George T. Giorgis

segunda-feira, 19 de maio de 2014 às 23:34

O mês de Maio (antigamente)

Em nosso tempo de guri e de aluno ginasial no Auxiliadora (final da década de 40) evidentemente a época e os costumes eram outros e a religiosidade do povo bageense era imponente.

Dir-se-ia que o Catolicismo, aqui, imperava  sobre uns 90% de nossa população. O Espiritismo, a fidelidade ao Protestantismo e a alguma Igreja Batista eram numericamente insignificantes. No tangente às grandes efemérides no calendário católico nelas imperava soberba a Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora, guiada pelos Padres Salesianos, que cá vieram nos primórdios  do século vinte e mantinham, ao lado, o Colégio, com os cursos de Admissão ao Ginásio, o Ginasial,  a Contabilidade e o Científico. Deste é que se partia para a Universidade (Pelotas ou P. Alegre), mas para onde poucos formandos podiam rumar. Naquele então, as Missas eram sempre matutinas. As Bênçãos é que se efetivavam à noite e, excepcionalmente, no período vespertino. A Igreja (como até hoje) era muito bem cuidada, ornamentada e enfeitada.  A pregação   do Padre celebrante (ou de outro deles) era feita do púlpito, que tinha posição exatamente no meio em localidade que se posicionava em posto elevado  e distinguido.  Naqueles idos, os salesianos possuíam grandes oradores sacros, pontificando o Padre Edgard de Aquino Rocha (mineiro), que usava um dispositivo contra surdez. Ele, primeiramente, foi Diretor do educandário e, depois, Vigário da Auxiliadora.  Mas havia outros salesianos (professores nossos) que também produziam atrativas dissertações sacras. Vez que outra   chegava de São Paulo  o afamado orador Padre Eduardo Roberto  ou o Superior dos Salesianos, o Padre Orlando Chaves, que embeveciam os fiéis  com sua palavra elegante e fácil. O Auxiliadora tinha também vários Padres poloneses, que haviam  fugado de sua pátria diante da invasão da Alemanha hitleriana em setembro de 1.939. Os nazistas eram implacáveis com os sacerdotes e com a Igreja. Assim, vieram para Bagé os Padres Antônio, Romeu, Rafael, João. Padre Antônio tomou conta da Capela São José. Falavam meio-enrolado, porém, aos poucos, foram assimilando nosso idioma. As grandes novenas eram quatro: Coração de Jesus (em junho), Dom Bosco (em agosto), Santa Teresinha (em outubro) e Nossa Sra. Auxiliadora em maio, esta culminando com a coroação no dia 31. A Igreja, então, restava lotadíssima!  As mães levavam filhos e filhas, todo mundo com o rosário ou o livro de orações nas mãos.  Em determinado momento um estrondo: abria-se a porta principal e todos se  levantavam para enxergar o desfile pomposo que viria a seguir, magnificamente ornado de vestes e de cores variadas: os anjinhos, os sacristães, as filhas de Maria, a Congregação Mariana, a Irmandade do Santíssimo Sacramento, os Vicentinos, os pajens,etc. E, por fim, todos os sacerdotes, estes em fila dupla. Por derradeiro, o celebrante da noite.  Turíbulos espalhavam incenso, sacudidos por um sacristão. Todos os componentes do desfile tinham lugar assegurado na frente (primeiros bancos) como também os mordomos do dia e o casal festeiro, que marchava a todos cumprimentando. Era uma época grandiosa do Catolicismo em Bagé. E a gente (que era guri, depois rapazote) aguardava ansiosamente por aquelas noites, onde a pompa e a concentração religiosa marcaram época, uma época de fastígio para a Paróquia Auxiliadora, para o próprio Colégio e para nossa comunidade católica aqui, numericamente fincada lá  numa maioria esmagadora de fiéis. São tempos que não mais volvem! 


Por: George Teixeira Giorgis

 
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