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Pardal Mallet e Castro Neves

Em 06/03/2026 às 13:53h, por José Carlos Teixeira Giorgis

A Academia Brasileira Letras teve alguns advogados como membros e a par da atividade forense, se destacaram como autores de obras de especial relevo literário. Um deles foi o bajeense João Carlos de Medeiros Pardal Mallet, nascido em 9 de dezembro de 1846, filho do Marechal Manuel José de Nepomuceno Mallet, outro bajeense (n. 16.05.1840), participante da Guerra do Paraguai e outras batalhas, além de destacados cargos públicos, inclusive Ministro da Guerra.

Em criança, Pardal Mallet luzia na escola com textos interessantes; e, mais adiante, também na fluência de francês e inglês. Depois dos preparatórios mudou-se para o Rio de Janeiro mirando o curso de Medicina. Defensor de ideias republicanas, adotou o Jornalismo e a Literatura, transferindo-se para São Paulo e a Faculdade de Direito, depois Recife e de novo Rio, juntando-se ao grupo de Raul Pompeia, Coelho Neto, Olavo Bilac, Artur Azevedo e José do Patrocínio. Adepto do abolicionismo, fundou jornais, criticou a Princesa Isabel, ocupou cargo em Paris, foi desterrado para o Amazonas e adversário de Floriano Peixoto, duelou com Olavo Bilac (sendo ferido no tórax), e escreveu a obra pioneira e panfletária “Pelo Divórcio”. Ocupou a cadeira nº 30 da ABL. Pai e filho são conterrâneos ilustres que merecem todas as mercês e preitos.

A introdução se justifica quando da noticiada posse do advogado, professor, escritor e jurista José Roberto de Castro Neves na Casa de Machado de Assis em 11 de julho passado para ocupar a cadeira nº 26 de dita entidade. Sócio de conhecido escritório no Rio de Janeiro, professor de Direito Civil, pretende-se aqui realçar as abonadas qualidades de escritor do novo imortal, entre as quais a de ser um dos maiores conhecedores da obra de Shakespeare no mundo e possuir sobre o dramaturgo uma das melhores bibliotecas, além de publicar livros de sucesso onde enaltece a advocacia.

No prefácio de um deles Miguel Reale Júnior recorda que o advogado é o que fala pelo outro, é quem se identifica com quem nele confia, vive o sentimento e angústia do outro e vivencia a experiência alheia. O advogado se humaniza ao aprender a se colocar na situação de cliente e ao dispor-se a responder por quem se põe sob sua proteção.

Hoje a advocacia mudou de estilo. A exigência da consulta aos compêndios dos mestres, como Pontes de Miranda, Nelson Hungria, Frederico Marque Caio Mário, Beviláqua Becaria, Carnelutti e outros, a referência a um julgado clássico, a transcrição de uma frase de Calamandrei, Leone ou Galeno Lacerda, não soam como dantes. O tempo é o da celeridade, economia de palavras e objetividade. Tudo urge, ainda no temor de que em breve aconteça a robotização das sentenças ou a impessoalidade do copia e cola.

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Todavia devem remanescer ainda os conselhos de Ruy Barbosa em sua obrigatória Oração aos Moços: “Vulgar é o ler, raro é o refletir. Há que se estudar e estudar. Há trabalhar e trabalhar”. Mas como foi-se o tempo de subir escadas para catar os manuais, há de se completar os momentos de meditação e ócio com escritos que valorizem o conhecimento e contribuam para o progresso pessoal. Aqui se sugere atenção o itinerário do letrado José Roberto de Castro Neves, de quem, há meses, recomendara a amigos “O espelho infiel: uma história humana da arte e do Direito”, onde com originalidade o autor desvela o jurídico através das pinturas e aquarelas. Como advogados, juízes, promotores, defensores e entusiastas do Direito tomam o hábito de ler textos excessivamente técnicos ou acadêmicos, “falta-lhes abrir a cabeça e o coração para a grande literatura da humanidade, a que “o leitor voraz e advogado praticante “ Castro Neves se dedica para “celebrar o humano e a literatura” como registra sua fecunda bibliografia.

Pontua-se com o título “Como os Advogados Salvaram o Mundo. História da Advocacia e Sua Contribuição para a Humanidade”, imprescindível, uma a saga sobre as Instituições Jurídicas, as codificações, os grandes oradores e revoluções; ou seja, um verdadeiro curso de especialização em Direito, onde se foge do “juridiquês” em prol da fácil assimilação de conceitos e sistemas. Há dele nas sumas, como complemento, “O Direito e a Literatura. O que os Advogados e Juízes Fazem com as Palavras”, “O Direito em Shakespeare”, “O Mundo Pós-Pandemia” e até o surpreendente “Os Advogados Vão ao Cinema e 39 Ensaios sobre a Justiça e Direito em Filmes Inesquecíveis”, escritos por 39 causídicos sob a coordenação de Castro Neves, portanto um roteiro agradável e inusitado para os lazeres e bonomia. O ingresso da Castro Neves na Academia Brasileira de Letras consagra e atesta, além do erudito e comprometido medianeiro, um intelectual de rara cultura humanística, jurídica e literária.

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