MENU

Identifique-se!

Se já é assinante informe seus dados de acesso abaixo para usufruir de seu plano de assinatura. Utilize o link "Lembrar Senha" caso tenha esquecido sua senha de acesso. Lembrar sua senha
Área do Assinante | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler

Ainda não assina o
Minuano On-line?

Diversos planos que se encaixam nas suas necessidades e possibilidades.
Clique abaixo, conheça nossos planos e aproveite as vantagens de ler o Minuano em qualquer lugar que você esteja, na cidade, no campo, na praia ou no exterior.
CONHEÇA OS PLANOS

Colunistas

Rodrigo Tavares

  • Escritor e advogado

O homem que se afogava e ninguém salvou

Em 06/03/2026 às 13:53h, por Rodrigo Tavares

Era fim de tarde quando o banhista entrou no mar. As águas estavam calmas, o céu limpo, nenhuma sinalização de perigo. Mas o que ele não sabia — e ninguém havia previsto — era que, por trás daquela superfície tranquila, uma corrente traiçoeira se formava. Em poucos minutos, o mar o puxou para longe da margem. Ele tentou nadar de volta, tentou manter a calma, usou toda a força que tinha. Mas quanto mais se esforçava, mais distante ficava da segurança.

Desesperado, gritou por socorro.

Na areia, os salva-vidas foram alertados. Pegaram o jet ski, apontaram na direção do homem e chegaram perto. Mas, em vez de jogar a boia ou puxá-lo, começaram a discutir. Um deles dizia que talvez ele devesse ter evitado o mar naquele horário. Outro ponderava que o resgate poderia criar precedentes. Um terceiro sugeria que era melhor esperar um pouco, ver se ele se salvava sozinho. Afinal, os custos do resgate eram altos. E assim, entre análises, prazos e cálculos, o homem seguia se afogando.

Essa história não aconteceu, mas é exatamente o que está acontecendo com o produtor rural brasileiro.

Há anos, ele mergulhou no mar da produção. Planta, colhe, cria, investe, emprega, alimenta o país. Faz tudo que se espera dele. Mas ninguém controla as correntes: a estiagem, o excesso de chuva, a queda de preços, a alta dos insumos, as dívidas que se acumulam com os anos. E agora, esse produtor está se afogando. A boia, todos sabem qual é: chama-se securitização. Não mais prorrogar a última dívida — mas refinanciar as cinco, seis últimas safras, com um prazo realista, de no mínimo vinte anos. Não é um favor. É o mínimo necessário para salvar quem segura a base da economia nacional.

Só que, como os salva-vidas da história, o governo parece hesitante. Debate, pondera, espera. Enquanto isso, o produtor afunda um pouco mais.

Há algo profundamente errado em um país que salva bancos em toda crise, mas hesita em salvar quem o alimenta. O mesmo Estado que injeta bilhões em instituições financeiras, agora mede centavos para resgatar o setor primário. Um setor que não só alimenta o Brasil, mas sustenta o PIB, gera emprego, movimenta cidades inteiras.

{AD-READ-3}

Securitizar não é premiar inadimplentes. É entender que ninguém atravessa um mar revolto sozinho — e que quem se arriscou a nadar por todos nós não merece afundar enquanto há jet skis parados na areia.

Porque quando o produtor rural afunda, não é só ele que se perde. É o Brasil que vai com ele.

Leia Também...
Coluna Gol de Placa com Telmo Carvalho Há 19 horas por Telmo Carvalho
Sursum corda Ontem por José Carlos Teixeira Giorgis
Coluna Gol de Placa com Telmo Carvalho Há 19 horas por Telmo Carvalho
Domingo da Pinhata Há 19 horas por José Carlos Teixeira Giorgis
Coluna Gol de Placa Há 19 horas por Telmo Carvalho
Mesa na calçada Há 19 horas por José Carlos Teixeira Giorgis
PLANTÃO 24 HORAS

(53) 9167-1673

jornal@minuano.urcamp.edu.br
SETOR COMERCIAL

(53) 3242.7693

jornal@minuano.urcamp.edu.br
CENTRAL DO ASSINANTE

(53) 3241.6377

jornal@minuano.urcamp.edu.br