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Segurança

Agente penitenciário bajeense é morto em ação de fuga de apenado em UPA de Caxias do Sul

Em 08/06/2021 às 06:55h
Rochele Barbosa

por Rochele Barbosa

Agente penitenciário bajeense é morto em ação de fuga de apenado em UPA de Caxias do Sul | Segurança | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Roman tinha 54 anos | Divulgação

O agente penitenciário bajeense Clóvis Antônio Roman, de 54 anos, morreu na madrugada desta segunda-feira,  7, quando dois agentes da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) foram alvejados quando levavam um apenado do Presídio do Apanhador para atendimento na UPA Zona Norte, em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. Segundo a Susepe, o apenado, identificado como Guilherme Fernando Mendonça Huff, teria fingido estar doente para executar a fuga.

Ainda conforme informações da Superintendência, outros três homens estavam aguardando na unidade de saúde em um veículo e resgataram o preso. Na ação, balearam os dois servidores, matando o agente bajeense e deixando o colega em estado grave. Dois funcionários da UPA de Caxias do Sul também foram feridos.

De acordo com o delegado penitenciário regional, Eduardo Berbigier, a família de Roman mora em Santa Catarina e ele prestava serviço na penitenciária do Apanhador, em Caxias do Sul. “Ele tinha três anos de serviço, aos 54 anos, foi alvejado pelas costas em cumprimento do dever. Dia triste para a categoria penitenciária”, complementou o delegado.

Sindicato

Com um efetivo que é a metade do recomendado pelo Ministério da Justiça e do Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciárias e com armamento que está muito abaixo do utilizado pelos criminosos, a morte do servidor penitenciário, Clóvis Antônio Roman, 54 anos, em troca de tiros para evitar a fuga de um apenado, em Caxias do Sul, foi considerada uma tragédia anunciada pelo presidente da Amapergs Sindicato, Saulo Felipe Basso dos Santos.

“É um dia pavoroso para os servidores penitenciários. A falta de efetivo é muito grande e não é só discurso. Tem ainda a questão do armamento. Os criminosos portam fuzil, armamento de guerra, e os servidores penitenciários precisam fazer o enfrentamento de pistola e as vezes espingardas calibre 12. No caso de Caxias do Sul, a escolta teve que rodar quase 30Km para levar o apenado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para prestar o atendimento. Os dois colegas que se envolveram no tiroteio, um deles acabou morrendo, entraram no sistema prisional por concurso há menos de três anos”, destacou o presidente da Amapergs, entidade que representa mais de 7 mil servidores penitenciários que atuam em 150 casas prisionais.

Atualmente, há cerca de 5,1 mil servidores penitenciários na ativa para 41,4 mil apenados no Rio Grande do Sul. De acordo com norma do Ministério da Justiça, deveria haver um servidor penitenciário para cada 5 apenados. O déficit atual é de 3 mil servidores. Além disso, a entidade aponta ainda a lentidão do Governo do Estado em regulamentar a Polícia Penal, que poderia também amenizar e fazer frente a audácia dos criminosos e facções que só cresce.

Após aprovação de emenda constitucional pelo Congresso Nacional, em 2019, os servidores penitenciários serão equiparados às demais polícias, sem acréscimo salarial, podendo realizar boletim de ocorrência, termo circunstanciado e operações de busca e recaptura. Além disso, os servidores penitenciários, que serão transformados em policiais penais, receberão armamento do Estado. Todavia, a emenda constitucional precisa ser regulamentada pelos estados e o Rio Grande do Sul é um dos mais atrasados nesse processo, sendo que o texto sequer foi protocolado na Assembleia Legislativa pelo Palácio Piratini. A Procuradoria-geral do Estado (PGE) analisa o tema há mais de dois meses e não se tem notícia de avanço.

“Se já tivéssemos regulamentado a Polícia Penal, poderíamos estar fazendo a operação de recaptura. Por estarmos no dia a dia com o apenado, sabemos a fisionomia, conexões familiares. Isso ajuda muito. O problema é que o estado não quer resolver o problema, pois não aparece para o povo o trabalho dos servidores penitenciários. Só quando um colega morre. Estamos trabalhando sem efetivo necessário, sem armamento, sem estrutura adequada e em cadeias improvisadas”, salienta Saulo.

Ainda de acordo com o dirigente que representa a categoria dos servidores penitenciários, a situação só tende a piorar se o Governo do Estado levar adiante a ideia de fazer alterações no sistema penitenciário, inclusive com privatizações.

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