Baú da memória
O Rio Grande do Sul comemora os 150 anos da imigração italiana, fato ocorrido em 20 de maio de 1875, município de Nova Milano, hoje Farroupilha. Foram pioneiras as famílias Crippa, Sperafico e Radaelli. Antes disso, contudo, os historiadores registram a existência de outros núcleos também patrocinados pelo governo central. O Império os havia atraído com a promessa de prosperidade, o que sensibilizara grupos do Vêneto, Lombardia e Tirol, vítimas da difícil situação econômica, a se aventurarem para o empreendimento colonizador.
Conta-se que a viagem através do Oceano Atlântico durava cerca de um mês. Os primeiros Giorgis, Bernardo e Bernardino, sairam da Itália em 1858, chegando a Montevidéu três meses depois, com intenção de atingir Dom Pedrito, em busca de seu tio Antonio Barbieri. Meu avô Pietro Paolo, irmão de Bernardino, chegou em 1874, radicando-se em Pelotas.
Tempos depois, quando mascateava em Dom Pedrito, Pietro encontra amor em Carlinda Leal Severo. O resto é genealogia. Prósperos em suas atividades (Bernardo, Bernardino, Paolo, Paolino) fazem fortuna. E adotaram o hábito de viajar com constância para a Itália, privilégio reservado aos filhos varões. Meu pai e seu irmão Constantino, quando adolescentes, estudaram em Domodossola, comuna da região do Piemonte, Novara.
Dista algo como 120 quilômetros de Milão. Os Giorgis são de Crana, antiga vila perto da Suíça e do Lago Maggiore, que em 1995 se fundiu com outros municípios, tornando-se Onsemone, segundo a enciclopédia. Pois em uma Cartolina (Postal) meu pai anotou um destes “bate pronto” de ida e volta. Aos 21 anos, Bernardino partia de Montevidéu em 28 de junho de 1913, a bordo do “vapore Duca di Genova”, 1ª Classe, cabine N5, leito 2. Chega a Dacar em 9 de julho e a Barcelona no dia 14. É “arrivato” a Gênova, em 18 de julho e daí, naturalmente, rumo a Crana. Retornaria da Itália, ainda partindo de Gênova, em 4 de setembro de 1913, agora no “Duca D’Aosta”, 1ª Classe, cabine 12, leito 2. Barcelona, dia 5 de setembro; Dacar, dia 9 de setembro, Santos, dia 18 e Montevidéu, no dia 20 de setembro. O número 2 para leito faz presumir a companhia de meu tio Constantino. E la nave va.
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Em 6 de junho de 1991, no Palácio Piratini, o governador Alceu Collares assinou um protocolo de intenções, junto com o então Ministro da Educação Carlos Chiarelli, para a construção do primeiro CIEP Rural, a ser localizado no interior de Bagé. A União, para tanto, destinaria Cr$ 450 milhões. O CIEP Rural ou Escola Agrícola de 1º grau destinava-se à profissionalização de filhos dos agricultores, visando prepara-los dentro de modernas técnicas de produção, de modo a impedir que viessem a se instalar nos centros urbanos, aumentando os cinturões de miséria, segundo frisou o ministro Chiarelli.
A Prefeitura de Bagé, assim como o Ministério de Agricultura e o Governo do Estado, comprometia-se a fornecer uma área de 50 hectares, para a construção do prédio; e o ministro adiantava que logo que recebesse a área legalizada, teria condições de assinar o convênio, iniciar a construção e equipá-lo, inclusive com modernos laboratórios para pesquisa, isso dentro de 15 dias. Collares sinalizou estar-se vivendo uma nova fase política do Rio Grande do Sul e que “o povo sem educação é sempre carregador de água e lenha para os povos desenvolvidos”. Também pediu ao ministro que intercedesse junto ao presidente Collor para resolver o problema da dívida do Estado”. (ZH, 6.6.91).
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Ainda em junho de 1991, o prefeito em exercício Antônio Ferreira, ratificou solicitação feita como vereador à Casa Civil do Estado e renovada então, ao Dr. Mathias Nagelstein, presente em Bagé, visando a desapropriação pelo Governo Estadual, da área inacabada do Cine Hotel Consórcio, a fim de que o Executivo gaúcho construísse no local o Teatro Municipal. Após a construção, segundo a solicitação de Antônio Ferreira, o Teatro seria entregue à Prefeitura Municipal para sua manutenção e administração (Correio do Sul, 22.06.91).

