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Canso, logo existo

Cheia de reflexões, crises existenciais e dilemas cotidianos, a personagem escreve para seu analista. Entre devaneios filosóficos e pitadas de humor, ela tenta entender a si mesma, o mundo ao seu redor e a loucura de ser humano. Aqui, o banal se encontra com o profundo, e o riso caminha ao lado da angústia.

Em 24/12/2025 às 13:38h, por Clara Silveira

Outro dia, resolvi enfrentar A Sociedade do Cansaço, aquele livro do Byung-Chul Han que, ironicamente, esgota a energia de muita gente só de tentar pronunciar o nome do autor. 

Lá estava eu, doutor, tentando entender por que estamos sempre tão… exaustos.

Han descreve tão bem a distopia da “sociedade de desempenho” — esse lugar onde somos os donos do nosso próprio chicote. A gente passa a vida repetindo que “temos que fazer mais, ser melhores, aproveitar cada segundo!”. Eu, particularmente, fico cansada só de pensar. 

Mas sabe porque esse coreano-alemão me deixou com uma pulga atrás da orelha?! Segundo o vivente, a gente tá preso nesse ciclo de autoexploração, porque, no fundo, gostamos disso.

Gostamos? Alguém realmente se diverte batendo a meta de passos enquanto responde ao WhatsApp do chefe no domingo e termina o documentário da vez sobre como “somos todos culpados pelo fim do mundo”? Han sugere que sim. Esse esforço descomunal nos dá uma sensação de poder. Afinal, se tudo é escolha nossa, então estamos livres para construir nossos destinos. 

Acordar antes das seis, correr 10 km, eliminar o açúcar, beber dois litros de água, maratonar cursos online — basta ter foco, força e fé.

E é justamente essa ilusão de liberdade e controle que nos deixa à beira do esgotamento, porque não adianta muito ser “o chefe de mim mesmo” quando o chefe é um tirano e o funcionário não tem folga. 

Enquanto eu lia sobre burnout, notei o cansaço vindo. Parecia que o livro me puxava para um buraco negro do autoquestionamento, mas com a promessa de que no fundo do túnel eu encontraria… mais tarefas! Porque, claro, ao entender como a “sociedade do desempenho” funciona, eu deveria agir, mudar hábitos, me desintoxicar desse modo de vida frenético. Só que mudar exige energia, planejamento, autocontrole. Exatamente aquilo que a própria sociedade sugou de mim!

Cansada dessa engenharia da minha própria vida, e decidia a achar uma saída, tomei uma decisão: aquele seria o meu dia de ócio. Ócio puro, inútil, sem moral e sem benefícios. 

Um ócio revolucionário. 

Mas, doutor, foi só eu desligar o celular pra começar a sentir um terror com aquele vazio. Uma coisa é dizer que quer descansar; outra é encarar o tempo livre sem nenhuma distração.  Minha mente, programada pra correria, não sossegava o pito: “Vai ler! Organiza uma gaveta! Faz alguma coisa criatura!”. 

Era como se o vazio se recusasse a ser vazio.     

Não sabemos mais o que fazer com o tempo. Aos poucos, nossas manhãs lentas de domingo e entardeceres à toa vão deixando de existir. Viram conteúdo, metas, otimização. A vida foi fragmentada em horas úteis e horas de descanso calculado — e o vazio, coitado, virou um pecado imperdoável. 

Por isso, decidir não fazer nada é um ato de resistência. É dizer não ao mundo que nos grita a cada segundo“seja mais!”. É desafiar um sistema que nos quer exaustos e obedientes.

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E não, doutor, sentar com o nada, olhar para o teto, ouvir o próprio respirar e deixar o tempo correr não me trouxe respostas transcendentais nem uma iluminação repentina. Mas trouxe algo igualmente raro: o direito de ser. Só fiquei ali, existindo sem utilidade. 

E o dia passou devagar, como se até o tempo tivesse cansado de tanta eficiência…
 

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