Reflexões humanas e sociais através da sétima arte
Caro (a) leitor (a), há uns dias atrás me coloquei no lugar de vocês para questionar sobre o quanto estes artigos de opinião possam estar de certa forma agregando algum valor e até mesmo de informação para quem os lê. Penso que os operadores do Direito quando escrevem, muitas vezes, acabam comunicando-se através de “juridiquês”, conhecida linguagem um tanto rebuscada, mas da mesma forma inadequada quando se trata da compreensão para pessoas que não são do “meio” jurídico. Assim, trago hoje algumas reflexões que me foram provocadas e que possa estar a despertar você também, se assim desejar, através da arte, que é uma das formas de transcender a nossa consciência, refletir sobre a realidade, expressar nossos sentimentos.
E me refiro mais precisamente à sétima arte, popularmente conhecida como cinema, que além de nos proporcionar entretenimento, é uma forma de compreendermos a história, o comportamento humano e nosso lugar no mundo, nos fazendo pensar “fora da caixa”, através de um dos pilares importantes da nossa cultura. Filmes, séries, documentários mostram histórias que se desenrolam no tempo, e elas se contextualizam de todo modo, inclusive gerando discussões pertinentes e relevantes na sociedade que envolvem as minorias sociais, que é o centro da coluna de hoje.
Indo direto ao assunto, assisti um filme, um daqueles que conta a história de pessoas que superaram desafios, longas que abordam lutas contra discriminação, preconceito e vulnerabilidade social, mas relatam também exemplos de inspiração e superação de vida, este que tem como título Imparável, que está disponível na plataforma de streaming Prime Vídeo, da Amazon.
O longa nos leva a pensar o quão difícil e doloroso é viver em uma sociedade capacitista e preconceituosa, e não só isso, nos sensibiliza e causa empatia por enxergarmos a vida além de nós mesmos, do nosso próprio contexto, já que é impossível não se emocionar com a determinação de Jharrel Jerome, que atua brilhantemente para dar vida a história real do lutador Anthony Robles, que mesmo sem a perna direita se torna tricampeão mundial da modalidade.
E sem deixar de tratarmos neste artigo sobre o Direito, sabemos que capacitismo é crime no Brasil, e penaliza atos que violam os direitos das pessoas com deficiência, que sofrem em situações discriminatórias e violentas, ainda que estas sejam inconscientes. Penso que em algum dia esses temas não precisem ser tão presentes e debatidos em todos os espaços, que aceitar o outro na sua individualidade com o reconhecimento das suas habilidades seja normalizada, enquanto isso acredito que a sétima arte seja uma aliada para transformar padrões de pensamento através do entretenimento e da cultura.

