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Campo e Negócios

Relatório revela ocorrências de derivas de herbicidas hormonais no RS

Dom Pedrito, na Campanha gaúcha, foi um dos municípios gaúchos mais atingidos pelo 2,4-D

Em 02/08/2022 às 06:55h

por Redação JM

Relatório revela ocorrências de derivas de herbicidas hormonais no RS | Campo e Negócios | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Fiscalização verificou ocorrências, como em parreirais do Estado | Foto: Luciane Rubim/SEAPDR

A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) publicou, semana passada, o Relatório de Ocorrências de Derivas de Agrotóxicos Hormonais. Os dados demonstram a situação da última safra de verão (2021-2022), que registrou redução no número de denúncias, e compilam o trabalho realizado de mitigação do risco de ocorrências de deriva de herbicidas hormonais no período de 2018 a 2021.

As instruções normativas da Seapdr nº 41, que trata da venda orientada de agrotóxicos hormonais, e nº 42, sobre o cadastro de aplicadores e exigência de curso de boas práticas na aplicação de agrotóxicos em 35 municípios do Estado, foram a base legal para o trabalho realizado, além da fiscalização nas áreas de maior ocorrência.

Conforme o Relatório, 124 amostras coletadas foram analisadas para o princípio ativo 2,4-D e outros hormonais. "Do total de amostras, 96 foram confirmadas com a presença do princípio ativo 2,4-D, o que corresponde com 77,41% de contaminação. No mesmo período no ano de 2020, foram 181 amostras coletadas e 129 amostras positivas para o princípio ativo 2,4-D perfazendo um total de 71,27 % de amostras. Na safra verão de 2021, embora o percentual de laudos positivos tenha sido maior, a quantidade de ocorrências de deriva foi menor, demonstrando maior assertividade do produtor ao identificar a ocorrência de deriva e efetuar a comunicação à fiscalização", frisou o levantamento.

A análise revelou, ainda, que 72 propriedades foram atingidas por deriva de 2,4-D no ano de 2021. E, dentre os municípios com maior número de propriedades atingidas, foram destacadas as cidades de Jaguari (25), Dom Pedrito (7) e Santana do Livramento (7), "os quais somados contribuem com 54% do total de propriedades atingidas por derivas de 2,4-D em todo o Estado". Por outro lado, cidades como Candiota, Hulha Negra, Lavras do Sul, as três da Campanha gaúcha, não tiveram nenhuma deriva de 2,4-D.

“Tendo em vista que as ocorrências de deriva foram causadas por inobservância à correta aplicação dos produtos, a exigência de instrução dos aplicadores nos municípios com ocorrência, declaração de uso e orientação pela responsabilidade técnica, aliadas à fiscalização a campo, foram os meios que possibilitaram a redução de 32% das ocorrências na última safra”, avalia o diretor do Departamento de Defesa Vegetal da secretaria, Ricardo Felicetti. 

As instruções normativas 41 e 42 foram prorrogadas recentemente, com vigência em 35 municípios do Estado: Alpestre, Bagé, Cachoeira do Sul, Caçapava do Sul, Cacique Doble, Candiota, Dilermando de Aguiar, Dom Pedrito, Encruzilhada do Sul, Hulha Negra, Ipê, Itaqui, Jaguari, Jari, Júlio de Castilhos, Lavras do Sul, Maçambara, Mata, Monte Alegre dos Campos, Nova Esperança do Sul, Nova Palma, Piratini, Rosário do Sul, Santa Maria, Santiago, Santana do Livramento, São Borja, São Gabriel, São João do Polêsine, São Lourenço do Sul, São Sepé, Silveira Martins, Sobradinho, Toropi e Vacaria.

A partir de 1º de setembro, as exigências das instruções normativas passam a vigorar em todos os municípios do Estado. “O trabalho de mitigação de ocorrência de deriva na aplicação de agrotóxicos hormonais é complexo e demanda o envolvimento do poder público, responsáveis técnicos, produtores rurais, aplicadores, extensão rural, aprendizagem rural e entidades ligadas ao setor agropecuário. A discussão sobre melhorias deve ser permanente e está em constante avaliação. Não há uma solução definitiva e o trabalho é constante”, acrescenta Felicetti.

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