Dom Pedro II em Bagé
D. Pedro I apenas andou perto de Bagé. Face à questão na Cisplatina, o Imperador projetou uma viagem ao Sul em apoio das tropas o que viria a ocorrer em 1826. Seu navio aportou na Vila N.S. do Desterro, onde consumiu algum tempo visitando locais catarinenses. Depois foi a Torres marcando presença, daí seguindo para Rio Grande e São José do Norte, onde viria a saber do falecimento de D. Leopoldina, obrigando-se, e com suspeita calma, a retornar ao Rio de Janeiro (janeiro de 1827). Contudo permaneceu alguns dias em Porto Alegre, de novo vai a Torres, depois Desterro e finalmente Rio.
Já Dom Pedro II costumava registrar suas viagens em “diários, cadernetas e apontamentos”, distribuídos em 43 peças ou em cartas para seus familiares. Nelas nada se achou no espaço entre 10 de julho e 9 de novembro de 1865, ocasião da vinda ao Rio Grande. No dia 10 de julho assistiu a rendição de Uruguaiana na vitória contra Solano López. E daí as notas remetem para uma ida a Pelotas em 26 daquele mês. O historiador Clemenciano Barnasque, com base em cronista da época, narra a acolhida na cidade fronteiriça, referindo que o monarca fora recepcionado pelos generais Porto Alegre, Tamandaré e Barão do Jacuí (Francisco de Abreu, o Moringue), mais os generais aliados Mitre, Flores e Paunero. E que Sua Majestade estava acompanhado pelos dois genros, o conde D’Eu e o Duque de Saxe, dos ajudantes de campo os marechais Marquês de Caxias e Cabral, do almirante De Lamare, do cirurgião-mor Dr. Meirelles e um piquete de lanceiros.
A visita, todavia, foi descrita pelo Conde D’Eu, que o acompanhou neste evento. Dom Pedro II chegou a Bagé às 9 horas do dia 16 de julho de 1865. O escritor disse ali que era uma “cidade de ruas largas, o que dá alegre aspecto um sol brilhante e número infinito de bandeiras europeias (espanholas, portuguesas, francesas, italianas, suíças). Quase que não há uma casa que não tenha bandeira, e, ao vê-las, fica-se sem saber onde é que mora a população brasileira de Bagé”, arrematando com a afirmação de que “Bagé está muito graciosamente situada entre várias colinas”.
Sabendo da aproximação da comitiva, João da Silva Tavares, o Barão de Cerro Alegre, comandante militar da cidade, à frente da brigada que constituía o núcleo ativo estacionado, foi encontra-la no Piraí, ali pernoitando na margem esquerda. De manhã prosseguiram o périplo, entrando em Bagé, onde a população aclamou o Imperador e seu séquito. Na Igreja de São Sebastião foi entoado um Te Deum, e uma cerimônia de beija-mão. Cerca do meio-dia, os itinerantes se retiraram para a “elegante casa do Sr. Soares Paiva”, onde os aguardava “um copioso almoço e aposento muito confortáveis”. À tarde a programação constou de visita aos quartéis e recepção na Câmara, além de inspeções aos estabelecimentos oficiais O Imperador continuou a examinar as escolas e outras instituições, o que demonstrava “o zelo na fiscalização do ensino e dos bens públicos”. Na manhã bastante fria do dia 18, às 5 horas, seguem para Pelotas, “levando as melhores impressões desta cidade”, como se deduz das observações do Príncipe Gastão de Orléans.
Referências: “Ephemerides Rio-Grandenses”, Clemenciano Barnasque, 1928; “Bagé de ontem e de hoje”, Tarcísio Taborda, 2015.

