À sombra da matriz
Antes fora o nada e de ninguém. Por largo tempo o território pertencia a Rio Pardo. E uma Guarda que homenageava São Sebastião, o santo protetor dos militares, comandada pelo tenente dos dragões Pedro Fagundes de Oliveira. Quando Dom Diogo de Sousa aqui descansa rumo a Montevidéu, determinou que naquelas paragens se organizasse um povoado e que Pedro assumisse a direção do novo distrito. Logo os habitantes de São Sebastião se bandearam da antiga coxilha para o campo escolhido que tinha maiores recursos, água, lenha e proteção. E depois ranchos, hospital, botica, armazém. Só que a mudança deixara no acampamento quase vazio um oratório com a estátua de São Sebastião. Os novos moradores de Bagé, todavia, traziam impregnados apreciáveis sentimentos religiosos, e tanto Pedro Fagundes de Oliveira, como seu furriel Ricardo Antonio de Melo, logo trataram de trazer para seu meio a imagem do Mártir Romano, para ser venerada numa capela a erigir. Mas, para tanto, era preciso conseguir um lugar adequado para um templo e a devida licença para culto.
Em 1812 aqui apareceu o Visitador Geral do Continente Mons. Agostinho José Mendes e ao inspecionar o Oratório original, situado na fazenda de Pedro e pertencente à Freguesia de Cachoeira, distante dezoito léguas de Caçapava, encontrou vencida a autorização para dizer missa, mas ante o apelo dos moradores concordou em que prosseguissem os atos religiosos pelo prazo de um ano. Logo o padre Tomás Silveira de Matos, morador na Freguesia de Cachoeira, obtém uma provisão para “usar de Ordens”. E que tendo findados as faculdades que tinha para confessar, “ necessitava de provisão para continuar no referido magistério, para serviço de Deus e da Igreja, e como também dispensar-lhe na idade para confessar mulheres e igualmente conceder-lhe faculdades para absolver de todos os reservados e habilitar os cônjuges impedidos e para fazer as bênçãos em que não intervier óleo sagrado”.
Em vista disso foi-lhe concedida licença “para confessar homens e mulheres pela necessidade de um ano por tempo de um ano, e poderá absolver aos seus penitentes por todos os pecados exceto dos reservados atuais voluntários concubinatos e ocasiões próximas, e lhe encarrego da boa direção das almas que com ele se confessarem, de que dará conta aos Deus Nosso Senhor na parte que lhe tocar, e findo o dito tempo de um ano no qual também usará de suas ordens ficará esta de nenhum vigor e será esta apresentada ao Reverendo Vigário da Vara respectiva para fare cumprir e declarar o dia em que há de principiar”.
Tomaram-se, depois, providências para que o rancho que fora habitado pelo Cel. Eloy Portelli fosse adaptado para ser o primeiro templo. Ultimadas as obras dirigiram-se a Manoel Marques de Souza, que estava em Maldonado, e comandante da fronteira do Rio Grande, solicitando licença para mudar o oratório, que, em 3 de setembro de 1812 respondeu a Pedro Fagundes de Oliveira concordando com a transferência, recomendando recorrer ao vigário da vara da comarca, que concedeu a licença.
Concorrida procissão transladou a venerável imagem para Bagé em 20 de janeiro de 1813, dia de São Sebastião, “quando a nova povoação contava apenas um ano, seis meses, e três dias de fundada”.
Fonte consultada: “A Igreja São Sebastião de Bagé”, de Tarcísio Antonio Costa Taborda. 1975.

