George T. Giorgis

quarta-feira, 23 de abril de 2014 às 23:22

O Fórum de Bagé em 1958

Formado em PoA em dezembro-1.957, cheguei para advogar em minha terra em março/1.958.

Lá na metrópole, em 1.956 e 1.957, fui convidado por nosso professor de Direito Civil, Dr. Brasil Rodrigues Barbosa, para laborar em seu escritório no edifício Sulacap, o que fiz. Ele foi depois nosso paraninfo. Aluguei logo aqui o sobrado da Av. João Teles, nº 928 (onde moro até hoje), adquirindo-o em 1.961 ou 1.962. Mantive ali meu escritório até princípios de 1.973. Mas o Forum restava longe, em diagonal com a Praça de Desportos. Então, nesse ano, comprei o imóvel onde é hoje meu local de trabalho, na Marechal Deodoro, ficando perto da casa da justiça. Passados anos, atualmente o Forum está próximo de minha moradia... Encontrei na vida forense, na chegada, trinta e dois causídicos. Deles, hoje, só vive o Dr. Ruy Pereira Niederauer (auditor militar federal aposentado). Todos os demais já sucumbiram! E quem foram meus colegas no Foro quando iniciei o exercício? Ei-los, cujos nomes redijo com reverência póstuma: Otávio Santos, Oswaldo da Costa Moraes, Lauro Pereira Garrastazu, João Manoel Budó, Galvão Machado Morais, Delfino Antunes Figueira, Moacir Borges da Silveira, Djalma da Silva Coronel, Jaime Azevedo da Silva Tavares, Herodiano Alípio Camboim, Luiz Maria Ferraz, Thomaz Mércio Silveira, Arnaldo Faria, Paulo Tavares Costa, Carlos Fico, Luiz Rafael Merino, Brenno Fischer, Paulo Thompson Flôres, João Carlos Goudene, Telmo Candiota da Rosa, Jorge Deibler Filho, Alencastro Jacintho Pereira, Carlos Brasil, Orlando Oberst Brasil, Antônio Nunes Botti, Hipólito Lucena, João Alfredo Pitrez, Arnulfo Adolfo da Costa Alfaya, Rubem Bittencourt de Almeida, Alfredo Salim, Fernando Fonseca de Freitas, Tupy Duarte Vaz. Pouco antes de termos volvido a Bagé, tinham-se mudado para a capital os Drs. Nazeazeno d'Almeida, Carlos Eugênio Morais e Aristides Rolim Milano. O Dr. Ruy Pereira Niederauer tinha deixado (no tempo) a advocacia, sendo Pretor em Rosário do Sul, Esteio e S. Gabriel, volvendo a exercer depois a profissão aqui. O ambiente no Forum naquela época era inigualável, pelo respeito entre os que ali militavam e a cordialidade imperante junto aos magistrados, promotores de justiça e serventuários. Tanto que às 10h30min, todos os dias, dona Ely Luz e Mariza Gonçalves organizavam "o cafezinho", que tinha realização no Cartório da Distribuição (Juvenal A. Echevarria e Luiz A. Garmêndia). A maioria dos advogados costumava festejar seus aniversários com jantares em suas casas ou churrascos em suas chácaras. E todos só compareciam ao Foro de gravata e fatiota, bem vestidos, grande parte ostentando (nas ruas) o respectivo chapéu. As audiências caracterizavam-se pelo respeito e cordialidade. Na manhã das segundas-feiras era o tempo das "cozinhadas" a respeito dos jogos do Bagé e do Guarani, do Grêmio e do Internacional ou do Flamengo x Vasco. São tempos inesquecíveis que não mais se repetirão, obviamente.
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Quando comecei a atividade, nosso Foro tinha três Varas (Dr. Túlio Barbosa Leal, Dr. Rubens Rebello Magalhães e Dr. Sylvio Fortunati Pereira, os juízes). E três representantes do Ministério Público: Drs. José  Oliveira Rosa e José Coronel Martins (na parte criminal) e Dr. Francisco de Paula  Azevedo Veiga (Curador do cível). Excetuado o Dr. Veiga todos os demais já faleceram!
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E funcionários (servidores da justiça) que laboravam no prédio do Forum ? Ei-los: Darcy Luz, Ely Luz, Gabriel e Pitinha Pitrez, Flávio Botti, Hirton Coutinho, José Gularte, Lúcio de tal, Seney Soares, Graciliano Costa, Líbio Luz, Ernesto de  Bem,  Mariza Gonçalves, Ernesto Gonçalves, Telêmaco de Bem, Ieda Brasiliense, Dirceu Souza. E nos cartórios (assim chamados) extrajudiciais? Ei-los na época: Mário Grisóli Dias, Enilda Dias Gomes, Amaro Barcelos, Carlos Barcelos, Édi Cunha, Valmore e Válter Not, Paulo Camargo, Carlos Lienert, Raul Rodrigues, Ney Flôres, Obino Flôres, Maria Virgínia de Oliveira, Leda Fernandez e Walkyria Pomar, afora os titulares dos cartórios distritais (interior do município). Vivem ainda: Walkyria Pomar, Mariza Gonçalves de Bem, Ieda Brasiliense Marinho  e Leda Fernandez. Quanto tempo já decorreu de lá pra cá? Tanto que já entrei no exercício da profissão de advogado aqui em Bagé (minha gleba natal) há 56 anos !!!
 


Por: George Teixeira Giorgis

 
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