MENU

Identifique-se!

Se já é assinante informe seus dados de acesso abaixo para usufruir de seu plano de assinatura. Utilize o link "Lembrar Senha" caso tenha esquecido sua senha de acesso. Lembrar sua senha
Área do Assinante | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler

Ainda não assina o
Minuano On-line?

Diversos planos que se encaixam nas suas necessidades e possibilidades.
Clique abaixo, conheça nossos planos e aproveite as vantagens de ler o Minuano em qualquer lugar que você esteja, na cidade, no campo, na praia ou no exterior.
CONHEÇA OS PLANOS

O Absoluto frágil

Em 08/02/2026 às 15:47h, por Clara Silveira

Doutor, lhe escrevo porque preciso confessar um pecado: dia desses eu rezei!

Sim, logo eu, que acredito no Deus de Spinoza, me pequei falando com o divino. Implorando pro Absoluto descer das alturas e sussurrar no meu ouvido as respostas da prova que eu estava prestes a fazer...

Já houve um tempo em que esse grito silencioso travestido de liturgia abalaria o meu espírito racional, mas foi justamente um marxista ateu que me convenceu a voltar a rezar. Slavoy Zyzek tem essa ideia brilhante de que o cristianismo apresenta um paradoxo: Deus, o ser absoluto, decide se tornar frágil, mortal, carne e osso. Um Deus que sofre, que chora, que enfrenta as piores crises existenciais. Um Deus que poderia, tranquilamente, frequentar o seu divã.

E foi pensando nisso que me ocorreu: se até o Absoluto se permite ser frágil, por que eu, mera mortal, não posso me dar ao luxo de recorrer ao improvável? E assim, numa espécie de colapso racional, decidi rezar. Lá estava eu, metaforicamente ajoelhada tentando puxar papo com o único amigo imaginário que a razão me fez abandonar. Foi algo tipo: “Deus, olha, sei que a gente não se fala faz um tempo, mas, se puder dar uma forcinha na prova, prometo tentar ser menos teimosa com essa coisa de ateísmo. Pelo menos até corrigirem o gabarito”.

Acho que Zyzek tem razão, os absolutos só fazem sentido quando aparecem na nossa fragilidade, no caos do cotidiano. E eu, que tenho mania de andar sempre acompanhada dos meus amigos imaginários, resolvi deixar a neurose ateísta de lado e voltar a falar com o Absoluto. É como se naquele momento eu tivesse feito um pacto silencioso com a minha própria incoerência. Por que não? Ser ateia, racional e rezar, tudo ao mesmo tempo sem nenhuma contradição resolvida.

{AD-READ-3}

Depois que a minha fragilidade ganhou a sua própria liturgia, a oração virou uma espécie de gabarito emocional que preencho no escuro. Não me ajudou a passar naquele concurso, mas talvez tenha me ajudado a ter mais fé da vida.

E sim, doutor, na próxima prova rezarei de novo. Vai que o Absoluto frágil resolve ser generoso no segundo round.

Leia Também...
Coluna Gol de Placa com Telmo Carvalho Há 19 horas por Telmo Carvalho
Sursum corda Ontem por José Carlos Teixeira Giorgis
Coluna Gol de Placa com Telmo Carvalho Há 19 horas por Telmo Carvalho
Domingo da Pinhata Há 19 horas por José Carlos Teixeira Giorgis
Coluna Gol de Placa Há 19 horas por Telmo Carvalho
Mesa na calçada Há 19 horas por José Carlos Teixeira Giorgis
PLANTÃO 24 HORAS

(53) 9167-1673

jornal@minuano.urcamp.edu.br
SETOR COMERCIAL

(53) 3242.7693

jornal@minuano.urcamp.edu.br
CENTRAL DO ASSINANTE

(53) 3241.6377

jornal@minuano.urcamp.edu.br