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DJ Helô: a resistência e o amor pela música

Em 21/11/2021 às 14:11h

por Redação JM

DJ Helô: a resistência e o amor pela música | Urcamp | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Sharon Maia

por Sharon Maia

Acadêmica de Jornalismo da Urcamp

 

No sábado, dia 13 de novembro, DJ Helô esteve em Bagé para tocar no aniversário de oito anos do Mr. Broa Burguer, às 23h. Aos 60 anos, Helô é DJ, produtora fonográfica e comunicadora da RádioCom, de Pelotas. Muito reconhecida em cidades do Rio Grande do Sul, ela deixa sua marca por onde passa. De longe, a imagem de uma senhora de cabelo black grisalho discotecando com CDs físicos, intriga e impressiona quem prestigia suas festas, um fato que Helô diz achar muito cômico: “Primeiro porque as pessoas me veem com esse black branco e aí elas devem imaginar: o que será que essa velhinha vai tocar, né?", relata a DJ.

Se engana quem imaginar que vai ouvir só músicas antigas, a DJ toca de tudo que julgar ser bom para a festa “Eu passo por todos os lugares musicais que vocês (jovens) passam, mas eu escolho o que eu acho que é legal para minha festa”, diz ela. Ela conta que prefere usar CDs e vinis para tocar, não por dificuldade de usar novas tecnologias e sim porque gosta. “Eu gosto de comprar o disco, gosto de olhar o encarte”, conclui. 

A paixão de Helô pela música vem desde sua infância, quando ouvia as paradas de sucessos nas rádios, principalmente aos domingos. Ela conta que sempre teve uma vontade de ter discos, mas só foi começar a ter contato com eles através de duas vizinhas que eram suas amigas e possuíam diversos discos em casa.  Foi em 1985 que o amor pela música começou a chamar atenção. Helô recorda que gostava muito de brincar de rádio, ouvindo e tocando discos, até que foi convidada por uma amiga a tocar em uma festa em Santa Vitória. E ela foi, mesmo nunca tendo tocado em uma festa antes e sem conhecer os aparelhos. Ela relata que estava muito nervosa. “Com seis discos que as gurias me emprestaram de casa e fiquei esperando a minha vez, fiquei cuidando o que o cara fazia”, afirma.

A partir daí Helô passou a ser convidada para tocar em alguns lugares, mas, segundo ela, nunca pensou que fosse se tornar DJ. Naquela época, não existiam muitas mulheres no ramo, era muito considerado uma coisa de homem, então ela foi aprendendo sozinha, sempre foi muito curiosa e autodidata.

Helô lembra que a primeira vez que tocou para a classe média, foi no bar Choque Cultural, cujos donos eram seus amigos. O Choque Cultural era um bar gay, diferente dos outros, de acordo com ela era comum que os bares LGBTQIA+ da época fossem perigosos, pois aconteciam muitas brigas. E nesse ano, de 1985, o aparelho de som do Choque Cultural falhou e Helô foi chamada por seus amigos para tocar com sua caixa amplificada e o toca discos de plástico que havia ganhado de sua mãe biológica.

Depois disso as coisas foram fluindo, sempre com muito esforço. “Passei trabalho, fiz algumas festas vazias, mas fui crescendo”, diz. Em 1994, se tornou DJ do bar Trilhas Urbanos, que lotava todos os dias. “Até que eu fui ser garçonete em um bar, onde só frequentavam professores universitários e aí eu caí nas graças da burguesia”, relata ela. E assim ela foi crescendo e se tornando popular em Pelotas: “As pessoas foram me conhecendo e falando da festa da Helô. E eu estou aqui com 60 anos tocando som”. Hoje em dia sua agenda está sempre lotada e ela viaja pelo estado tocando música.  Outras marcas clássicas da DJ são o réveillon, que chega a reunir duas mil pessoas durante a festa, e seu trabalho na RádioCom, a  104.5 FM de Pelotas. Helô trabalha na emissora há cinco anos apresentando três programas, dentre eles a Quinta Preta, onde fala sobre racismo, fazendo entrevistas com pessoas negras que contam suas histórias. Helô reforça que é necessário falar sobre o racismo para conseguir combatê-lo. “É um negócio muito difícil de reverter, mas tem que ter a luta, e a gente tem que estar sempre no pé das pessoas, corrigindo”, afirma ela. 

Sempre muito bem humorada, a DJ Helô contagia todos os lugares por onde passa. Independente de idade, etnia, gênero, orientação sexual ou classe social, é impossível não se encantar com o show da tia do black branco. Para Helô, isso é diversidade, unir as diferenças através da música.“É quando tu consegue colocar todas as pessoas em um lugar”, diz ela. Não é atoa que Helô é muito bem recebida pelo público, que tenta ficar o mais próximo do som possível, acompanhando sua animação, são shows recheados de nostalgia até mesmo para quem não viveu na época do vinil.

Para as novas gerações, ela deixa uma mensagem importante: 'Não pode desistir!'. “A música é uma coisa muito linda, a música ela te invade”, diz Helô. Para ela, a música mexe com todos os sentimentos das pessoas que estão dentro da festa e é a força de saber que o DJ é está comandando esses sentimentos é o que nunca a deixou desistir do que faz, mesmo tendo enfrentado tantos momentos difíceis. Ela afirma: “Tem uma frase que diz ''trabalhe  no que você ama e nunca mais precisará trabalhar”. Ah, eu tô há quase quarenta anos sem trabalhar!’”

DJ Helô já esteve na Rainha da Fronteira outras vezes anteriormente e diz que pretende voltar em breve para mais uma apresentação.

 

 

 

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