MENU

Identifique-se!

Se já é assinante informe seus dados de acesso abaixo para usufruir de seu plano de assinatura. Utilize o link "Lembrar Senha" caso tenha esquecido sua senha de acesso. Lembrar sua senha
Área do Assinante | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler

Ainda não assina o
Minuano On-line?

Diversos planos que se encaixam nas suas necessidades e possibilidades.
Clique abaixo, conheça nossos planos e aproveite as vantagens de ler o Minuano em qualquer lugar que você esteja, na cidade, no campo, na praia ou no exterior.
CONHEÇA OS PLANOS

Quem tem medo de pós-modernidade?

Em 06/03/2026 às 13:53h, por Clara Silveira

Ah, doutor, como eu queria meus almoços de domingo de volta! Aqueles em que a comida era só um detalhe diante das risadas, das histórias antigas e da sensação de pertencimento. Quero de volta aquele caos familiar onde as diferenças existiam, mas ninguém tava disposto a perder um prato de lasanha por elas.

A família, que sempre foi um refúgio, um porto seguro, agora se dividiu.

Metade dos nossos, que antes se reuniam com naturalidade, hoje optam por não aparecer. Não é que estejam ausentes por algum imprevisto. Estão ausentes porque a política, essa entidade invisível e poderosa, se meteu entre nós. 

Cada um fincou pé em sua trincheira, e o que antes era laço virou abismo – um vão que, a cada dia, parece mais difícil de transpor.

De um lado, temos a esquerda pós-moderna, que desconstrói até o ar que respira – e, claro, acusa o ar de opressor. Para esse grupo, o problema é qualquer estrutura fixa, pois tudo deve ser questionado, tudo precisa ser reconstruído. Mas é uma desconstrução que, ao se tornar incessante, vai ao extremo, desfazendo laços e alienando as pessoas em pequenas bolhas onde cada um fala apenas consigo mesmo. Para eles, até um “bom dia” é uma questão política. Só que, doutor, nesse processo de desmantelar todas as estruturas, acabam criando um labirinto onde se perde o sentido de comunidade e onde a interação humana é filtrada por uma lente de suspeita e tensão. Com ardor quase messiânico, a galera do amor persegue todes “intolerantes” que não se adequarem ao dogma do momento.

Do outro lado, temos a direita – que supostamente tem horror à pós-modernidade, mas que também questiona grandes narrativas, relativiza a verdade e dá ênfase na identidade e na cultura. Nostálgica de um passado que ela mesma inventou, onde tradição era sagrada e as pessoas “sabiam o seu lugar”, a direita tenta culpar o feminismo, o movimento negro e a luta LGBT+ por todas as mazelas do presente. É curioso, porque, para o cidadão de bem, o problema do mundo é que perdemos os valores de antigamente. Mas que valores são esses? Enquanto combatem a “cultura woke”, cometem pequenas sociopatias diárias, desde o desprezo à empatia até a promoção de um cristianismo narcisista que tem fariseus por líderes religiosos.

A esquerda pós-moderna, com seu compromisso com a “desconstrução total”, e a direita pós-moderna, com seu apego a uma “tradição artificial”, acabam criando uma sociedade onde todo mundo age como se estivéssemos num tribunal, sem nunca realmente ver o outro. São pequenas transgressões diárias, atos de indiferença, momentos de incompreensão, atitudes passivo-agressivas – A dinâmica do julgamento é tão intensa que as pequenas falhas viram motivos de desumanização, enquanto, no fundo, todos se veem reféns de um sistema autofágico.

{AD-READ-3}

E nesse ringue pós-moderno, ninguém vê que a vida em sociedade está desmoronando sob o peso de ideias que, embora diferentes, compartilham a mesma falha: ignoram a necessidade humana de conexão, de rituais autênticos, de espaços de troca verdadeira. Ambos os lados se perderam no brilho dos próprios discursos, se esquecendo de que a base do ser humano é a relação, a empatia e o reconhecimento de que somos todos finitos e, por isso mesmo, precisamos uns dos outros.

Mea culpa. Mea máxima culpa.

Leia Também...
Coluna Gol de Placa com Telmo Carvalho Há 19 horas por Telmo Carvalho
Sursum corda Ontem por José Carlos Teixeira Giorgis
Coluna Gol de Placa com Telmo Carvalho Há 19 horas por Telmo Carvalho
Domingo da Pinhata Há 19 horas por José Carlos Teixeira Giorgis
Coluna Gol de Placa Há 19 horas por Telmo Carvalho
Mesa na calçada Há 19 horas por José Carlos Teixeira Giorgis
PLANTÃO 24 HORAS

(53) 9167-1673

jornal@minuano.urcamp.edu.br
SETOR COMERCIAL

(53) 3242.7693

jornal@minuano.urcamp.edu.br
CENTRAL DO ASSINANTE

(53) 3241.6377

jornal@minuano.urcamp.edu.br