José Obino, Caetano Ribeiro, Giovannini e Antonio Cândido
Deixando Bagé em 1867, após breve presença de apenas cinco anos — período em que projetou e executou a construção da Igreja Matriz —, apesar da reputação e apreço, Obino instala residência e escritório na Rua Riachuelo, nas imediações do Theatro São Pedro. E oferece seus préstimos para execução, por empreitada ou administração, de todo tipo de trabalho de arquitetura, inclusive nos cemitérios.
Entre suas obras, alinham-se a urbanização da Praça Matriz, que restou inconclusa. Pretendia que o local se tornasse um logradouro com jardins, bosques, chalés e, ainda, um teatro — proposta amplamente aplaudida, mas com uma restrição: o local escolhido, no Largo do Paraíso, era ocupado por áreas verdes, uma das mais raras na capital.
Após o falecimento de Obino, em 1879 — dois anos após a constituição de sua firma —, seus sucessores nos empreendimentos foram o marmorista Egisto Girolami e o ornatista Raineri Fortini. Assim, além de novas residências, com pinhas, jarras, pirâmides, cornijas e frisos; e jardins com chafarizes, pérgolas e balaústres, também sobressaía a arte cemiterial, especialidade da empresa, com jazigos, mausoléus, lápides e urnas funerárias, muitas vezes anunciadas em verso:
“Marmóreas pedras, cheias de lavor
Que ricas há no Obino Sucessor
Pedras diversas / pra várias tumbas,
Pra campas rasas, pra catacumbas
Anjos famosos, de largas asas,
Pétreos archotes, ardendo em brasas
Meigos anjinhos, de gesto brando,
Ali, de joelhos, estão rezando
Brancos arcanjos em mausoléus,
De braço erguido, mostram o céu
Ter lousa rica — oh, que prazer,
Nos dá vontade de morrer.”
Outros escultores foram os irmãos Plácido, Caetano e Serafim Ribeiro. Consta que Caetano, o mais velho deles — que se afirmou em Rio Grande —, era marceneiro operoso e um esforçado entalhador. Segundo Athos Damasceno, no Rio Grande do Sul oitocentista — como no Brasil inteiro —, seus marceneiros, esquadrieiros e entalhadores eram mais “operários de sacristia” e os escultores, quase todos, “santeiros”. Assim, Caetano José Ribeiro seria o autor de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, encomendada para a Igreja da Vila de Bagé em 1856, e que, antes de empreender viagem para a cidade fronteiriça, foi exposta em Rio Grande, recebendo enormes elogios “pela perfeição com que o trabalho estava consumado”. Revela o referido escritor que Eurico Salis, autor de uma das primeiras histórias da cidade, não faz a ela qualquer referência — o que não desmerece a informação, ainda em busca de conferência.
Também deve ser incluída nesta súmula a presença de Ricardo Giovannini, cenógrafo e ator cômico da Companhia Lírica Italiana de Óperas Bufas, que improvisava quadros em cena aberta, como pintar uma marina a óleo à vista do público e em cinco minutos. Numa de suas viagens ao Estado, decidiu fixar-se, dissolvendo o conjunto de que fazia parte, ao aceitar proposta para a pintura, decoração e cenografia do Teatro Sete de Abril, em Bagé. Veio e gostou. Radicando-se aqui como pintor, associou-se a seu compatriota José Grecco, “próspero e conceituado fotógrafo”, aqui permanecendo por vinte anos e deixando seu nome ligado a bom número de peças de desenho e pintura. Em 1889, fez exposição em Porto Alegre, destacando-se o retrato em óleo do General Silva Tavares.
{AD-READ-3}O general Joca Tavares também foi retratado em um desenho a crayon, da lavra do pintor Antônio Cândido de Menezes, que primava pelos efeitos de luz e perspectiva — predicados singulares do lápis do “infatigável artista”, falecido um ano e pouco depois, vítima de arteriosclerose.
Cabe aos pintores, escultores, gravuristas e demais praticantes das Artes Plásticas em Bagé fazerem um censo do que aqui já se produziu. Quem sabe, um seminário, aberto ao público, tendo como tema a Igreja Matriz vista em suas múltiplas faces? Seria uma oportunidade para os bajeenses se tornarem mestres na ciência de seu maior símbolo.

