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O mal-estar da civilização

Em 06/03/2026 às 13:53h, por Clara Silveira

Doutor, estou à beira de um colapso lírico-hormonal, urbano e existencial. O meu eu animal está com saudades da floresta. O meu caso é grave!

Faz uns dias que a vontade incontrolável de largar tudo e ir morar no mato me tomou por inteira. Tenho me sentido tipo bixo. Bicho mesmo. Bicho ancestral, peludo, selvagem — e absolutamente inapta a esse teatro corporativo que chamamos de vida adulta.

Outro dia me peguei pesquisando terrenos na Serra. Queria um pedaço de chão, duas galinhas e nenhuma notificação. Fantasiei acordar com o som do vento, colher hortelã, não precisar de sutiã nem de argumentos. Viver de sol, silêncio e pão feito com fermento natural, amor e calma.

Mas aí lembrei que mesmo no mato, a civilização me alcança. Porque eu, doutor, sou produto dela. Levo na bolsa Freud e no útero um calendário da vida. Onde quer que eu vá, eu vou comigo. E comigo vão também os dilemas, os impulsos, as pressões.

A civilização, essa nossa tentativa desesperada de convivência organizada, cobra um preço. E todo mês esse preço chega em forma de cólica, choro súbito e vontade de exílio.

Na civilização, tudo é polido, controlado, filtrado. A gente sorri com raiva, diz “tudo bem” com ódio, e posta fotos sorrindo enquanto a alma grita por uma rede pra dormir. Os impulsos têm que ser domesticados, os desejos organizados em planilhas e os sentimentos guardados em pastas zipadas. Mas o meu corpo, doutor, é ligado à terra, e todo mês eu rejeito esse acordo civilizatório. A TPM me transforma numa pequena anarquista hormonal. Uma mulher pré-histórica em conflito com a vida pós-moderna.

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Eu sei, eu sei… o mato que eu procuro é menos geográfico e mais simbólico. Um lugar interno onde eu possa ser selvagem sem ser mal interpretada. Um lugar onde eu possa dizer o que sinto sem parecer instável, onde o instinto não seja um crime e a fragilidade não seja fraqueza.

Por enquanto continuo aqui, civilizadamente revoltada, sonhando com o mato e te escrevendo com os olhos marejados e a paciência em frangalhos. Quero fugir!

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