João da Silva Tavares
João da Silva Tavares foi um importante militar, conhecido também como Visconde de Serro Alegre. Nasceu na Estância Bom Jardim, em Herval, no dia 12 de março de 1792. Era filho do casal açoriano José da Silva Tavares e de Joana Maria dos Santos, que radicou-se em Herval do Sul. Teve quatro irmãos e foi o único que se aliou aos imperiais na Guerra dos Farrapos. Era casado com Umbelina Nunes, com quem teve 18 filhos, sendo pai do Barão de Itaqui, Joca Tavares, e do Barão de Santa Tecla, Joaquim da Silva Tavares.
A trajetória de Silva Tavares é caracterizada principalmente por sua atuação na guerra e na política, percorrendo diferentes caminhos durante o Império que se construía no Brasil.
Bem cedo ingressou no exército, como soldado, participando da invasão do Uruguai, comandada pelo general Carlos Frederico Lecor em 1816, lutando ao lado de Bento Gonçalves na Primeira Guerra Cisplatina (ou Guerra contra Artigas), entre 1816 e 1820, na qual tornaram-se amigos e compadres.
Foi comandante de companhia e de distrito, sendo juiz de paz em Herval. Entrou na carreira política, onde foi eleito deputado provincial para a 1.ª Legislatura da Assembleia Legislativa Provincial e comandante militar da fronteira de Jaguarão, no lugar de Bento Gonçalves, pouco antes da Revolução Farroupilha. Foi convidado pelo próprio Bento, três dias antes da guerra, a participar da revolução, o que negou, afirmando que seria opositor ao movimento.
Nos dias que antecederam o 20 de setembro de 1835, Tavares foi avisado de que seria preso. Refugiou-se a uma légua de sua casa e preparou-se para reagir. No dia 22, a moradia foi atacada e os rebeldes repelidos e perseguidos. Esse teria sido o primeiro confronto da Guerra dos Farrapos. A presença de castelhanos no assalto a sua fazenda reforçou sua convicção, de que os revoltosos apoiavam a separação da província e, no futuro, mais facilmente anexariam às terras do prata.
Por sua lealdade ao governo imperial, Silva Tavares acabou nomeado comandante da fronteira de Jaguarão, em abril de 1834. Um ano depois, seu comando foi ampliado para Rio Grande, Rio Pardo e Alegrete.
Seu primeiro combate, com suas forças juntas às de Manuel Marques de Souza, foi na Batalha de Arroio Grande, vencendo o capitão Manuel Antunes. Lutou com seu filho, Joca Tavares, contra Antônio de Sousa Neto, na Batalha do Seival, sendo por ele derrotado. Atacado e sitiado perto de Arroio Grande pelas forças de Davi Canabarro, foi obrigado a capitular, sendo feito prisioneiro e enviado ao Uruguai. Sob a guarda do capitão Menino Diabo com alguns outros companheiros e sob a ameaça de fuzilamento, conseguiu, em 5 de fevereiro de 1837, fugir e formar uma nova brigada.
O irmão de João da Silva Tavares, Serafim da Silva Tavares, nunca participou da Revolução Farroupilha, mas mesmo assim foi preso, acorrentado e enviado para Pelotas, onde depois de interrogado, foi solto pelo general João Manuel de Lima e Silva.
Auxiliou o General Manuel Luís Osório, enviando tropas para reforçar suas forças na Guerra do Paraguai.
Foi agraciado com os títulos de barão de Cerro Alegre, em 6 de setembro de 1859, barão com grandeza, em 29 de agosto de 1869, e visconde com grandeza, em 22 de abril de 1871. Faleceu no município de Bagé, em 27 de março de 1872.
Uma curiosidade é que seu túmulo está próximo ao do General Neto no Cemitério Municipal de Bagé, seu inimigo durante a Guerra dos farrapos.
{AD-READ-3}Referências:
SILVA, Getúlio Dorneles da Silva. Herval e a Revolução Farroupilha.2018
NUNES VIEIRA, José Cypriano. O Fundador do Herval. 1988

