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Segurança

“Não vamos acompanhar esse julgamento”, dizem pais de Matheus Brondani, que morreu na tragédia da Boate Kiss

Em 30/11/2021 às 10:30h
Rochele Barbosa

por Rochele Barbosa

“Não vamos acompanhar esse julgamento”, dizem pais de Matheus Brondani, que morreu na tragédia da Boate Kiss | Segurança | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Tiago Rolim de Moura

Nesta quarta-feira, dia 1º de dezembro, terá início o júri do caso Kiss, que deve ser o mais longo da história do Poder Judiciário gaúcho. O incêndio, ocorrido em 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria, vitimou 242 pessoas e deixou outras 636 feridas. O julgamento também é considerado o mais complexo, envolvendo cerca de 200 servidores de 20 setores do TJRS, que atuam na organização, logística, segurança, comunicação e transporte. O Tribunal do Júri será presidido pelo Juiz de Direito Orlando Faccini Neto e será realizado no plenário do 2° andar do Foro Central I, na Capital, diariamente, a partir das 9h.

Na tarde de segunda-feira, dia 29, os pais de Matheus Brondani, Ana Rosa Brondani e Mário Nei Brondani, receberam a reportagem do Jornal MINUANO na Escola de Laço que leva o nome do jovem que morreu na tragédia da Boate Kiss e contaram um pouco da história da vida do estudante de Medicina Veterinária da Urcamp e, ainda, sobre como estão esperando o julgamento dos quatro réus.

O pai do jovem ressalta que não irá acompanhar o julgamento. “Não vamos acompanhar esse julgamento. Nem tenho ódio, nem interesse do que irá acontecer com esses homens que, para mim, são infelizes. Eu acredito que os verdadeiros culpados não estão no banco dos réus, que é a Prefeitura de Santa Maria e o Governo do Estado, o poder público que são os verdadeiros responsáveis”, avalia.

A mãe de Matheus, a professora aposentada Ana Rosa Brondani, diz que tem até pena dos réus. “Acho que eles não fizeram nada de propósito. Tenho apenas pena, busco a minha força em minha fé. Temos um grupo de mães que somos espíritas e então conseguimos o conforto”, relatou.

A família Brondani chegou em Bagé no ano de 2012, um ano antes da morte do filho. “Viemos para cá para ficarmos perto do Matheus, que estava nos últimos anos da faculdade. Era para virmos ficar um pouco com ele. Eu era professora em Rosário do Sul (somos de lá), na Prefeitura e no Estado, então pedi licença de interesse e viemos", relembra Ana.

Mário destaca que o projeto da Escola de Laço já era um desejo, na época comercial, de pai e filho. “Após a morte dele, então, resolvi homenageá-lo e surgiu a ideia de fazer esse projeto social. Matheus laçava desde os cinco anos, sempre foi desse meio rural. O cavalo dele eu cuido e está aqui conosco, era um projeto nosso e hoje essa escola é nosso conforto”, comenta. “Os meninos que vêm aqui, são um pouco nossos filhos. Levamos eles para os rodeios, faço comida para todos, é para qualquer criança e adolescente que queira aprender. Isso nos faz muito bem. Quando começamos, em março de 2013, foi para nosso conforto, hoje é um projeto que já estamos começando em Rosário do Sul, temos 10 alunos. É nosso projeto de vida”, comentou.

Fé e força

No dia da tragédia, o pai de Matheus conta que passou por um momento que nunca irá esquecer, quando foi reconhecer o corpo do filho. “Entrei junto com a funerária, carregando um caixão e encontrei o corpo do meu filho e da namorada, ele não estava machucado, mas foi muito triste ver. Não sei de onde tirei força. Essa imagem não sai da minha cabeça”, relatou.

Ana, por sua vez, conta que no dia conheceu a mãe de Daniela Betega, a namorada de Matheus, e ali elas começaram a conversar sobre fé. “Somos conhecidas no meio espírita como as mães da Boate Kiss. Não eramos ligadas, acreditávamos em Deus, éramos católicos, mas conseguimos conforto no centro espírita. No primeiro ano a gente não quis ir, mas depois fomos e foi emocionante. Eles descreveram o Matheus, que ele tava dançando Chula, laçando, isso nos conforta tanto, pois não tinha como ele saber e eles mandaram essas mensagens”, comentou.

