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A prática de benzeduras na região da Campanha

Em 04/09/2021 às 15:00h

por Redação JM

A prática de benzeduras na região da Campanha | Urcamp | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Pela tradição rural o terço em sua maioria é substituído pelos ramos verdes na região | Foto: Lívia Monteiro

Por Lívia Monteiro

Acadêmica de Jornalismo Urcamp

Há quem não acredite, mas a regra é clara, para que a benzedura dê certo é preciso de fé. Realizada em sua maioria por mulheres, a prática milenar de tratar enfermidades com orações é reconhecida como um dos rituais mais populares do folclore gaúcho. Na região da Campanha, as benzeduras ganham destaque contra cobreiro, quebranto, rendiduras, sapinho e mal olhado. Pela forte atividade rural, também a utilizam em animais e no combate de tormentas.

O início da prática não se tem registro. Segundo o presidente da Comissão Gaúcha de Folclore (CGF), Rogério Bastos, as crendices e superstições são tão antigas quanto a própria humanidade. “Começou a acontecer e foi se desenvolvendo, se mesclando a realidade local do colonizador, do imigrante ou do próprio povo autóctone”, explica.

No artigo O Cuidado com os outros: A Benzedura no Sul do Brasil, escrito pela professora de história da UFPel Lorena Gill e a doutoranda de história pela UFRGS Eduarda da Silva, se identifica três tipos de benzedores. Existem os de tradição que aprendem através da família; os de dom que recebem algum aviso ou sinal espiritual de que devem cuidar dos outros; e os de religião, vinculados a cultos afro-brasileiros, onde desenvolvem a prática em seus centros de atendimento. Também se analisa a afinidade feminina com a benzedura. O estudo explica que o rito se relaciona às mulheres, pois na maioria das vezes a responsabilidade pelos cuidados de familiares e adoentados está direcionada a elas. “De toda a forma, foi encontrado um número significativo de homens que benzem. A diferença é que eles costumam benzer bens relacionados à produção, como animais vinculados à pecuária, equipamentos, como tratores, dentre outros. Ainda que alguns também benzam pessoas”, salienta Lorena.

A Arte de Benzer

Diferentes são as formas de benzer encontradas na região da Campanha. Pelo forte destaque rural, os objetos utilizados durante os rituais ilustram o cotidiano campeiro, com seus significados indo de acordo com o propósito do que está se benzendo. Nas benzeduras mais populares se recorre a agulha e o pano para costurar a rendidura, ou seja, o nervo machucado, a faca e o machado para abrir tormentas, a tesoura para cortar o cobreiro e a brasa para queimar o quebranto, as dores, o mal olhado e a bicheira nos animais.

Também é comum os benzedores não aceitarem pagamentos pela prática, apenas presentes dados de forma espontânea caso a pessoa benzida queira fazer uma gratificação. A aposentada Carmen Soares conta que aprendeu a benzer com sua mãe de religião há mais de 30 anos e por ser um dom dado de graça a ela, também não cobra para fazê-lo. “Todas as pessoas que vierem me procurar vou fazer de coração, com a maior boa vontade, para ter um resultado bom, porque é bom para eles e é bom para mim”, reflete.

Um dos elementos mais usados na benzedura campestre está no uso do ramo verde. Carmen explica que utiliza cinco ramos verdes, um copo de água e uma tesoura para benzer o sapinho, cobreiro e feridas. “Primeiro se faz uma prece na frente de um santo ou se tu não tens nada em casa vai na frente do sol pedindo ajuda dos espíritos de luz. Depois faz o sinal da cruz com os raminhos, reza uma Ave Maria, mentaliza o nome da pessoa que você vai benzer e benze. No final pega aquele copo e despacha para o lado que nasce o sol e o raminho tu corta e deixa no pasto durante três dias”, ensina a aposentada.

Medicina caseira

Já o escritor Severino Moreira, diz que aprendeu a benzer com a mãe da sua madrasta. Nascido em Santana da Boa Vista, cresceu na zona rural do município, onde na família utilizavam a benzedura como medicina caseira. “Não tínhamos como se tratar com médico quando pequeno, porque para chegar em um médico eram três horas a cavalo, ou cinco horas de carreta, então tínhamos que se socorrer lá fora”, relata Moreira.

Autor do livro Os Chás e a Fé, Moreira elucida em sua obra as benzeduras populares na região. Também ensina como benzer tormentas. “Se benze com a faca ou com o machado. Aponta o fio para tormenta e faz a oração, depois enterra ela e deixa até a tormenta ir embora. Com o machado mesma coisa, a hora que terminou de benzer encosta o machado para um canto de parede, com o fio pra dentro, até a tormenta passar”, explica o escritor.

Para a publicitária Diéllen Soares, que acredita em benzeduras, a importância e o sentido do ritual no folclore gaúcho se caracterizam pelo misto de crenças e a religiosidade. “Está relacionado com a espiritualidade da pessoa, porque vai depender muito de quem benze, para que a benzedura dê certo ou não e também da fé de quem recebe”, analisa.

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