era mais baixa e, por isso, as casas antigas, que ainda resistem ao tempo, ficam abaixo do nível da rua.
Na administração do prefeito Carlos Kluwe, foi construída uma nova ponte, tendo como chefe das obras da municipalidade o engenheiro Maurício Branchtein.
Em 6 de novembro de 2024, foi inaugurado o Parque Panela do Candal, um espaço de lazer e cultura multifuncional, que conta com acessibilidade, quiosque, sanitários, parque infantil, chafariz e totens informativos.
O local também foi fonte de inspiração para Pedro Wayne escrever a lenda O Monstro da Panela do Candal, que até hoje faz parte da cultura popular de Bagé.
{AD-READ-3}Referências:
Fagundes, Elisabeth Macedo de. Inventário Cultural de Bagé. Porto Alegre. Praça da Matriz, 2012
Site: Prefeitura Municipal de Bagé - www.bage.rs.gov