As mães fizeram o livro Nossa Nova Caminhada, que já tem duas edições, com diversos relatos através dos médiuns. “Tem um medium que vem uma vez por ano a Bagé, ali no Centro Chico Xavier, e muitas pessoas vêm para consultar com ele. Isso nos traz muita paz”, concluiu.

Julgamento

Em 27 de janeiro de 2013, a Boate Kiss sediou a festa universitária “Agromerados”. No palco, se apresentava a Banda Gurizada Fandangueira, quando um dos integrantes disparou um artefato pirotécnico, atingindo parte do teto do prédio, que pegou fogo. O incêndio, que se alastrou rapidamente, causou a morte de 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos.

O Tribunal do Júri é composto pelo Conselho de Sentença, formado pelo seu Juiz Presidente, Orlando Faccini Neto, titular do 2º Juizado da 1ª Vara do Júri da Comarca de Porto Alegre, e por 7 jurados que serão escolhidos por meio de sorteio na manhã de quarta-feira (1°/12).

O plenário tem 350 metros quadrados e é dividido em palco (área onde ficam o juiz, assessoria, oficiais de justiça, jurados, acusação, assistente, réus e defesas) e plateia, onde estarão familiares, representantes das defesas, imprensa e autoridades. Em razão dos protocolos de prevenção à pandemia de COVID-19, serão liberados 124 lugares na plateia. A distribuição será da seguinte forma:

Associação: 58 lugares (sendo 2 para apoio)

Imprensa: 12 lugares (sendo oito para a imprensa em geral)

Acusados: 28 lugares (7 para cada um deles)

Familiares que não integram a Associação: 10 lugares

Ministério Público: 2 lugares

Autoridades: 8

Reservados: 6

A previsão é que os trabalhos sejam divididos em três turnos (manhã, tarde e noite), a partir das 9 horas. Deverá haver uma hora de intervalo para almoço/janta e pausa para descanso dos jurados. Essa é uma questão que foi definida pelo magistrado em consonância com as partes, conforme as peculiaridades de cada dia. Não haverá interrupção no final de semana.

Serão ouvidas:

14 vítimas (indicadas pelo MP, Assistente de Acusação e pela defesa de Elissandro Spohr)

5 testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público

5 testemunhas arroladas pela defesa de Elissandro Spohr

5 testemunhas arroladas pela defesa de Mauro Londero Hoffmann

5 testemunhas arroladas pela defesa de Marcelo de Jesus dos Santos

Jurados e testemunhas ficarão isolados em razão da incomunicabilidade. A diferença é que os jurados ficam nessa condição até o final do julgamento e as testemunhas são liberadas após prestarem depoimento. Eles serão hospedados em hotéis e acompanhados em tempo integral por Oficiais de Justiça do TJRS. O transporte também será realizado pelo Poder Judiciário. A alimentação será fornecida por uma empresa terceirizada contratada pelo TJRS.

Depois de ouvidos sobreviventes e testemunhas, haverá o interrogatório dos réus Elissandro, Mauro, Marcelo e Luciano, que podem ficar em silêncio, se assim desejarem. Nessa etapa acusação e defesas terão oportunidade de apresentar suas teses e argumentos aos jurados. O tempo total para essa fase do julgamento será de 9 horas, assim distribuídos:

2 horas e meia para MP e Assistente de Acusação (dividem o tempo)

2 horas e meia para as defesas dos réus (dividem o tempo)

2 horas de réplica para o MP/Assistente de Acusação (dividem o tempo)

2 horas de tréplica (dividem o tempo)

Findos os debates, os jurados serão indagados se estão prontos para decidir. Eles passarão a uma sala privada para responder ao questionário. Os jurados decidem individualmente (o voto é secreto), respondendo a perguntas formuladas pelo magistrado, mediante o depósito de cédula em uma urna. A maioria prevalece. O júri será transmitido ao vivo pelo canal do TJRS no Youtube.

 

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