O Barão de Bagé
Paulo José da Silva Gama foi um militar e político brasileiro, conhecido mais tarde como Primeiro Barão de Bagé. Nasceu em Nossa Senhora das Mercês – Lisboa, Portugal, em 29 de março de 1748, tendo sido governador da então província de Maranhão e também governador da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, de 30 de janeiro de 1803 a 9 de outubro de 1809.
Era filho dos portugueses Manuel da Silva Álvares, tenente-coronel, e de Teodora Joaquina da Gama. Casou-se em 1779, no Rio de Janeiro com Maria Joaquina Perpétua, com a qual teve quatro filhos: Theodoro José da Silva Gama, Paulo José da Silva Gama Filho, o segundo barão de Bagé, Henriqueta Emília Perpétua da Gama e Maria Candida Perpétua da Gama.
Alistou-se voluntariamente no Exército Português em 2 de março de 1763, sendo transferido para a Marinha no mês seguinte, onde foi promovido a Tenente de mar em 9 de novembro de 1768. Veio para o Brasil na nau Santo Antônio e depois passou a servir na fragata Príncipe do Brasil, que fez parte da frota denominada Esquadra do Sul, à qual foi dada em maio de 1777 a missão de defender a Ilha de Santa Catarina, ameaçada pelo General espanhol D. Pedro Antônio de Cevalos, audaz e impetuoso guerreiro, que infligiu às armas portuguesas, nessa e noutra ocasião, causando danos irreparáveis.
Sempre dedicado, ascendeu aos postos da hierarquia militar em recompensa de bons serviços prestados à bandeira de seu país; somente depois de elevado a Chefe de Esquadra teve comissões em terra, apresentando também competência administrativa. Em janeiro de 1803, assumiu o cargo de Governador da Capitania do Rio Grande do Sul, para o qual tinha sido nomeado em 18 de outubro de 1801.
Durante o governo do Rio Grande do Sul realizou importantes obras na cidade de Porto Alegre, entre elas a abertura do Caminho Novo (hoje Avenida Voluntários da Pátria). Fez a doação à Câmara Municipal das áreas que hoje são o Parque Farroupilha e o Aeroporto Internacional Salgado Filho, calçou diversas ruas, apoiou a criação da Casa da Ópera, e fez construir o primeiro trapiche (armazém para exportação) da Alfândega. Participou da fundação da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, onde foi o seu primeiro provedor.
Durante seu governo a Capitania do Rio Grande de São Pedro, subordinada à Capitania do Rio de Janeiro, foi desanexada da capital do império, tornando-se a Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul. Foi a maior, e a mais substancial e importante modificação até então verificada no governo da Capitania do Rio Grande de São Pedro. A real decisão foi expressa em carta-patente de 19 de setembro de 1807, representando o estabelecimento do governo rio-grandense independente, subordinado apenas ao vice-rei e capitão-general do Estado do Brasil.
Em sua gestão, começaria a expansão do povoamento do Rio Grande do Sul, surgindo as vilas de Porto Alegre, de Rio Grande, de Rio Pardo e de Santo Antônio da Patrulha. Segundo Gama, a criação de mais vilas (cidades) no Rio Grande do Sul, garantiria o povoamento do território, para uma maior segurança, principalmente nas fronteiras. Em 13 de maio de 1811, foi nomeado Capitão-General e Governador da Capitania do Maranhão.
Paulo Gama também foi almirante, sendo nomeado ministro do Superior Tribunal Militar, em 13 de janeiro de 1818. Em 26 de março de 1821, recebeu por decreto imperial o título nobiliárquico de Barão de Bagé, e com as grandezas de reconhecimento, sendo concedidas em 22 de janeiro de 1823. Esse título faz referência ao então povoado gaúcho de Bagé, significando de acordo com o decreto “cerro” em charrua. Paulo Gama foi agraciado por seus relevantes serviços e por sua importante contribuição no progresso do Rio Grande do Sul.
Logo após a proclamação da independência por Dom Pedro I, Gama e outros almirantes, que se encontravam no Rio de Janeiro, espontaneamente declararam aderir à nova nacionalidade brasileira, prestando em 25 de março de 1824 o sublime juramento, na Capela Imperial. A cerimônia de juramento foi reproduzida em grande tela pelo emérito pintor Jean Baptista Debret. Sua última função no Império do Brasil, foi de Conselheiro de Guerra, cargo que ocupava desde 1818.
Mais tarde, o título passou para seu filho, o militar Paulo José da Silva Gama Filho, que ficou conhecido como o Segundo Barão de Bagé. Faleceu no Rio de Janeiro, em 22 de março de 1826, e foi sepultado no Convento de Santo Antônio.
{AD-READ-3}Referências:
GAMA, Paulo José da Silva. Capitania de São Pedro do Rio Grande: correspondência do governador Paulo José da Silva Gama (1802-1809). Porto Alegre: CORAG 2008
LAGO, Laurênio. Brigadeiros e Generais de D. João VI e D. Pedro I no Brasil: dados biográficos 1808 – 1831. Rio de Janeiro: Imprensa Militar, 1938
MIRANDA, Márcia E. O Continente de São Pedro: Administração Pública no Período Colonial. Porto Alegre: Assembléia Legislativa do Estado do RS/ Ministério Público do estado do RS/ CORAG, 2000.
NOGUEIRA, Nerci. Nos Primórdios de Bagé/História do Povoamento Conquistas e Limites de Bagé/Desde os tempos de Sepé Tiaraju, 2023

